Herdeiras da empresa Bom Futuro falam sobre o papel da mulher na agropecuária

Apesar da forte presença masculina, empresária acredita que não há mais espaço para preconceitos

Bom Futuro, a maior empresa agropecuária do país, fica no Mato Grosso. Apesar de ter 13 herdeiros, a sucessão da gestão ainda não foi feita e os quatro sócios fundadores são atuantes nessa frente.

Pensando nas mulheres dentro da empresa, quatro das herdeiras representam as famílias fundadoras no conselho de família, sendo elas Aline Bortoli, Kleidimara Scheffer, Leticia Scheffer e Nayara Scheffer. Dayla Mayra Santos Scheffer é uma das herdeiras que atua efetivamente dentro da Bom Futuro, no setor da pecuária.

Em entrevista ao blog Pasto Extraordinário, Dayla contou como é ser mulher e empresária na agropecuária – um segmento predominantemente masculino.

“Não temos dificuldade por ser do sexo feminino e sim dificuldades normais como em qualquer área. É um ambiente totalmente livre de preconceitos, temos muitas mulheres tanto no operacional do campo quanto nas áreas administrativas em geral”, afirmou.

Também disse que é possível administrar a carreira e a vida pessoal, “é só buscar o equilíbrio”. Para Dayla, estar dentro desse contexto, aliado ao fato de estar à frente do maior grupo agropecuário do mundo, é uma satisfação e um enorme desafio.

Ela explicou que é preciso estar inteiramente alinhada nas questões do negócio – desde a equipe até os animais, pastagens, grãos, insumos para a produção de ração, maquinários, mercado e clima. “São fatores que nos demandam muito dinamismo e sintonia ao mesmo tempo para sermos produtivos”.

Investimento social

Inseridas no Conselho de Família da empresa Bom Futuro, as herdeiras buscam acompanhar o investimento social da empresa na comunidade, estabelecem programas de desenvolvimento dos membros da família como acionistas, coordenam ações para o desenvolvimento da sucessão na empresa e coordenam eventos da família visando integrar e alinhar todos os membros e ajudam no planejamento de ações para engajar a 3ª geração de herdeiros – que hoje são crianças e adolescentes.

“O Conselho de Família é um lugar onde a gente consegue encontrar um denominador comum para investir e apoiar aquelas causas sociais em consonância com os valores familiares e da empresa. Então, a gente costuma fortalecer projetos muito bons e que já estão em andamento através de direcionamento de recursos de leis de incentivo”, afirmou Aline Bortoli.

Aline disse que essas iniciativas as inspiraram a desenvolver um projeto interno – o Sementes do Futuro, com investimento direto.

 O objetivo, segundo as herdeiras, é levar contraturno para todas as crianças que moram nas fazendas e que acabam tendo menos acessibilidade para desenvolver habilidades relacionadas às artes, ao esporte, à cultura, à informática e à outra língua.

“O Sementes do Futuro também fortalece outros projetos relacionados à sustentabilidade dentro das fazendas. Isso porque as crianças ajudam as comunidades onde elas vivem a reciclar os resíduos e com isso ganham essa oportunidade de desenvolver mais uma potencialidade, o contraturno cultural. Essa é uma das formas de distribuir e investir o recurso”, explicou Aline.

Instituto Farmun

Em 2019, Aline Bortoli, Kleidimara Scheffer, Leticia Scheffer e Nayara Scheffer fundaram o Instituto Farmun – uma organização sem fins lucrativos que tem como propósito a valorização da agricultura ao promover experiências e inspirar inovações.

“Podemos dizer que esse ‘nascimento’ do Farmun é um fato espiritual que aconteceu quando começamos a discutir sobre nosso legado e em como aproveitar da melhor forma o espaço que Deus nos deu aqui na Terra, nesta família e no Agro. Isso somado à necessidade atual de criar uma empatia da sociedade com o agro”, afirmou Letícia Scheffer, diretora-geral do Instituto Farmun.

De acordo com Letícia, no 1º ano da organização, mais de 18 mil pessoas tiveram contatos e experiências com o universo do agro por meio de ações em feiras de ciências e visitas à fazenda promovidas pelo instituto.

No ano passado, com o avanço da pandemia da covid-19, o Instituto Farmun decidiu direcionar as forças para a produção de conteúdo para as redes. Ao todo, mais de 31 mil pessoas foram alcançadas por essa iniciativa, segundo a diretora-geral.

Gerar frutos

Letícia contou que o Instituto Farmun surgiu com o princípio de dar resultados. Portanto, investe em educação e em cultura para levar informações verídicas sobre o agro às pessoas.

“Nós entendemos que para ter a herança nós só precisávamos ter nascido, mas o jeito que você desfruta disso é que determina como vai ser o seu legado. Por isso, o mais importante sempre foi tomar cuidado para não comer a semente e sim gerar frutos”, explicou.

A diretora-geral do Farmun também disse que o instituto faz parte do legado dela e das primas. “Não é à toa que nascemos mulheres com o poder de persuasão, dentro de um ambiente que antigamente era totalmente masculino”.

Experiência com o agro

Segundo Letícia, por muito tempo o agricultor não entendeu a importância da divulgação e do marketing do trabalho dele. Como consequência, ainda de acordo com ela, hoje o setor é alvo de fake news e outros ataques.

Letícia ressalta que o agro é uma potência e é preciso fortalecer essa base e mostrar para a sociedade como esse setor é primordial à nação.

“O Instituto Farmun existe para que todos possam, pelo menos por algum momento, guardar na memória uma experiência do que é o agro de verdade, de como ele gira e de como ele produz vida e não morte. Sonhamos em construir um país onde a realidade do agronegócio brasileiro seja do conhecimento de todos”, disse Letícia.

“A forma como enxergamos a possibilidade de realizar isso é, também, através da educação da nova geração. Assim, incentivamos a produção de projetos científicos por estudantes do ensino médio e premiamos o melhor trabalho apresentado na feira estadual com um intercâmbio para o estado de Iowa, polo agrícola dos EUA, e um curso de inglês preparatório”, concluiu. “Todas essas experiências que produzimos só são possíveis através das parcerias que vamos realizando ao longo da nossa jornada”.

Confira o site do instituto (www.institutofarmun.com) e as redes sociais (@institutofarmun).

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*