Jacto: Soluções tecnológicas do Brasil para o mundo

Conversamos com o presidente da Jacto para conhecer a trajetória de sucesso da empresa brasileira que tem mais de 70 anos e está presente em cinco continentes

Jacto

Engenheiro mecânico formado pela Universidade de São Paulo (USP), Fernando Gonçalves Neto é o atual presidente da Jacto. Há 24 anos na empresa e ocupando a presidência desde 2014, teve a honra de estar à frente da companhia quando ela completou 70 anos, em 2018. Sente orgulho de fazer parte da história de sucesso de uma empresa que nunca parou de inovar e de se reinventar na busca das melhores soluções para o agronegócio. Especialista em Gestão Estratégica e Business Administration and Management – Advanced Management Program (AMP) pela Harvard Business School, agregou sua experiência no gerenciamento dos negócios da Jacto em mais de cem países em cinco continentes. Conversamos com ele sobre como foi fazer parte de um capítulo importante de uma empresa que enche os brasileiros de orgulho. Confira!

A que você atribui o sucesso da Jacto? Como chegar aos 71 anos colecionando tantas conquistas?

Sempre ouvi aqui na Jacto uma frase dita pelo fundador, o senhor Shunji Nishimura: “Ninguém cresce sozinho”. Sinto realmente que vivemos em um ambiente inspirador tanto para quem trabalha aqui quanto para quem se relaciona com a gente. Fizemos investimentos para que as pessoas tenham condições de realizar projetos e alcançar seus objetivos pessoais e profissionais. O Grupo Jacto compartilha seus resultados com as comunidades onde está presente por meio da criação e manutenção de escolas e institutos em busca de um maior e melhor desenvolvimento pessoal e profissional. São conquistas compartilhadas.

Podemos atribuir essas conquistas às pessoas que estão conosco: ao agricultor, que nos dá oportunidade e nos estimula a fazer um trabalho para atender às suas necessidades reais no campo, e aos nossos colaboradores, um time competente e dedicado.

Qual é o pilar que move a Jacto e do qual você sente mais orgulho?

As raízes e os valores empresariais construídos ao longo dos anos se mantêm firmes e permitem olhar para o presente e para o futuro em busca de novas oportunidades com o mesmo entusiasmo, a mesma paixão pelas pessoas e pela excelência, que eram princípios do nosso fundador. Isso é o que nos deixa mais orgulhosos de fazer parte dessa história.

A nossa história foi construída com empreendedorismo, trabalho, evolução e, sobretudo, amor. Amor pelo sentimento de fazer sempre mais, de buscar as soluções mais adequadas, de ajudar o outro para que ele também se desenvolva e todos cresçam juntos. Esse é um legado do nosso fundador, levado com muito empenho também pela segunda e terceira gerações da família, e que procuramos manter vivo no aspecto gerencial e nos nossos relacionamentos.

Tudo que somos como empresa devemos ao agricultor, aos nossos clientes, que confiam no nosso trabalho e nos impulsionam sempre a seguir firmes no desenvolvimento dos pilares da nossa cultura organizacional: atuarmos de forma colaborativa, participativa, inovadora e de alto desempenho.

Como você vê a importância da empresa e o papel que ela tem no desenvolvimento do agronegócio brasileiro? E em relação às pastagens e à agropecuária?

A Jacto é uma empresa com DNA inovador. Nosso fundador desenvolveu o primeiro pulverizador costal à manivela e, depois de 70 anos, a versão mais atual desse equipamento é um pulverizador costal, movido a bateria, sendo totalmente gerenciado por um celular, e que, ao final da jornada de trabalho, gera um relatório de rastreamento do trabalho. É uma revolução entre os equipamentos portáteis, atendendo prontamente a uma demanda do mercado varejista que tem exigido informações cada vez mais meticulosas sobre cada item produzido.

É da Jacto também a primeira colhedora de café do mundo, lançada em 1979, que viabilizou a cafeicultura para áreas extensivas mecanizadas, contribuindo para que o Brasil permanecesse no ranking dos maiores produtores de café do mundo.  

Somos uma empresa extremamente relevante para o mercado mundial, oferecendo ao mercado pulverizadores portáteis, tratorizados e autopropelidos, como nossa linha completa da família Uniport, assim como adubadoras com alta tecnologia empregada e novas versões da colhedora de café, além de soluções sempre atualizadas em sistemas de agricultura de precisão.

