Mercado do boi gordo e as oportunidades nas férias

Sazonalmente, o mercado do boi gordo perde força no início do ano. Contudo, podem aparecer oportunidades para o pecuarista.

mercado do boi gordo em janeiro

Após a forte valorização da arroba do boi gordo (assim como da carne bovina), em novembro do ano passado, no último mês de 2019, o mercado do boi gordo trabalhou tentando encontrar o ponto de equilíbrio para as cotações.

No início da segunda quinzena de dezembro, com boa parte das indústrias com as programações de abate escaladas até o fim da primeira semana de janeiro, e com parte dos vendedores já fora dos negócios devido ao período de festas, o mercado do boi gordo perdeu movimentação e as oscilações de preço diminuíram.

Para janeiro/20, espera-se um comportamento típico, que é de volume de negócios reduzido e baixa variação nos preços.

Entretanto, o mercado pode trazer oportunidades de negócios, e estar atento pode fazer a diferença no bolso do produtor. Aqui abordaremos algumas possibilidades e cuidados que o pecuarista deve ter neste início de ano.

Ciclo pecuário e oferta de boiadas

O mercado do boi gordo vive de ciclos. Ciclo de alta de preços, ciclo de baixa de preços. Atualmente, as cotações estão em alta, devido à oferta limitada de boiadas e à demanda crescente.

A expectativa é que, em 2020, a disponibilidade de gado não seja abundante, o que deve colaborar para preços firmes ao longo do ano, podendo, já logo no início de 2020, este ser um fator limitante para pressionar a baixa de preços.

Estoques enxutos

Reabastecer os estoques foi tarefa difícil para os frigoríficos no último bimestre de 2019, sobretudo em novembro, quando a oferta reduzida de boiadas (entressafra) e a exportação em alta, resultaram em disparada dos preços. Naquele mês, em algumas regiões, a cotação do boi subiu cerca de R$ 60,00/@, como foi o caso de São Paulo, por exemplo.

Com isso, é possível que algumas indústrias iniciem 2020 com os estoques reduzidos, fazendo com que esses frigoríficos saiam às compras com mais afinco, para compor os estoques a fim de atender à demanda de início de ano.

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Demanda interna fraca

Por outro lado, sazonalmente, o início do ano é um período de queda nas vendas no mercado interno, já que a população está endividada devido ao pagamento de impostos, materiais escolares e outros gastos.

O lento escoamento no mercado interno diminui a necessidade dos frigoríficos em ofertar preços maiores pelo boi, permitindo, inclusive, que os compradores pressionem o mercado.

Safra do boi

O maior volume de chuvas no período (verão) colabora com a terminação de mais bovinos de pasto, o que resulta em maior oferta de animais no mercado e preços mais frouxos em relação ao trimestre anterior.

Expectativas e oportunidades para o mercado do boi gordo

Normalmente, no início do ano, a baixa demanda interna abala a sustentação do mercado, colaborando para a baixa nos preços.

Entretanto, parte dos pecuaristas, ainda em férias, ficam fora dos negócios nos primeiros dias do ano, o que limita a queda de preços.

Vale chamar a atenção para o período de oferta de animais. Isso porque o volume de animais de confinamento em janeiro tende a ser menor em relação aos meses anteriores.

Além disso, a demanda da China, que tem comprado bons volumes de carne bovina do Brasil, ainda que restrita a animais abatidos com até 30 meses de idade, pode dar certa sustentação às cotações dos animais que atendam às exigências requeridas pelo gigante asiático.

Portanto, apesar da tendência de mercado frouxo no início do ano, podem aparecer oportunidades para os produtores que possuem animais terminados jovens, com menos de 30 meses, dependendo do apetite do chinês.

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Autor: Felippe Reis, zootecnista

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