As máquinas chegaram ao campo

No Brasil, o uso de máquinas agrícolas e implementos na pecuária de corte é baixo se comparado à agricultura, mas o potencial para uso e ganhos em produtividade é enorme.

maquinas agrícolas

Com o aumento da demanda por alimentos, o uso de máquinas agrícolas é essencial para ganhos produtivos e abastecimento da população.

E, por consequência da industrialização no campo, com o uso de tratores, colheitadeiras, semeadoras, pulverizadores, vagões misturadores e distribuidores de ração, o Brasil é hoje um dos maiores produtores de alimentos no mundo.

Segundo o último Censo Agropecuário do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), existem 1,2 milhão de tratores em operação no Brasil, e o estado que possui a maior frota é o Rio Grande do Sul, conforme apresentado na figura 1.

Figura 1.
Distribuição dos 1,2 milhão de tratores no Brasil, por estado.

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Fonte: IBGE / Elaborado por: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Vale destacar que esses dados não diferenciam os tratores usados na pecuária e na agricultura, por isso, estados brasileiros com grande relevância em quantidade de cabeças de gado não figuram entre os cinco maiores.

Aliás, o maior uso de máquinas e implementos no país se dá pela agricultura, comparativamente à pecuária de corte e leite.

Na figura 2, abaixo, pode-se perceber o contraste entre a quantidade de cabeças de gado e a quantidade de tratores entre os dez maiores estados com maiores rebanhos bovinos do país.

Figura 2.
Rebanho bovino (eixo da esquerda) versus quantidade de tratores, por estado.

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Fonte: IBGE / Elaborado por: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Perceba que os estados do Sudeste e do Sul possuem as maiores frotas, contudo, os estados do Centro-Oeste, com maiores quantidades de bovinos, têm menos máquinas disponíveis.

Usando os números absolutos, em São Paulo, por exemplo, há um trator para 61 cabeças de gado, já em Mato Grosso, a relação sobe para 425. A média brasileira é de 173 cabeças de bovinos por trator.

Vendas de tratores

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dos 28,5 mil tratores vendidos de janeiro a outubro de 2019 no país, 19,7% foram destinados ao estado de São Paulo, 15,5% ao Rio Grande do Sul e 13,6% para o Paraná.

Houve queda no volume de vendas no ano passado, em relação a 2018. Considerando o acumulado do ano (janeiro a outubro), em 2019, foram vendidas 11,9% unidades a menos na comparação com o ano anterior.

Destacamos que nos primeiros meses de 2019, a retração nas vendas foi mais forte, porém, conforme os meses foram passando, houve uma recuperação e, no segundo semestre, as vendas aumentaram, por consequência da melhora da economia e também do setor agropecuário.

Ainda assim, apesar dessa melhora, em praticamente todos os meses do segundo semestre do ano passado, o volume foi menor que o vendido no mesmo período nos últimos três anos. Veja a figura 3.

Figura 3.
Evolução das vendas de tratores no Brasil desde 2019, em unidades.

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Fonte: ANFAVEA/Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Situação em outros países

O uso de maquinários agrícolas é grande em países com a economia rural desenvolvida, com sistemas de produção mais intensivos, e que fazem uso de tecnologia.

Segundo os últimos dados disponíveis, a China possui uma das maiores frotas de máquinas agrícolas do planeta, com mais de 4,70 milhões de tratores (CEIC). Ou seja, três vezes mais que no Brasil.

Além da China, outros países da Ásia também têm demanda elevada por máquinas e implementos agrícolas, tais como a Índia e o Vietnã, por exemplo, devido ao avanço da mecanização da agricultura.

Na América do Norte, os Estados Unidos têm papel importante no mercado de máquinas, desde a fabricação até o uso. Segundo dados do Censo norte-americano, existem 4,04 milhões de tratores no país.

Expectativas

As expectativas para os mercados de grãos e boi gordo são positivas para 2020, fato que pode incentivar novos investimentos nessas atividades, inclusive na mecanização.

É importante destacar que existem opções de financiamentos para esse tipo de investimento, e uma delas é o programa Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras), do Plano Safra, do Governo Federal.

Essa linha de financiamento está disponível para produtores rurais (pessoas físicas ou jurídicas) e cooperativas de produção.

No Plano Safra atual (2019/2020), a linha conta com recursos de R$ 9,6 bilhões e é voltada para o financiamento de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas.

Entre os bens novos, o produtor pode financiar, através do Moderfrota, a compra de:

  • Tratores e implementos associados;
  • Colheitadeiras e suas plataformas de corte;
  • Equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café;
  • Máquinas agrícolas autopropelidas para pulverização e adubação.

Entre os bens usados (com certificado de garantia emitido pelo concessionário autorizado) é possível financiar:

  • Tratores com idade máxima de 8 anos;
  • Colheitadeiras com idade máxima de 10 anos;
  • Máquinas agrícolas autopropelidas para pulverização e adubação, plantadeiras e semeadoras com idade máxima de 5 anos.

A participação do BNDES é de, no máximo, 85% do preço dos itens financiáveis.

A taxa de juros varia de 8,5% a 10,5%, dependendo da receita bruta da propriedade. Os prazos de pagamento variam de 4 a 7 anos, dependo se o maquinário é novo ou semiusado.

Os R$ 9,6 bilhões disponíveis no Plano Safra 2019/2020 não foram suficientes para atender toda a demanda por esse tipo de financiamento, e os recursos se esgotaram antes da finalização do ano safra.

Para o próximo Plano Safra, que deve ser divulgado em meados de junho até julho deste ano, o setor de máquinas e equipamentos pede maiores volumes de recursos para essa linha de financiamento.

O Moderfrota é um importante termômetro do setor agropecuário brasileiro, já que uma procura maior por esse tipo de linha de financiamento representa a intenção do produtor rural em modernizar sua frota e, consequentemente, aumentar sua produção.

Autora: Marina Zaia – médica-veterinária

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