Desenvolvemos cada uma de nossas máquinas ouvindo as necessidades dos nossos clientes e as demandas de mercado que eles terão que entregar. São muitos anos de testes e validações antes de lançarmos um produto, e temos a responsabilidade de treinar depois nosso cliente e seus funcionários para que consigam utilizar toda a tecnologia que desenvolvemos em sua máxima potencialidade.

Quais foram os maiores desafios da história da empresa? E quais foram os momentos e os lançamentos mais marcantes?

Em mais de 70 anos de história, passamos por muitos desafios, especialmente quando houve períodos de recessão e em que a falta de crédito para o agronegócio atrapalhou os produtores na atualização de seus maquinários. Mas em cada um desses momentos, tivemos novos aprendizados, sempre pensando em facilitar o acesso do produtor às tecnologias e formas de melhorar a qualidade do seu trabalho com custo cada vez mais baixo.

É difícil elencar os mais difíceis e os mais marcantes, mas acredito que um momento interessante da nossa história que pode ser pontuado foi quando o Sr. Shunji Nishimura quis importar uma máquina da Alemanha que desenvolveria os tanques dos pulverizadores costais com plástico. Até então, eram fabricados com latão, mas, com o desenvolvimento dos defensivos líquidos, o uso do plástico permitiria resolver o problema da corrosão nos tanques de metal.

O ano era 1964, e na época era exigido um depósito compulsório para importar um equipamento. Esse tipo de imposto equivalia praticamente ao valor da máquina que o Sr. Nishimura queria trazer, inviabilizando a compra. O Sr. Nishimura, porém, não desistiu da ideia e pediu uma audiência com o então Presidente da República, Castelo Branco, que o dispensou da exigência. 

O lançamento da primeira colhedora de café, em 1979, trouxe uma grande revolução para o mercado, sendo que a empresa recebeu no evento de apresentação da máquina o Vice-Presidente da República, Aureliano Chaves; o primeiro lote de exportação das nossas máquinas em 1963 para a Argentina mostrou para os executivos da época que tínhamos capacidade de atender demandas mundiais; em 1989, lançamos o primeiro pulverizador automotriz, o Uniport 3000 4×4, com barras hidráulicas e comandos computadorizados. O equipamento foi o salto tecnológico que iniciou o domínio da pulverização por máquinas automotrizes, e em 2008, iniciamos o projeto JAV, nossa primeira máquina autônoma, antecipando um assunto que seria falado muitos anos depois.

Enfim, como uma empresa com mais de 70 anos que busca fazer o melhor a cada dia, ouvindo seus clientes, dando suporte à sua equipe, temos muitos outros momentos marcantes para elencar, mas acredito que esses sejam os históricos, com relação ao nosso posicionamento no mercado e no desenvolvimento da nossa empresa, que mais se destacam.

Qual foi o maior legado deixado pelo fundador?

Entre muitas características marcantes, o Sr. Shunji Nishimura tinha um espírito empreendedor latente e a busca por oportunidades onde quer que elas estivessem. Dessa forma, após trabalhar na colheita de café, ser garçom e atuar como mecânico (sua formação), ele se estabeleceu na cidade de Pompeia, interior de São Paulo, e encontrou um pequeno agrupamento de casas em volta da ferrovia, carente de todo tipo de negócio que a vida urbana podia requerer. Ali, montou uma pequena oficina, que cresceu e deu origem à Jacto.

A responsabilidade que temos em relação a esse legado é perseverar nos atributos e na essência que nos trouxe até aqui, e construir um futuro com base nesses sólidos valores. É uma grande responsabilidade e um imenso desafio, mas também é o motor que nos move no dia a dia.

Leia mais: Dicas para escolher o pulverizador ideal

O que podemos esperar de inovação desse segmento nos próximos anos? Para onde estamos caminhando?

Para alavancar o crescimento, a Jacto investe de 4,5% a 5,5% do faturamento em pesquisa, desenvolvimento e lançamento de novos produtos. Renovou recentemente as instalações da fábrica e colocou no mercado mais de dez novas máquinas. Além dos grandes e médios pulverizadores, o portfólio ganhou inovações em pulverizadores costais, equipamento que está no DNA da companhia, que nasceu de uma pequena oficina de reparo de ferramentas, na época em que, devido à Segunda Guerra Mundial, era quase impossível importar máquinas.

