Liana Jank: nome de sucesso no desenvolvimento de pastagens

Conheça a história da engenheira agrônoma brasileira e sua contribuição para o desenvolvimento de pastagens e o melhoramento de plantas forrageiras.

Liana Jank é referência em desenvolvimento de pastagens

Para falar sobre a trajetória de vida e de trabalho da engenheira agrônoma brasileira Liana Jank, é obrigatório falar sobre sua contribuição ao agronegócio e à pastagem brasileira. Sabe por quê? Sua atuação de anos como pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, trouxe, e continua trazendo, resultados muito relevantes ao setor, como, por exemplo, o desenvolvimento de pastagens e cultivares de Panicum maximum e a liberação comercial de seis cultivares inéditas ao mercado. Confira a história da pesquisadora e suas principais conquistas para pecuaristas, produtores e demais profissionais do campo.

Mesmo tendo nascido em São Paulo, na capital, a preferência de Liana Jank pelo interior e a vida no campo sempre foram mais fortes. Aos cinco anos de idade, seu irmão Roberto, 18 anos mais velho, terminou o curso de Engenharia Agronômica na Esalq/USP – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, e foi trabalhar na fazenda de seu padrasto em Descalvado, município da Região Centro-Leste de São Paulo. E Liana era companhia frequente do irmão nas visitas às plantações, aos estábulos e aos animais da propriedade rural.

Apesar da admiração pelo campo, foi por pouco que não optou pelo curso de Educação Física. Mas, pelo incentivo do pai e a experiência do irmão, Liana decidiu seguir os passos de Roberto e formou-se em Engenharia Agronômica na mesma faculdade, em 1978.

Admiração por animais e pastagens

No terceiro ano da Escola Superior, a engenheira agrônoma percebeu que, mesmo gostando dos animais, sentia um pouco de receio de manuseá-los e não sabia como trabalhar devido a pouca experiência no dia a dia da lida com eles. Foi nesse momento que descobriu o que a torna, hoje, uma referência no agronegócio e no melhoramento de plantas forrageiras no país: a paixão pelas pesquisas em pastagens, capins e pelo desenvolvimento de cultivares.

“Adorava as vacas e os cavalos. Mas, como não vivia na fazenda, não tinha muita experiência na lida com eles. Escolhi estudar, pesquisar e trabalhar com capins, gramíneas forrageiras e pastejo justamente por ser uma maneira de estar por perto sem ter o contato físico direto. E estou até hoje atuando para aperfeiçoar a nutrição dos animais, atividade fundamental para o seu desenvolvimento”, conta.

Cultivares inéditas no país

E realmente esse foi o caminho percorrido por Liana durante toda a sua trajetória profissional, que este ano irá completar 37 anos de atuação na atividade. Hoje, ela é Pesquisadora A da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

O contato com as plantas forrageiras começou no curso de manejo de pastagens e no primeiro estágio feito com um professor de genética da Esalq, em Piracicaba. Ali ela confirmou, mais uma vez, o quanto apreciava as gramíneas e que esse seria o seu ramo de atuação profissional. Durante o Mestrado em Manejo de Pastagens, realizado na University of Florida, nos Estados Unidos, em 1982, conheceu pesquisadores da Embrapa e de lá voltou para trabalhar na empresa brasileira.

Da experiência no exterior, Liana trouxe o conhecimento adquirido durante o seu curso, para trabalhar com um pesquisador francês, profissional que trouxe ao Brasil uma importante coleção de gramíneas forrageiras: o capim colonião, o primeiro existente no país e plantado por sementes. Na época em que os escravos foram trazidos da África para o Brasil nos navios negreiros, o colonião foi utilizado, durante a viagem, para que eles se deitassem. Ao chegarem, os navios foram descarregados, e o colonião se propagou por meio das sementes. Seu desenvolvimento foi tão rápido e satisfatório que foi o primeiro capim a ser plantado por sementes e disseminado até por avião.

“O capim colonião sempre foi muito produtivo e de ótima qualidade. Foi a nossa base de pesquisa, de referência e comparações durante os cinco anos iniciais de atividades com essa coleção, com mais de 400 tipos diferentes. E, para mim, foi uma experiência extremamente satisfatória, pois era justamente o que havia sido treinada para fazer e, melhor, o que realmente gostava”, relembra.

