Mato Grosso registra redução na emissão de gás metano

Estudo sobre emissão de gás metano por animal abatido apontou uma redução de 10,4% no comparativo entre os anos 2011 e 2021.

Com investimentos em ações voltadas para uma pecuária mais sustentável, o estado de Mato Grosso está produzindo mais carne, em menos tempo, emitindo menos gases de efeito estufa e sequestrando carbono nos pastos. É o que aponta um levantamento recente realizado pelo Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), com dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo o estudo, em 2021, o volume de gás metano emitido por animal abatido no estado foi de 121 kg, o que representa uma redução de 10,4% no comparativo com 2011, quando esse número era de 135 kg.  O cálculo de emissão de gás metano considerou a idade média de bovinos abatidos em 2011 e 2021. 

De acordo com o Imea, em 2011 o Estado de Mato Grosso abateu 4,8 milhões de animais e somente 5% deles tinham até 24 meses de idade. Já em 2021, foram abatidos 4,7 milhões de animais e 37% deles com até 24 meses de idade. Com a redução do tempo de produção, o volume de gás metano por unidade animal abatido também diminui.

Para o diretor técnico operacional do Imac, Bruno de Jesus Andrade, o principal fator que contribuiu para a redução da emissão do metano por animal abatido foi o aumento da produtividade da pecuária. “Houve maior uso de tecnologias, produtos e genética que fizeram nosso rebanho terminado ficar mais precoce e pesado”, afirma.  

Importância do manejo das pastagens

As boas práticas no manejo de pastagens também estão entre os fatores que contribuem na redução da idade de abate e consequente redução de gás metano. Segundo o diretor-técnico do Imac, as pastagens mais produtivas possuem maior capacidade de suporte e, assim, podem promover a produção de mais arrobas por hectare.

“Além de serem excelentes fontes de nutrientes, que poderão aumentar a produtividade dos animais, as pastagens bem manejadas com alta proporção de folhas poderão realizar o sequestro de carbono de forma mais eficiente. Essa ação, associada com a correta suplementação, encurta o tempo de engorda de bovinos”, explica Andrade.

Ao longo dos últimos anos, diversas tecnologias têm sido implantadas pelo setor produtivo da carne, como a recuperação de pastagens, os sistemas integrados, entre outras estratégias. Todas essas ações trazem ganho produtivo para as pastagens mato-grossenses.

 

A partir do cruzamento de dados sobre pastagem do Mapbiomas com os dados de produção e rebanho do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), o Imac identificou aumento de 28% no volume (kg) de carcaça produzido por hectare de pastagem. Em 2011, Mato Grosso produziu 49 kg de carcaça/hectare de pastagem e, no ano passado, esse volume subiu para 62,7. 

Mais produtividade com Integração Lavoura-Pecuária

A produção mato-grossense também apresentou bons resultados em relação à Integração Lavoura-Pecuária (ILP). De acordo com a Embrapa Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Silvicultura, o sistema de ILP em Mato Grosso passou de 1,1 milhão para 2,6 milhões de hectares entre os anos de 2013 e 2019.

O diretor-técnico do Imac destaca a importância dos investimentos na ILP, por se tratar de um sistema de produção que permite o aumento da produtividade pelo animal, reduzindo a emissão de metano por quilo de carcaça produzida.

“A implantação do sistema arbóreo, como em sistemas ILPF ou IPF, permite que a emissão de metano entérico pelos animais possa ser neutralizada pelo fuste das árvores, a depender da densidade de plantio das árvores e intensidade de produção de animais”, destaca Andrade.

Leia Mais: Pastagens recuperadas pelo Programa Agricultura de Baixo Carbono crescem 98% no segundo semestre de 2020

Investimentos para uma pecuária mais sustentável

O especialista também cita outros investimentos que influenciam na redução de gás metano, como produtos e aditivos utilizados na nutrição animal para melhor aproveitamento da dieta, melhoramento genético (seleção de animais com melhor Consumo Alimentar Residual – CAR) para a produção de menos metano por quilo de ganho de peso e melhoria das condições das pastagens para que possa acontecer o sequestro de carbono. 

Segundo Andrade, esses resultados ainda podem avançar no futuro, com a implantação de novas tecnologias que ainda estão em fase de pesquisa, mas que que prometem uma grande redução na emissão de metano entérico pelos animais. “São produtos e aditivos que deverão ser acrescentados à dieta animal. Acreditamos que em até dois anos já estarão disponíveis ao pecuarista”, diz ele. 

Plano ABC+ estimula redução de carbono

Para contribuir com uma agropecuária mais sustentável, o Governo Federal mantém, desde 2010, o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, chamado de Plano ABC. Ele foi criado para estabelecer compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Além da questão ambiental, o plano pode gerar impactos econômicos, ambientais e sociais.

Na primeira etapa, que foi até 2020, o plano superou as expectativas mitigando cerca de 170 milhões de toneladas de dióxido de carbono, 46,5% a mais que a meta estabelecida. Em novembro de 2021, foi lançada a segunda etapa do programa, o Plano ABC+. Algumas tecnologias foram mantidas, como a recuperação de pastagens degradadas, e novas metas e tecnologias foram apresentadas.

A nova versão estimula a regularização ambiental e o cumprimento do Código Florestal, promove o ordenamento territorial e a preservação da biodiversidade na propriedade, na região e nas bacias hidrográficas. Também foram incluídas novas tecnologias como bioinsumos, sistemas irrigados e a tecnologia de terminação intensiva de bovinos, que busca atingir 5 milhões de bovinos a partir de técnica de confinamento ou semiconfinamento.

O plano também trabalha a questão da plantação de florestas, prevendo uma expansão de 4 milhões de hectares para a recuperação de áreas ambientais e produção comercial de madeira, fibras, alimentos, bioenergia e produtos florestais não madeireiros.

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