Giro pelos indicadores econômicos

A situação da economia está longe do ideal, mas a tendência tem sido de melhoria.

indicadores economicos

Quando falamos em consumo de carne bovina, estamos abordando indiretamente a situação econômica.

A melhoria do cenário econômico, com acréscimo da renda, aumenta a demanda pelas diversas proteínas, com destaque aqui para a carne bovina.

Essa característica é chamada de elasticidade-renda da demanda. Produtos como a carne bovina são sensíveis às variações de renda, por isso, a importância de acompanhar os indicadores econômicos, tais como:

Intenção de consumo das famílias

A Confederação Nacional do Comércio divulga mensalmente a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que tem como objetivo avaliar aspectos da condição de vida das famílias, incluindo a capacidade de consumo atual e perspectivas de consumo, percepção quanto à renda, emprego, entre outros.

Há duas análises que podem ser feitas com esse indicador. A primeira é o número absoluto do índice, que varia de 0 a 200, sendo que valores acima de 100 indicam um cenário mais positivo para o componente. Outra análise é a tendência do indicador e seus componentes, se os índices estão aumentando ou diminuindo. Veja a tabela 1.

Tabela 1.
Componentes do Indicador de Intenção de Consumo das Famílias em novembro e variações em 12 e 24 meses.

Componente do ICF ICF Variação
em 12 meses
Variação
em 24 meses
Emprego atual 117,8 4,2% 8,3%
Perspectiva profissional 106,2 4,2% 10,3%
Renda atual 111,8 8,5% 19,3%
Acesso ao crédito 89,7 12,1% 21,5%
Nível de consumo atual 74,1 6,7% 32,2%
Perspectiva de consumo 97,8 12,4% 26,0%
Momento para duráveis 69,0 18,0% 25,4%
Índice (em pontos) 95,2 8,7% 18,7%

Fonte: CNC / Elaboração: Scot Consultoria

Observe que tanto na comparação com novembro de 2018 (variação em doze meses), como na comparação com novembro de 2017, há aumentos de todos os componentes.

Na análise do valor absoluto, temos três componentes acima de 100 pontos e quatro abaixo desse patamar, o que ilustra a situação ainda convalescente da economia e, por consequência, da confiança das famílias.

Leia também: Saiba qual é o seu perfil de investidor no mercado financeiro

Emprego e rendimento

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o saldo de empregados em outubro de 2019 foi de 70,85 mil. Esse valor é o resultado líquido de desligamentos e admissões.

No acumulado dos doze meses anteriores, o saldo foi de 562,19 mil vagas, aumento de 26,5% frente as 444,48 mil vagas no acumulado de doze meses, até outubro de 2018.

A taxa de desemprego ainda está elevada, com valor de 11,8% no trimestre entre julho e setembro, de acordo com os últimos dados disponíveis da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representa uma redução de 0,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O rendimento médio, nessa mesma comparação, aumentou 0,1%. Tanto a melhoria do emprego como do rendimento segue tímida, mas tem ocorrido.

Projeções para a economia

Segundo o relatório Focus, do Banco Central, que traz a opinião de dezenas de analistas sobre diversos aspectos da economia, o Produto Interno Bruto deve crescer 0,99% em 2019, depois 2,2% em 2020 e 2,5% em 2021. Essas projeções são da segunda quinzena de novembro.

No começo do ano, as projeções para o crescimento do PIB em 2019 estavam em torno de 2,5%.

O mesmo relatório aponta para uma taxa de câmbio em torno de R$ 4,10/US$ ao final de 2019 e de R$ 4,00/US$ no fechamento de 2020 e 2021. As expectativas para a inflação são de cenário controlado em 2019 e nos próximos anos, com IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, inflação oficial) abaixo de 4,0% em todo o horizonte.

Expectativas para a economia e o consumo

Passamos por alguns de dezenas de indicadores utilizados para avaliar a situação da economia brasileira. O cenário geral é de melhoria, embora lenta para alguns parâmetros.

O ponto positivo é que essa melhoria tem ocorrido e, pensando na pecuária, a demanda forte da China tem feito sua parte na precificação do boi gordo.

Com o consumo doméstico um pouco melhor e as exportações em alta, o mercado do boi gordo viu uma valorização rara nesse fim de 2019.

A tendência para os próximos anos é que, além do bom ritmo dos embarques, o consumo doméstico seja crescente.

Ou seja, mesmo se as compras chinesas acalmarem em médio prazo, o que tende a ocorrer pela recuperação da produção de suínos do país, ou mesmo de alternativas, como aves, o nosso consumo interno crescente deve segurar a demanda total em bom ritmo. 

Autor: Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*