Um trabalho satisfatório e de resultados muito relevantes para o agronegócio e a pastagem brasileira, já que da atuação de Liana e equipe surgiu o primeiro Projeto de Desenvolvimento de Cultivares de Panicum maximum, responsável pela liberação comercial de seis cultivares inéditas: Tanzânia-1 (1990), Mombaça (1993), Massai (2001), BRS Zuri (2014), BRS Tamani (2015) e BRS Quênia (2017).

As três primeiras, segundo a engenheira agrônoma, apresentaram ótima aceitação no mercado brasileiro pela significativa contribuição dada como soluções às necessidades e aos desafios enfrentados pelos produtores no manejo de pastagens na época. E a maior parte dessas cultivares continua sendo utilizada e trazendo vantagens aos profissionais do campo até hoje.

Tanzânia-1 (cultivar desenvolvida em 1990)

Segundo Liana, a planta apresentou uma produção 86% maior que o capim colonião, comparando em cortes. Além disso, sua estrutura, mais compacta que a do colonião, trouxe vantagens no sentido de melhor qualidade e quantidade. Sendo menor, mais denso e com folhas mais juntas, proporciona um pastejo mais adequado aos animais, além de exigir menos adubo.

Mombaça (cultivar desenvolvida em 1993)

Uma cultivar mais alta, cerca de 130% mais produtiva que o capim colonião. Atualmente, é o capim mais comercializado – mais exportado e plantado – no país entre as cultivares de Panicum maximum.

Massai (cultivar desenvolvida em 2001)

De acordo com a engenheira agrônoma, ainda tem causado boas surpresas a todos, pois está sendo possível fazer crescê-la em regiões mais secas, nas quais nem a brachiaria se desenvolve.

BRS Zuri (cultivar desenvolvida em 2014)

Capim alto, parecido com o Mombaça, mas ainda mais produtivo.

BRS Tamani (cultivar desenvolvida em 2015)

Planta baixa, parecido com o Massai, mas com uma qualidade ainda melhor e manejo mais fácil.

 BRS Quênia (cultivar desenvolvida em 2017)

Com folhas macias e de ótima qualidade, é também bastante produtiva e mais fácil de ser manejada.

Principais desafios e lições

Para Liana, o manejo adequado e completo da pastagem em uma fazenda sempre foi um desafio. Antigamente, a atividade se apresentava com ainda mais dificuldades justamente pela falta de conhecimento, assistência e acompanhamento de profissionais capacitados. Além da ausência de cultivares novas no mercado.

Outro fator lembrado pela engenheira agrônoma é o hábito adotado pelos produtores e pecuaristas durante décadas: áreas grandes e com a presença constante de animais no pasto, o que contribuía negativamente para a conservação da pastagem.

Ao longo dos anos, a profissional acompanhou a evolução da atividade e a mudança da preferência dos profissionais do campo por áreas menores, setorizadas, com a circulação intercalada dos animais no pasto, além do manejo e da adubação corretos.

Leia também: Aprenda a fazer o manejo de diferimento de pastos

Segundo ela, um dos motivos para essa transformação importante para o agronegócio passa pela profissionalização do setor, da busca pelo conhecimento, pelo uso da tecnologia e de suas inovações e a consultoria prestada por profissionais e aceita pelos pecuaristas e produtores. E essa continua sendo a dica de Liana, “não se acomodar, procurar informação e aplicar da maneira correta o conteúdo aprendido”. 

Hoje, Liana mora em Campo Grande, é casada, tem três filhos e um neto. O segredo para conciliar suas atividades? “Priorizar a família e tornar o seu dia a dia saudável, só assim conseguiremos o equilíbrio entre o pessoal e o profissional”, defende.

Além de ser responsável por projetos de Desenvolvimento de Cultivares de Panicum maximum na Embrapa, é curadora do Banco Ativo de Germoplasma de Panicum maximum com atividades de conservação e caracterização morfológica e agronômica de acessos da coleção, líder do projeto de Bancos de Germoplasma de Forrageiras, gestora do gênero Panicum maximum no convênio Embrapa-UNIPASTO e gestora geral dos planos anuais de trabalho dentro desse convênio.

“A maior recompensa do trabalho que realizamos é confirmar, na prática, o quanto o melhoramento de forrageiras e o desenvolvimento de cultivares pode contribuir para o agronegócio brasileiro e o dia a dia dos produtores, dos grandes aos pequenos. É gratificante.”

Leia mais alguns artigos de autoria de Liana Jank

  1. Novas cultivares de pastagem

Acesse a seção Entrevista com Especialistas para conhecer outros profissionais que ajudam a transformar o agro brasileiro!

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*