Mercado do boi gordo estável em janeiro e exportação de carne bovina em alta

A oferta de gado terminado escassa, somada ao consumo fraco de carne bovina no mercado interno e às exportações em bom ritmo, vem equilibrando o mercado do boi gordo.

A primeira semana do ano iniciou com cotações em alta para o gado gordo, em função da menor oferta de animais terminados aliada ao maior ímpeto dos frigoríficos nas compras.

Em São Paulo, a arroba do boi gordo valorizou R$ 12,00 na primeira quinzena.

Já na segunda quinzena, as indústrias frigoríficas encontraram certo equilíbrio nas compras, por conta da menor demanda no mercado interno pela carne bovina, típica do primeiro mês do ano, e da oferta enxuta de gado terminado na região.

Em regiões em que a oferta de animais terminados é maior, os preços foram ajustados conforme as escalas de abate ficaram confortáveis. Cabe ressaltar que, nas praças onde há indústrias exportadoras, os preços ficaram mais firmes.  

O ágio para animais jovens destinados à exportação variou de R$ 10,00 a R$ 15,00 por arroba ao longo do mês na praça paulista.

Figura 1.
Evolução dos preços do boi gordo em São Paulo nos últimos 60 dias, em R$/@, a prazo, livre de impostos.

Fonte: Scot Consultoria

O consumo de carne bovina foi menor em janeiro, comportamento comum de início de ano, o que foi agravado pela economia brasileira ainda afetada pela pandemia e o elevado preço da carne bovina no mercado varejista.
 
As exportações impulsionaram as cotações dos cortes de dianteiro no mercado atacadista, que tiveram aumento de 3,2% em janeiro, frente à média de dezembro. A variação nos cortes de traseiro caiu 5,8% na mesma comparação, em grande parte visando o maior consumo de carne no mercado interno.

Com as exportações em bom ritmo, os cortes de dianteiro devem permanecer com preços firmes. Já para os cortes de traseiro, mais demandados no mercado interno que no externo, podem ocorrer quedas nas cotações com o intuito de melhorar o escoamento.

Exportação de carne bovina em bom ritmo

O Brasil exportou, em 2021, 1,56 milhão de toneladas, quantidade 9,5% menor quando comparada à de 2020, volume impactado pela suspensão de vendas de carne bovina para a China por 103 dias.

A China foi o principal importador de carne bovina in natura do Brasil, sendo destino de 49% do volume embarcado. Por conta da suspensão, a quantidade exportada ao país foi 3,3% menor comparada à quantidade exportada em 2020. Os outros destinos da carne bovina brasileira foram Hong Kong, respondendo por 7,4% das exportações; Chile, com 7,1%, e Estados Unidos, com 5,8%. 

Até a terceira semana de janeiro, o volume médio diário exportado foi de 7,16 mil toneladas, aumento de 33,5% na comparação com janeiro passado. No acumulado de janeiro, já foram exportadas 107,46 mil toneladas, frente às 107,32 mil toneladas exportadas em todo mês de janeiro de 2020.

Com o bom ritmo, a expectativa é que a quantidade exportada em janeiro supere o recorde histórico para o mês, quando foram embarcadas 117 mil toneladas em 2020.

A expectativa para fevereiro é que as exportações sigam em bom ritmo, mas o feriado do Ano-Novo Chinês pode frear momentaneamente os embarques para o nosso maior cliente.

Mercado de reposição

O mercado de reposição se manteve firme durante janeiro, com as chuvas aumentando a capacidade de suporte das pastagens em boa parte das regiões brasileiras.

A região sul do país sofreu com a estiagem entre dezembro e janeiro, efeito do fenômeno climático La Niña, que afetou a capacidade de suporte e a qualidade nutricional das pastagens, impactando negativamente as negociações na região.

As exportações em bom ritmo aumentaram o interesse dos compradores nos animais de reposição, mantendo as variações das cotações de todas as categorias positivas para janeiro.

O destaque se manteve para os preços dos bezerros e bezerras desmamados e de 12 meses, as categorias que mais valorizaram em janeiro, conforme figura 2.

Figura 2.
Variações dos preços médios das categorias de bovinos anelorados em janeiro frente a dezembro nas praças monitoradas pela Scot Consultoria.

Fonte: Scot Consultoria

Expectativas para o mercado do boi e reposição em fevereiro

Para o curto prazo, a tendência é que a demanda por animais de até 30 meses, aptos à exportação para a China, se mantenha elevada por conta da boa demanda chinesa. Por outro lado, a produção voltada ao mercado interno deve trabalhar menos pressionada, e queda nas cotações não estão descartadas devido ao aumento da oferta de gado terminado em pasto em fevereiro.

A expectativa para fevereiro é que o consumo interno de carne bovina melhore sutilmente com o recebimento dos salários e a retomada do período escolar, ainda que a economia brasileira siga fragilizada.

Para os animais de reposição, o cenário colabora para que os preços continuem firmes e a demanda permaneça aquecida no primeiro trimestre de 2022, com as pastagens em bom estado e condições climáticas auxiliando no aumento da capacidade de suporte em boa parte do país.

Raphael Poiani – zootecnista
Scot Consultoria

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