Manejo da pastagem e incentivo à pesquisa

Conheça a história do zootecnista e consultor Adilson Aguiar, que desde o início na lida diária na fazenda já sabia da importância do cuidado com a pastagem e, para isso, da necessidade de priorizar o incentivo à pesquisa

Adilson Aguiar

Desenvolver um trabalho com foco no manejo da pastagem sempre esteve presente na lista de prioridades de Adilson Aguiar, zootecnista, professor e consultor brasileiro em pecuária de leite e de corte. O contato com o campo começou cedo, com três anos de idade ao acompanhar diariamente o pai nas atividades da fazenda. E a admiração e a habilidade para os negócios no setor rural vêm de longa data, já que seus tataravós paternos e os avós maternos nasceram, cresceram e trabalharam no campo, todos pecuaristas e agricultores.

 

Já na adolescência, Adilson percebeu a importância em avaliar as condições das pastagens que se degradavam rapidamente na propriedade da família, localizada em Francisco Sá, região Norte do Estado de Minas Gerais. Ele não aceitava a justificativa do pai para o desgaste, que atribuía todo o insucesso dos plantios das pastagens e a baixa longevidade à falta e à irregularidade de chuva. “Apesar da região realmente ter características de clima semiárido, com índice pluviométrico anual baixo e irregular, eu tinha a percepção de que deveria haver soluções para essa situação, já que sabia que existia no mundo e, mesmo no Brasil, regiões até mais áridas do que a do norte de Minas”, lembra.

 

E essa busca pela solução à necessidade da fazenda da família fez com que Adilson saísse da terra natal e fosse cursar a faculdade na área das ciências agrárias. Incentivado por um amigo, optou pela Zootecnia, entre as outras áreas de interesse, como Medicina Veterinária e Agronomia. Durante todo o curso na Faculdade de Zootecnia de Uberaba, concluído em 1991, Adilson esteve envolvido como monitor de várias disciplinas (forragicultura, máquinas e implementos agrícolas, melhoramento genético, reprodução animal) e estagiando com professores das áreas de forragicultura e bovinocultura de leite, bovinoculturas de corte, nutrição animal e máquinas agrícolas em fazendas localizadas em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e no Paraná.

 

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Nos últimos dois anos da graduação, o zootecnista foi indicado para dar aulas de Botânica e Zoologia no COC – Colégio Osvaldo Cruz, para o ensino médio e as turmas do cursinho. Foi a partir dessa experiência que a docência passou a fazer parte de suas maiores paixões profissionais e continua até os dias de hoje entre suas atividades.

 

“Logo após a graduação, continuei a ministrar aulas no COC por mais dois anos e fui contratado como professor da FAZU e como gerente de uma fazenda de seleção da Raça Nelore Mocho, a Fazenda Japaranduba de Minas, da família Paranhos, e que também já investia na integração lavoura-pecuária para produzir silagem para o rebanho e recuperar pastagens degradadas. Ministrava aulas na FAZU e, nos intervalos das aulas, estava sempre na fazenda. Desde então, não parei mais”, conta.

 

Em 1992, Adilson intensificou o trabalho de pesquisa e estudos ao criar o GET, grupo de pesquisa na FAZU, com alunos dos cursos de graduação de Agronomia e Zootecnia, para conduzir experimentos na linha de pesquisa de produção animal em pasto. De lá para cá, já foram mais de 50 trabalhos de pesquisas para a conclusão de curso dos alunos.

 

Consultoria na pecuária de corte e de leite

 

Em 1994, Adilson Aguiar aproveitou a oportunidade da época para incluir mais uma atividade na sua rotina: a consultoria a produtores de carne e leite, área em que atua até hoje. Em quase 30 anos de atuação como consultor, já acompanhou mais de 330 fazendas de gado de corte, de 152 clientes, e 42 fazendas de gado de leite, de 41 clientes, espalhadas pelas regiões brasileiras. Atualmente, o zootecnista acompanha sistematicamente cerca de 10 fazendas de gado de leite e 45 de gado de corte, além de ministrar palestras e treinamentos.

Adilson Aguiar

Legenda: Adilson Aguiar em palestra sobre manejo de pastagem e de solo

O segredo para percorrer essa longa trajetória de sucesso? Não existe, na opinião de Adilson. Mas, sim, muito trabalho, dedicação e gosto pela profissão que se tem, pelas atividades que se desempenha.

Agora que já conhecemos um pouco mais sobre a história dessa referência em manejo de pastagem e solo, e nutrição de ruminantes, que tal saber na opinião do consultor quais são as principais mudanças percebidas por ele na pecuária brasileira nos últimos anos em relação a esses aspectos? O zootecnista também dá orientações aos profissionais da área acadêmica sobre a importância do incentivo à pesquisa, e aos de campo para otimizarem a qualidade do pasto e, consequentemente, aumentar a produtividade. Confira!

