Mercado do boi: demanda x oferta

Em meio à quarentena, a atenção no mercado do boi se volta para a oferta.

Em maio, o mercado do boi gordo pode apresentar queda de preços mais acentuada do que a registrada em abril. Isso porque, além da quarentena ainda estar em vigor em diversas regiões, a oferta de boiadas deve ser maior, com menor capacidade de suporte das pastagens.

Ou seja, para as próximas semanas, a atenção se volta para a oferta de boiadas, tendo em vista que não se espera melhora significativa do consumo no mercado doméstico.

Mercado interno

Ao longo de abril, mesmo com os feriados (10/04 e 21/04) e uma oferta comedida de boiadas, o consumo não decolou.

Aliás, a demanda interna manteve o mercado sem força para altas, mesmo com o bom volume de carne bovina sendo exportada.

Com isso, o preço da arroba caiu na maioria das regiões brasileiras. Das 32 praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria, a cotação recuou em 84,4%.

Em abril, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), foi de 95,6 pontos, queda de 4,2% na comparação com o mês anterior. Esse é o menor patamar desde novembro de 2019.

A queda do indicador é um reflexo dos impactos do novo coronavírus no mercado interno.

De olho na oferta

Com a tendência de que o consumo siga patinando nas próximas semanas, a atenção dos agentes de mercado se volta para a oferta de boiadas.

Com a entrada da época “seca” do ano, as pastagens vêm perdendo capacidade de suporte e, com a senescência do pasto, a oferta deve aumentar nas próximas semanas, o que pode colaborar com preços frouxos no mercado do boi.

Mercado externo

Com o escoamento no mercado interno sendo insuficiente, a demanda externa tem sido cada vez mais importante para, ao menos, limitar as desvalorizações no mercado do boi gordo.

Neste ano, até o momento, janeiro e março foram meses com exportação recorde de carne bovina e, apesar de fevereiro não ter sido recorde em relação ao mesmo mês em anos anteriores, o desempenho foi bom (o quarto melhor volume embarcado para a época).

Já em abril, na média diária das quatro semanas do mês, o Brasil embarcou, em média, 6,03 mil toneladas de carne bovina in natura. Alta de 12,1% na comparação com abril de 2019.

Caso esse ritmo continue, o país deverá exportar cerca de 120,62 mil toneladas, o que será recorde para o mês. Com o dólar em patamar historicamente alto, a tendência é de que as exportações sigam em bom ritmo.

Oportunidades

Tradicionalmente, o Dia das Mães é uma data cujas vendas de carne têm bom desempenho.

Apesar do período de quarentena ainda estar em vigor, é possível que tenhamos um aumento de consumo na primeira quinzena de maio, puxado, também, pelo recebimento dos salários da população. Entretanto, esse movimento deve ser limitado, devido aos impactos da pandemia do novo coronavírus.

Portanto, para o pecuarista que pretende/precisa negociar em maio, a sugestão é que fique atento ao mercado na primeira quinzena do mês, período em que devemos ter um consumo maior em relação à segunda metade de maio.

Por fim, para o chamado boi “China”, a demanda deve seguir boa, uma vez que o surto da Covid-19 no país asiático vem diminuindo. Com isso, o preço para essa categoria deve seguir bem acima do boi “Brasil”.

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