Mercado do boi gordo calmo

Oferta de boiadas aumenta compassadamente, mas exportações em bom ritmo mantêm preços do boi gordo equilibrados.

Oferta e demanda estão relativamente equilibradas no mercado do boi gordo, considerando um cenário geral das praças.

Para demonstrar tal cenário, nos últimos trinta dias, na média das trinta e duas praças pesquisadas pela Scot Consultoria, houve estabilidade para o boi gordo. Em São Paulo, houve recuo de 0,6%. Veja a figura 1.

Figura 1.
Evolução do preço do boi gordo em São Paulo, em R$/@, à vista, livre de imposto.

Fonte: Scot Consultoria

A oferta de boiadas aumentou um pouco nas últimas semanas com a seca se somando às geadas em algumas regiões. Isso afeta a qualidade das pastagens e, consequentemente, estimula a venda de gado.

Como já estamos na entressafra, o gado “retido” não é muito, o que limitou o volume de gado oriundo de pastagens e o efeito sobre o mercado dessa venda em função das geadas.

Por outro lado, gradativamente aumenta a venda de boiadas de confinamento, movimento que tende a continuar até outubro e novembro, meses nos quais normalmente é observado o maior volume de gado de cocho.

As programações dos frigoríficos, em geral, estão confortáveis, mas não são suficientes para que ocorra uma pressão de baixa mais relevante.

No mercado de reposição, à medida que a seca avança, a possibilidade de retenção do gado pelos vendedores diminui, abrindo espaço para ajustes negativos, mesmo sem que a oferta, de maneira geral, esteja grande.

Em trinta dias, considerando a média de todas as categorias de machos anelorados e praças pesquisadas pela Scot Consultoria, houve recuo de 2,4%.

Demanda

No mercado interno, a demanda geral segue calma, com as oscilações relacionadas ao período de pagamento de salários, com a primeira e segunda quinzenas de cada mês. Nessa última semana, com a demanda da segunda metade do mês, houve recuo de 0,6% para os cortes de carne bovina no atacado.

Paralelamente a tais oscilações do escoamento “dentro do mês”, as projeções para o crescimento da economia têm melhorado. O relatório Focus, do Banco Central, divulgado em 19/7, trouxe o décimo terceiro aumento consecutivo para a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano.

Tal projeção está em 5,3%, fator positivo para o escoamento de carne, o que se soma à sazonalidade do consumo, que é melhor na metade final do ano.

No mercado internacional, até a terceira semana de julho, as exportações de carne bovina in natura tiveram média diária de 7,44 mil toneladas, acréscimo de 1% na comparação com o mesmo mês de 2020, que teve média de 7,36 mil toneladas (Secex).

O preço médio da carne bovina embarcada no intervalo foi de US$5,39 mil por tonelada, aumento de 32,1%, frente à cotação média em julho de 2020, que foi de US$4,08 mil por tonelada (Secex). Veja a figura 2.

Figura 2.
Variações das exportações de carne bovina in natura (médias diárias), até a terceira semana de julho, em comparação com o mesmo mês de 2020.

Fonte: Secex / Scot Consultoria

Com o aumento forte do preço, a receita média diária subiu 33,5% na comparação anual, passando de US$30,04 milhões, em julho do ano passado, para US$40,1 milhões na parcial de julho de 2021 (Secex). 

Expectativas

A disponibilidade de gado deve seguir crescente, principalmente de gado oriundo de confinamento. Os maiores volumes de gado vindo do cocho ainda não são esperados para agosto, mas tal oferta merece ser acompanhada.

No mercado internacional, o patamar do dólar está mais atrativo do que há algumas semanas, e devemos seguir com bons volumes.

Para fechar o cenário, o escoamento melhor da segunda metade do ano deve ajudar a manter preços sustentados para o boi gordo. Momentos de pontual pressão de baixa não estão descartados, mas, se ocorrerem recuos, não esperamos movimentos fortes.

Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.
Scot Consultoria

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