Mercado de Crédito de Carbono dá sinais de avanço na agropecuária brasileira

As práticas com foco em sustentabilidade ganham espaço com projetos relevantes para o setor

O agronegócio brasileiro, importante ator da balança comercial, passa por uma intensificação sustentável. O setor, que cada vez mais se pauta pelas práticas ESG (Environmental, Social and Corporate Governance – Governança Ambiental, Social e Corporativa), está em constante busca por métodos e tecnologias que aumentem a produtividade e preservem o meio ambiente. A sociedade também está mais atenta e valorizando a jornada do alimento. Com essa visão, o agronegócio nacional começa a mirar o mercado de créditos de carbono.

O conceito de Crédito de Carbono surgiu durante o Protocolo de Quioto, em 1997, um tratado internacional com o objetivo de criar medidas que estimulassem a diminuição da emissão dos gases do efeito estufa, responsáveis por vários problemas ambientais e associados às mudanças climáticas. Os créditos representam a não emissão desses gases, podendo ser adquiridos por empresas com alto índice de emissão junto com empresas que apresentam índices reduzidos de emissão. Dessa forma, torna-se um mecanismo de flexibilização que ajuda os países a cumprirem suas metas de redução da emissão de gases poluentes.

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O Protocolo de Quioto venceu em 2011 e, desde então, não foi regulamentado um mercado de créditos que possibilite a compra e a venda de créditos de carbono da pecuária de forma simples

e eficiente, contou o professor Dante Pazzanese Lanna, da Universidade de São Paulo (USP). Ele considera essa dificuldade de comercialização o principal obstáculo a ser vencido. “A organização da comercialização dos créditos da pecuária ainda é muito difícil”, lamenta o professor. Para ele, esse mercado ainda precisará de negociações e aportes financeiros do governo.

O professor acredita que os países da Europa precisam cooperar mais para que o mercado de crédito de carbono seja realmente viável, pois o Brasil possui mais ações de preservação que os países europeus, segundo ele. Lanna vê com otimismo a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), que ocorrerá no dia 12 de novembro, em Glasgow, no Reino unido. O encontro reunirá representantes de aproximadamente 200 países. “Há um certo otimismo para o evento, embora saibamos que as negociações serão difíceis”.

Outro ponto a ser aprimorado é a forma de mensuração dos créditos de carbono na pecuária, já que falta um sistema que permita auditar e medir de forma eficiente quantas toneladas de carbono o produtor deixou de emitir, explica o professor.

Lanna faz parte do quadro docente da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (ESALQ) da USP, e liderou a criação de um software que, entre outras funções, avalia as formulações de rações para gado de corte e leite. Chamado de Ração de Lucro Máximo (RLM), o sistema permite calcular dietas que produzam menos gases de efeito estufa (GEE) por quilo de carne produzida.

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Iniciativas que já começaram

Buscando formas mais eficientes de mensurar os créditos de carbono, a PRODAP, empresa especializada em oferecer tecnologias para o agronegócio, em parceria com a CEPTIS Agro, empresa brasileira que detém os direitos da tecnologia suíça no setor de certificação segura e rastreabilidade, prepara-se para certificar a sustentabilidade e comercializar crédito de carbono de seus clientes.

 A empresa está se estruturando e elaborando um protocolo de sustentabilidade seguro, unindo a tecnologia PRODAP Views e TrustScore®, de acordo com Rafael Mendes, diretor de Novos Negócios da PRODAP. Ele explica que a empresa possui uma estrutura para realizar a emissão do selo de sustentabilidade, pois uma das competências necessárias é a capacidade de fazer o rastreamento dos dados da fazenda. “A PRODAP já possui tecnologias que fazem rastreabilidade segura e que capturam dados e informações como quantidades de animais, localização, se há comida necessária, se o pasto está manejado de forma adequada, se a água consumida é de qualidade, entre outros, em tempo real. Somando suas tecnologias à tecnologia de MRV (Monitoring Reporting and Verification) da CEPTIS Agro, nossa parceira, nos permite mensurar a sustentabilidade da cadeia produtiva de pecuária de corte. Esse foi um dos motivos de criarmos uma aliança estratégica com a CEPTIS Agro e que nos permitirá emitir o selo de sustentabilidade”, afirma.

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Já há empresas interessadas em compensar as emissões de gases do efeito estufa, mas que ainda não sabem como proceder. Mendes explica o objetivo da PRODAP: “Nossa proposta é continuar criando soluções inteligentes e assertivas para o mercado. E, a partir da união das duas tecnologias, PRODAP Views e TrustScore, será possível fazer a mensuração da sustentabilidade, do sequestro de carbono ou neutralização de carbono dos produtores. Dessa forma, conseguiremos rastrear a cadeia de maneira segura, certificando e rastreando a originação animal para frigoríficos e garantindo os compliances socioambientais, econômicos e de bem-estar animal das propriedades”.

O mercado de crédito de carbono está em desenvolvimento no país, e não há dúvidas do seu potencial promissor. Entretanto, precisa ser aprimorado para que o meio ambiente e os produtores possam usufruir dos seus benefícios.

Vamos continuar acompanhando as novidades desse setor tão importante para a economia não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Fique com a gente!

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