A importância da qualidade do pasto no custo da arroba

Pastos de maior qualidade trazem maior ganho de peso aos animais e encurtam o ciclo de produção, gerando assim diluição dos custos fixos e melhora do resultado financeiro.

Imagem de um rebanho.

O Brasil é privilegiado por ter condições climáticas que permitem a produção de gado de corte em pastagens durante todo o ano. É fato que durante o período seco os ganhos de peso são menores, devido à sazonalidade de produção das forrageiras, mas com a adição de suplementos nutricionais é possível manter a boiada produzindo.

Sendo assim, o pasto se torna o bem mais precioso para o sucesso da engorda dos animais, e uma propriedade com pastos de maior qualidade aumenta as chances de fechar as contas no azul.

Podemos definir pastos de maior qualidade aqueles que são livres de pragas e doenças, que fornecem boas quantidades de forragem e nutrientes e conseguem suportar o pastejo de um maior número de animais.

Para chegar a esses resultados, é preciso investir no controle de plantas daninhas, por meio do uso de herbicidas investir em adubação e utilizar os manejos corretos de entrada e saída dos animais das pastagens assim como ajustar a taxa de lotação dos pastos para não faltar nem sobrar forragem para os animais.

Entretanto, apesar da importância do pasto para a pecuária de corte, ainda é comum a crença, por parte de muitos pecuaristas, de que não são necessários maiores investimentos para a formação e a manutenção dos pastos. Essa negligência acaba diminuindo gradativamente a qualidade da pastagem, chegando até a níveis mais severos de degradação.

Outra situação que também é comum em fazendas no Brasil é o investimento no fornecimento de suplementos nutricionais para os animais antes mesmo do investimento na melhoria das pastagens.

Vale frisar que a suplementação é extremamente importante para a melhoria do ganho de peso dos animais e, com ela, mesmo em pastos degradados, há algum aumento no ganho de peso dos animais. Entretanto, para aproveitar ao máximo a resposta aos suplementos nutricionais, é necessário que o pasto esteja em boas condições, gerando assim maior ganho de peso.

Para exemplificar a importância do pasto na engorda dos bovinos, fizemos uma simulação em três fazendas que usam as mesmas dosagens de suplementos nutricionais ao longo do ano. Cada fazenda, no entanto, apresenta uma qualidade distinta de pasto, fator que determinou a diferença nos ganhos de peso e no resultado financeiro. Acompanhe os dados na tabela 1.

Tabela 1. Simulação do custo da recria e engorda de bovinos de corte em três propriedades com pastos de qualidades distintas.  

  Fazenda A
Pasto de maior qualidade
Fazenda B
Pasto de qualidade mediana
Fazenda C
Pasto de qualidade inferior
 Data de entrada na fazenda maio/19 maio/19 maio/19
 Peso de entrada (@)  6 6 6
       
Meses de águas 12 14 17
Meses de seca 10 12 15
Período de recria/engorda (meses) 22 26 32
Data de abate  fevereiro/2021 junho/2021 dezembro/2021
       
GMD águas (kg) 0,700 0,600 0,500
GMD seca (kg) 0,300 0,300 0,200
Arrobas produzidas 12 12 12
Peso final (@)  18 18 18
       
Custo médio aluguel de pasto (cab./mês) R$ 40,00 R$ 35,00 R$ 30,00
Mão de obra + sanidade (cab./mês) R$ 5,00 R$ 5,00 R$ 5,00
Suplementação (cab./mês) 
R$ 11,99 R$ 13,16 R$ 12,89
Desembolso médio mensal R$ 56,99 R$ 53,16 R$ 47,89
       
Custo operacional efetivo (COE) R$ 1.253,78 R$ 1.382,16 R$ 1.532,48
Custo por arroba produzida R$ 104,48 R$ 115,18 R$ 127,71

Fonte: Scot Consultoria

Na simulação, foram calculados os custos de recria e engorda de animais que entraram com o mesmo peso, no mesmo dia, e receberam a mesma suplementação durante a seca (suplemento proteico, fornecimento de um grama a cada quilo de peso vivo) e a mesma suplementação durante as águas (suplemento mineral, fornecimento de três gramas a cada quilo de peso vivo).

Como os animais foram terminados com o mesmo peso de abate (18@), os custos com nutrição variaram de acordo com o número de meses e o período (seca ou águas) que os animais permaneceram na fazenda.

Para calcular os custos fixos, utilizamos como referência o aluguel de pasto, variando de acordo com a qualidade da pastagem, ou seja, a fazenda que apresentava o melhor pasto teve o maior custo. Já os custos mensais de mão de obra e de sanidade não diferiram entre as três fazendas.
 
Pelos resultados, é possível observar que o desembolso médio mensal foi maior na fazenda que tinha o pasto com maior qualidade. Entretanto, o melhor pasto garantiu maior ganho de peso e, consequentemente, o período de recria e engorda foi menor.

Com os animais ficando menos meses na fazenda A, o custo da arroba produzida (12 arrobas que o animal ganhou durante a recria e engorda) foi o menor entre todas as fazendas (R$ 104,48/@).

LEIA TAMBÉM: Retorno econômico do uso de herbicidas em pastagens

Mensagem final

O investimento em pastagens é essencial para o aumento de ganho de peso dos bovinos. Em um primeiro momento, é preciso ter um aporte financeiro para conseguir arcar com os desembolsos que o investimento exige.

Porém, as melhorias provocadas pelo investimento permitem uma produção com giro mais rápido, o que dilui os custos fixos, além de aumentar o ganho em escala em médio e longo prazos, fatos que trazem melhora do resultado financeiro do sistema.

A suplementação é uma tecnologia indispensável para melhorar o ganho de peso dos animais e deve ser explorada por todos. Mas, para o suplemento expressar seu potencial máximo, é preciso estar aliado a um pasto de qualidade.

Aproveite e descubra o passo a passo para uma boa formação de pastagem.

Autor: Breno de Lima – Zootecnista

 

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2 respostas para “A importância da qualidade do pasto no custo da arroba”

    1. Ficamos contentes que o conteúdo tenha sido útil pra você, Raimundo! Continue acompanhando o nosso site. 🙂 Toda semana ele é atualizado com matérias e artigos novos bastante interessantes para os profissionais do ramo agropecuário.

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