Tendências para o mercado do boi gordo na primeira quinzena de fevereiro

Apesar da maior oferta de boiadas (safra), com as pastagens em boas condições, o pecuarista consegue reter os animais nos pastos para negociar preços melhores.

Tendências para o mercado do boi gordo na primeira quinzena de fevereiro

Passadas as primeiras semanas do ano, o mercado do boi gordo se comporta conforme o esperado, com as indústrias tendo dificuldade para escoar a produção, devido à redução de consumo por parte da população.

A menor demanda fez com que os preços da carne bovina com osso recuassem já na primeira quinzena do ano, ou seja, sinal de alerta para os produtores.

Do lado da oferta, fevereiro é um mês, normalmente, com maior disponibilidade de animais terminados, em relação à janeiro, uma vez que os produtores já estão ativos no mercado e há maior oferta de boiadas de pasto.

Por outro lado, a maior capacidade das pastagens reduz o custo de produção e dá maior poder de barganha aos pecuaristas, que podem reter as boiadas no pasto aguardando preços melhores. Nesse caso, o pecuarista deve sempre levar em conta o custo-benefício de reter a boiada nos pastos ou vender o estoque.

Esse cenário de aumento da oferta e da possibilidade de retenção de boiadas pelo pecuarista mantém o mercado morno, com baixa movimentação. Porém, apesar de fevereiro não ser um mês de destaque dentro da sazonalidade, vale o pecuarista ficar atento às tendências e às oportunidades do mercado.

Se o primeiro mês do ano é marcado pela queda de preço (tanto da arroba quanto da carne bovina), historicamente, no mês seguinte há uma leve recuperação das cotações, mesmo com a maior oferta de gado terminado.

Isso ocorre porque em janeiro a população está mais endividada devido à maior quantidade de contas a pagar (IPVA, IPTU, material escolar etc.), o que reflete diretamente no consumo de carnes.

Figura 1
Variação percentual da cotação da arroba do boi gordo ao longo de fevereiro, entre os anos de 2006 a 2018, considerando a praça de Araçatuba-SP.

Figura 1 - Variação percentual da cotação da arroba do boi gordo ao longo de fevereiro, entre 2006 e 2018
Fonte: Scot Consultoria

Observe na figura 1 que, considerando o mês de fevereiro dos últimos treze anos, a cotação não subiu apenas em quatro oportunidades (2009, 2012 e 2017 e, em 2015, a cotação ficou estável).

Expectativas

Além da demanda, que sazonalmente melhora em fevereiro em relação à janeiro, a economia está caminhando a passos cada vez mais largos.

Segundo o boletim Focus (14/1), do Banco Central, a expectativa é de que, em 2019, o PIB seja de 2,57%, apesar de ser um resultado modesto e aquém das possibilidades brasileiras. Esse, se consolidado, será o melhor resultado dos últimos cinco anos e o terceiro melhor da década.

Outro ponto importante, que vale destacar, é que, caso haja de fato valorização em fevereiro, é provável que esse movimento ocorra na primeira quinzena, devido à demanda sazonalmente maior nesse período do mês.

Portanto, para o pecuarista que precisa ou planeja vender ao menos parte da boiada no mês em questão, a sugestão é que acompanhe o mercado nos primeiros quinze dias do mês, lembrando que o produtor deve sempre levar em consideração não apenas o preço da arroba, mas também o custo de produção, ou seja, o pecuarista tem de contar com a margem e não olhar apenas para o preço da arroba.

Autor: Felippe Reis – Zootecnista.

 

Clique e leia a matéria completa

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*