Furtos e roubos de gado estão cada vez mais comuns: aprenda a se prevenir

Medidas individuais e coletivas podem dificultar a ação de ladrões de animais

Não é de hoje que quem vive e trabalha na zona rural enfrenta problemas de segurança pública que evidenciam a vulnerabilidade do meio rural e colocam em risco os produtores e seus bens.

As principais ameaças são os furtos e roubos que, de acordo com um estudo feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 2018, correspondem a 49% e 33% dos crimes cometidos no campo, respectivamente. Para se ter uma ideia do que esse número representa, nos últimos três anos, foram registrados cerca de 19,2 mil furtos e 2,3 mil roubos a propriedades rurais somente no estado do Paraná.

Nesses casos, é comum que o objeto desses furtos e roubos seja o rebanho do criador de gado, crime chamado de abigeato. “São vários os tipos de abigeato. Por exemplo, tem o que sangra o animal e retira uma parte da carcaça, deixando para trás a outra parte; tem o que leva todas as partes, ficando pequenos indícios da sangria como patas ou chifre”, enumera a produtora rural e vice-presidente da Comissão de Bovinocultura de Corte da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, Ligia Buso.

Conforme ela, há ainda os furtos e roubos de animais vivos, que podem envolver de uma única cabeça de gado até rebanhos inteiros. “Tem ladrão que vem de caminhão durante a noite, abre a porteira ou corta a cerca, reúne os animais, coloca no caminhão e some. No dia seguinte, o produtor encontra o pasto vazio, porque 20, 40, 100, 200 cabeças de gado foram roubadas”, explica.

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Prevenção

Prevenir o abigeato depende tanto de medidas que podem ser tomadas pelos próprios produtores quanto daquelas de iniciativa do poder público. No primeiro grupo, estão incluídas ações que, de acordo com a Cartilha de Segurança Rural da FAEP, visam tornar as propriedades rurais mais seguras de forma geral. São elas:

  1. Promover a vigilância natural: tornar a propriedade mais visível ao seu entorno, seja evitando muros opacos ou investindo em boa iluminação, por exemplo.
  2. Fazer o reforço territorial: criar um espírito de comunidade entre os produtores da mesma região para cobrar das autoridades medidas como a pavimentação de estradas, a implantação de iluminação pública, a sinalização de estradas, etc.
  3. Controlar o acesso às propriedades: ter um único meio de acesso (porteira) à propriedade, próximo a um espaço com comunicação, e fazer o controle de quem entra ou sai.

A cartilha também recomenda a formação de um grupo de vizinhos, o uso de dispositivos de segurança em diversos pontos da fazenda e, ainda, a adoção de animais de guarda.

Outro tipo de medida que depende dos membros da cadeia produtiva de gado bovino é não alimentar o ciclo do crime. “Eu acredito que animais furtados em grande volume têm um destino certo, alguém que vai matá-los e tentar esquentar a documentação. Quando o animal é morto na fazenda e a carne é roubada, provavelmente é um açougue ou alguém que vai vender para pequenos comerciantes, sem a documentação”, diz Ligia.

Com isso em mente, os produtores devem investir na identificação de seus rebanhos, manter a documentação em dia e denunciar os furtos e roubos que ocorrerem em suas propriedades à polícia. Além disso, é importante que todos os membros da cadeia estejam atentos à origem e aos documentos dos animais ou da carne negociados. No caso do roubo de gado vivo, uma dica importante é observar as marcas a ferro feitas nos bichos, que não devem estar borradas.

Além de contribuir para a cadeia do crime, a não observância desses fatores pode fazer com que quem compra animais ou carne roubados possa ser responsabilizado por isso. “Quem compra produtos roubados também é um receptador. Então, também está sujeito a responder judicialmente por ter cooperado com o ladrão”, afirma a representante da FAEP.

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Rede de informações

A prevenção dos furtos e roubos de gado também pode ser feita por meio de projetos de vigilância, como o desenvolvido pelos produtores de Santo Antônio da Platina em parceria com o sindicato rural do município, o Conselho Municipal de Segurança Pública e a Polícia Militar, que se baseia em uma rede de informações e ainda está em implantação.

“Fizemos uma identificação nas propriedades da região com placas, com o nome da fazenda e um QR Code que mostra o nome do proprietário e do responsável pela área, os telefones e a geolocalização da fazenda”, explica Ligia. Os mesmos dados também ficam disponíveis na delegacia de polícia que atende a região, assim o pedido de socorro é facilitado e os policiais conseguem verificar até o tempo necessário para chegar à propriedade onde ocorreu o crime.

A representante da FAEP diz ainda que um melhor preparo da polícia para atuar em zonas rurais também pode contribuir para reduzir o número de furtos e roubos de gado. Conforme ela, um dos problemas enfrentados é a dificuldade para localizar propriedades, principalmente considerando a extensão das áreas rurais. Outro é a falta de equipamentos adequados para trabalhar nessa região, como viaturas que transitem bem em estrada de chão.

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Como está essa questão na sua região? Já teve prejuízo com roubo ou furto de gado? Conte sua experiência para nós.

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