Indicadores econômicos e expectativas para o consumo de carne e leite

Consumo doméstico sentiu o corte do auxílio emergencial em dezembro de 2020

A pandemia de covid-19 abalou fortemente as economias mundiais em 2020. A queda da demanda em diversos segmentos levou à redução da produção e, consequentemente, a demissões e/ou reduções salariais que têm pesado negativamente sobre o consumo.

No Brasil, o Banco Central estimou uma queda de 4,4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, na comparação anual. Destacamos que a previsão em julhode 2020 era de queda de 6,55% em relação a 2019. As expectativas foram melhorando a partir de então, com o pagamento do auxílio emergencial e a reabertura gradual do comércio, que movimentaram a economia.

O auxílio emergencial foi fundamental para a manutenção (e em alguns casos até aumento) da demanda interna por carne e derivados lácteos durante a pandemia. Com o fim do auxílio, em dezembro de 2020, o consumo doméstico foi prejudicado.

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Para 2021 e 2022, as estimativas são de alta no PIB, de 3,4% e 2,5%, respectivamente, na comparação anual. Parte da aposta nessa recuperação econômica está atrelada à vacina contra a covid-19, que, ao mesmo tempo, ainda é um ponto de discussão.

Figura 1.
Variações anuais do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Fonte: Banco Central / compilado pela Scot Consultoria

Essa queda no poder de compra da população, somada à taxa de desemprego e ao fim do auxílio emergencial, tem afetado negativamente o consumo interno, em especial nos primeiros meses do ano, quando a demanda sazonalmente é mais fraca.

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Observe na figura 2 que a intenção de consumo das famílias vem aumentando desde agosto, mas os patamares em janeiro deste ano estão bem abaixo na comparação com o mesmo período do ano passado.

Figura 2.
Evolução do índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF).

Fonte: CNC / compilado pela Scot Consultoria

No caso da pecuária, o embaraço maior é com relação à demanda por leite e derivados, em que o mercado interno consome mais de 95% da produção. A demanda mais fraca no primeiro bimestre pressionou para baixo os preços do leite pago ao produtor e derivados no mercado brasileiro.

Na pecuária de corte, as exportações representam pouco mais de um quarto da carne bovina produzida no país e têm se mostrado um importante canal de escoamento, em função da demanda interna patinando, colaborando com a sustentação dos preços da arroba.

Diante dos fatos apresentados, a expectativa é de ligeiro crescimento da economia brasileira e da demanda interna em 2021, mas com ressalvas e a depender da evolução da pandemia.

No segmento agropecuário, não são esperados grandes incrementos no consumo interno de carnes e lácteos, sendo os produtos de maior valor agregado os mais prejudicados.

Dessa forma, para 2021, a demanda interna patinando é um fator negativo para os mercados do boi gordo e do leite, mas essa demanda pode surpreender, dependendo da velocidade dos fatos relacionados à pandemia.

A retomada do auxílio emergencial, embora mais tímido que o anterior, tem potencial para colaborar com o escoamento.

Por ora, as expectativas são de que a economia e a demanda interna voltem a crescer em um ritmo mais forte a partir de 2022, considerando as questões da covid-19 mais controladas.

Rafael Ribeiro – zootecnista, msc.
Scot Consultoria

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