Hong Kong: uma outra porta de entrada para a China

Importando para si e para reexportação, Hong Kong fechou 2019 como o segundo maior importador de carne bovina brasileira

Apesar de ficar localizado na China, Hong Kong é um território autônomo e tem liberdade para fazer suas próprias importações. Por isso, há quase 30 anos compra carne bovina brasileira de maneira independente do país asiático − embora destine parte do que adquire para o mercado chinês.

No início, o Brasil vendia à ilha apenas alguns contêineres de miúdos ao mês. A partir de 2005, devido ao aumento do consumo em Hong Kong e na China e, também, graças a um aumento da profissionalização do setor nacional de frigoríficos, os volumes exportados começaram a crescer de forma substancial − até que, em 2019, o território figurou como o segundo maior importador de proteína bovina brasileira.

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Qual é o tamanho do mercado?

De acordo com os dados do relatório Beef Report 2020, Hong Kong consumiu, em 2019, um total de 498,2 mil TEC*, ou seja, cada habitante do território consumiu, em média, 66,55 quilos de carne no ano. Para abastecer esse mercado, e também o chinês, para onde reexporta parte do que compra do Brasil, a região adquiriu um total de 346.196 toneladas de carne bovina em 2019, tornando-se o nosso segundo maior importador desse tipo de proteína.

Em 2020, Hong Kong vem se mantendo no segundo lugar entre os compradores individuais da carne brasileira. De acordo com dados do Comex Stat, até julho, as vendas já tinham alcançado o valor FOB de US$ 468 milhões.

Apesar desse histórico recente, de acordo com o diretor de exportação da PMI Foods, Giovanni Migliorini, a tendência é que o comércio do Brasil para esse negócio se contraia. “Há uma tendência de diminuir o volume exportado para Hong Kong, porque a China, onde grande parte do público consumidor se encontra, está habilitando novos frigoríficos para exportar direto para ela. Consequentemente, o mercado desse território tende a ficar menos atrativo”, diz.

Quais são os cortes comprados?

De acordo com Migliorini, o volume é distribuído de forma equilibrada entre cortes de carne e miúdos. Porém, entre os enviados do Brasil para Hong Kong, não estão incluídos os cortes premium. “Para o nicho de food service, que demanda mais qualidade, eles preferem importar da Austrália e dos Estados Unidos. O Brasil não é reconhecido por excelência em cortes nobres, mas nossa carne tem um ótimo custo-benefício para uso na indústria”, afirma o representante da PMI Foods.

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Quais são as certificações exigidas?

Assim como no caso da China, não há certificações específicas − contudo, os frigoríficos devem ser habilitados para a exportação. Nesse caso, o processo é feito no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Hong Kong não tem um protocolo de exigência para habilitação. Então, o credenciamento e a fiscalização são de responsabilidade do país exportador”, explica Migliorini.

Como se negocia com o mercado?

Conforme o representante da PMI Foods, a operação é simples. “Eles têm centenas de anos de experiência no comércio exterior e se adaptam facilmente aos padrões de negociação e ao produto do exportador, quando há necessidade”, afirma.

Ainda assim, para uma transação de sucesso, Migliorini indica que os brasileiros busquem parceiros confiáveis. “Por ser um mercado de fácil acesso, há muitas empresas ‘duvidosas’”, diz. Além disso, ele considera importante entender a sazonalidade e respeitar os limites da comercialização.

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O que o criador deve saber para criar gado para esse mercado?

Uma informação importante é que não há, de acordo com Migliorini, vantagem em se criar animais “premium”. “Hong Kong não pagará a mais por isso”, diz o especialista.

Outra recomendação é a de que, assim como no caso da China, os animais devem ter até 30 meses no momento do abate.

Depoimento de quem vende para Hong Kong

“Exportamos há mais de 20 anos para Hong Kong, e o que posso dizer é que se trata de um mercado com poucas oscilações, que importa o ano todo e que mantém preços razoáveis. É uma negociação importante para o Brasil”, diz o diretor do frigorífico Frialto, Paulo Bellicanta.

Já leu sobre o mercado honconguês e ficou interessado em saber mais sobre outros mercados que também são grandes consumidores de carne brasileira? Aproveite para conhecer melhor o mercado chinês!

*TEC significa tonelada equivalente carcaça. Conforme o Sindicarne, 1 TEC equivale a uma tonelada de carne in natura com osso, ou a 1,3 tonelada de carne in natura sem osso ou, ainda, a 2,5 toneladas de carne industrializada.

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