Nos valores da empresa consta o “Espírito inovador” e “Trabalhar duro como forma de prosperar”, e isso nos move a pensar em maneiras de garantir uma experiência marcante aos nossos clientes.

Paralelamente ao desenvolvimento de tecnologias e novos equipamentos, a empresa participa de dois grandes projetos relevantes para o agronegócio mundial, que são o ConectarAgro e o BDCA. Ambos foram oficialmente apresentados na Agrishow de 2019.

O ConectarAgro veio para atender a uma demanda latente dos produtores rurais e das indústrias de máquinas pela conectividade no campo. Com o sinal de internet melhor na zona rural, os produtores poderão usufruir de toda a tecnologia que a indústria desenvolve para acompanhar o trabalho em tempo real, tomando decisões mais rápidas e, consequentemente, aumentando a sua produtividade, diminuindo desperdícios, além de ganhar informações que vão ajudar no gerenciamento da produção.

Já o Banco de Dados Colaborativo do Agricultor (BDCA) é um projeto que promove a integração de dados de diferentes fabricantes de máquinas em um único local com toda a governança garantida por uma instituição imparcial, a Abimaq, que encabeça a ação. Se um produtor tem um pulverizador Jacto, uma adubadora e uma plantadeira de outras marcas, ele terá a possibilidade de unificar os dados que essas máquinas geram em uma plataforma única, facilitando a sua leitura e compreensão.

Com a combinação de ações como essa, fica cada vez mais fácil enxergar máquinas autônomas em breve no campo. Nós trabalhamos no desenvolvimento do nosso veículo autônomo, o Jacto Autonomous Vehicle (JAV), desde 2008, e a atual versão, JAV II, foi apresentada em 2013 durante o Agrishow. É uma plataforma de grande estudo para nós, sendo que é preciso aprimorar ainda mais os sensores para gerar mais segurança para a operação quando surgem adversidades, além do aprimoramento das tecnologias de GPS, que apresentam falhas em áreas encobertas pela vegetação, por exemplo.

Da JAV já conseguimos extrair muitas tecnologias, como o dispositivo Omni 700, um equipamento para agricultura de precisão. É um sistema que guia a máquina com grande precisão e em altas velocidades, sendo o primeiro no mundo a oferecer um repetidor de operações com o qual o operador pode gravar os parâmetros utilizados para a pulverização em cada trecho da lavoura, que serão automaticamente repetidos nas aplicações posteriores.

Enfim, estamos caminhando para o campo digitalizado, com um grande aumento de utilização de softwares e soluções que vão ajudar o homem do campo a produzir melhor, ter mais informações e tomar decisões mais acertadas.

Leia mais: Pulverizador controlado pelo celular é o mais novo aliado no campo

A história da Jacto

A Máquinas Agrícolas Jacto nasceu em 1948, em Pompeia, interior de São Paulo. Ricardo Nishimura, atual presidente do Conselho de Administração do Grupo e neto do fundador, lembra com carinho da história. “O fim da linha pode ser o começo de tudo. Foi exatamente assim que se iniciou a história da nossa empresa, quando meu avô, Shunji Nishimura, pegou o trem em São Paulo e decidiu descer no final da linha. Ele iniciou do zero o que é hoje um grupo empresarial sólido e diversificado. Construiu com dedicação, trabalho, criatividade e inovação, sempre procurando coisas diferentes, e, principalmente, ouvindo e valorizando a necessidade do cliente”, relata.

Hoje o grupo forte e consolidado, com presença em cinco continentes, acaba de ganhar o título de melhor empresa do ano na categoria Bens de Capital (considerando o resultado consolidado das empresas do grupo: Jacto, Unipac, JactoClean, Rodojacto), segundo a 46ª edição do evento Melhores e Maiores, realizado anualmente pela Revista EXAME, desde 1974.

Grupo Jacto em números (dados do último GRI):

R$ 1,5 bi de receita líquida

3.553 colaboradores

Operações: O Grupo Jacto está presente em 110 países. A maioria dos clientes concentra-se na América Latina e África. Além do Brasil, o grupo tem uma unidade fabril na Argentina e outra na Tailândia, além de duas unidades comerciais, sendo uma no México e outra nos Estados Unidos.

O Grupo Jacto atua em diferentes setores, mas seu maior negócio está focado na área agrícola. É um grupo de capital fechado e controlado por cinco holdings familiares por meio da UJI Comércio e Participações Ltda.

Fonte: https://www.jacto.com/brasil/company/linha-do-tempo

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