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Principais mudanças no setor

MANEJO DE PASTAGENS – a substituição de pastagens nativas e naturalizadas por pastagens cultivadas; o aumento nas opções de cultivares forrageiros lançados pelas instituições públicas e empresas privadas; a melhoria na qualidade das sementes de forrageiras (sementes certificadas com alto valor cultural e tratadas com fungicidas e inseticidas); e o lançamento pela indústria de máquinas de semeadoras específicas para plantar sementes de forrageiras. Além da melhoria do manejo do pastejo por meio das alturas alvos de manejo específicas para as diferentes forrageiras; a adoção dos métodos de pastoreio de lotação rotacionada e, posteriormente, também alternada.

E, ainda, o lançamento de inseticidas químicos e biológicos para o controle de cigarrinhas, que atacam pastagens, e a nova geração de herbicidas para o controle de plantas infestantes de difícil controle, primeiramente para o controle localizado no toco, posteriormente ao controle localizado no caule e atualmente ao controle foliar.

MANEJO DE SOLO – o aumento crescente da adoção de correção e adubação de solos de pastagens. Quando comecei a me interessar e a estudar manejo de fertilidade de solo, ainda aluno, em 1988, o conhecimento nessa área era ainda apenas acadêmico, porque de fato quase não era adotado pelos produtores. Os pioneiros em corrigir e adubar solos sob pastagens foram os produtores de leite já na primeira metade da década de 90.

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A partir de meados da década de 90, com o início do Plano Real, em julho de 1994, os produtores de carne passaram a se interessar e a adotar essa tecnologia. Entretanto, eu e outros colegas que atuaram e ainda atuam na área de manejo da fertilidade de solo da pastagem, tínhamos a ideia de que essa tecnologia seria viável e adotada apenas nas seguintes condições: fazendas nos estados das regiões Sul e Sudeste, no litoral da região Nordeste e nas partes sul e leste da região Centro-Oeste; em fazendas com menores áreas, próximas a centros urbanos, em regiões onde houvessem alternativas de uso da terra e o preço da terra fosse bastante valorizado. E de fato foi assim por muitos anos. Entretanto, na última década, a tecnologia de correção e adubação de solo da pastagem se disseminou por todas as regiões e estados do país.

NUTRIÇÃO DE RUMINANTES – percebo um grande avanço na suplementação, particularmente para bovinos de corte, que evoluiu na seguinte sequência: da falta de suplementação > suplementação com sal comum > suplementação mineral com farinha de ossos como fontes de cálcio, fosforo e magnésio > suplementação mineral com fosfato bicálcico substituindo a farinha de ossos > suplemento mineral ureado > suplementos múltiplos de baixo consumo, evoluindo para os de médio consumo e atualmente os de alto consumo > suplementação concentrada em semiconfinamento até chegar ao TIP (terminação intensiva em pasto, também conhecido como “confinamento expresso”). E, em todos esses tipos de suplemente, a inclusão de antibióticos, ionoforos, leveduras, óleos essenciais, taninos.

Atualmente, ainda, a inclusão de sabões de cálcio (gordura protegida) nas dietas de bovinos de corte. Esses avanços já eram conhecidos e comuns nas dietas de vacas leiteiras de alta produção há pelo menos duas décadas.

Incentivo à pesquisa e otimização da qualidade do pasto

ÁREA ACADÊMICA – minha principal sugestão é que os profissionais não se afastem das faculdades e universidades, e também dos centros de pesquisas. É preciso participar de eventos científicos (congressos, simpósios, workshops) e técnicos (encontros, dias de campo, palestras) e ler os resultados de pesquisas na linha da sua área de atuação. Aprender a interpretar resultados e discussão das pesquisas e atenção especial ao material e métodos dos experimentos para ver a aplicabilidade daqueles resultados em condições específicas de fazendas comerciais onde trabalham.

É preciso estar preparado para evitar entrar na “onda dos modismos” sem ter uma avaliação crítica de cada nova dita “tecnologia”. Considero que a nossa responsabilidade é muito grande, levando em conta que temos que ser referência para o produtor, para os funcionários das fazendas e para os futuros profissionais que atuarão na área.

AOS PECUARISTAS – recomendo que sejam orientados por especialistas sobre um programa básico de gestão, o qual consiste em adotar em sequência os seguintes procedimentos: inventário de recursos [linkar para a matéria de inventário] > diagnóstico da situação atual e da potencial > estabelecimento do plano de metas > planejamento no curto, médio e longo prazos, com base no plano de metas > treinamento dos funcionários [linkar com a matéria de cursos online] > elaboração de formulários de controles > execução do planejado > controle do executado e dos resultados > avaliação dos resultados e tomadas de decisões.

Em paralelo, sempre cuidar com toda a atenção do fluxo de caixa, mensalmente avaliando o orçado e o realizado. Com a adoção desse passo a passo, as técnicas e tecnologias apropriadas para aquele projeto específico poderão ser escolhidas e adotadas com o foco no lucro.

Orientações anotadas? E o que mais você gostaria de saber sobre o manejo de pastagem e de solo e a nutrição de ruminantes? Compartilhe aqui nos comentários!

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