Mercado do boi gordo segue pressionado

Demanda por carne bovina deve melhorar com o final de ano, mas no momento a oferta de confinamento ainda pressiona.

Desde os casos de vaca louca atípicos e a suspensão da produção de carne para exportação à China, o mercado do boi gordo tem trabalhado em queda.

As incertezas e a manutenção da suspensão chinesa geraram um movimento de retenção de boiadas de confinamento, mas com os custos da alimentação no cocho em alta, essa estratégia é limitada a poucas semanas.

O cenário de oferta confortável de boiadas, com frigoríficos segurando o ritmo de abates, pela indefinição das exportações, gerou desvalorizações para o boi gordo, que já trabalha nas mínimas do ano, como pode ser visto na Figura 1.    

Figura 1
Evolução dos preços do boi gordo em São Paulo desde o início de 2021, em R$/@, à vista, livre de imposto.

Fonte: Scot Consultoria

A desvalorização do boi gordo ocorreu associada a um ritmo menor de abates, o que limitou a oferta de carne no mercado doméstico. Com isso, os preços de venda da carne e outros produtos do abate cederam menos que os de compra do boi gordo.

Como exemplo, o Indicador Scot Carcaça, que apura a receita com a venda de todos os produtos do abate no mercado atacadista de São Paulo, sem realização da desossa (venda das carcaças), recuou 7,3% em trinta dias, enquanto o boi gordo cedeu 11,5% no mesmo intervalo. Em doze meses, houve um aumento de 4,6% na receita apurada por esse indicador, enquanto o boi gordo recuou 3,7%.

Quando avaliamos a receita de um frigorífico que realiza a desossa, temos um cenário de melhoria ainda mais expressiva. Enquanto o boi gordo cedeu 11,5% nos últimos trinta dias, a receita de um frigorífico que trabalha com mercado doméstico e vende cortes, além dos demais produtos do abate, caiu apenas 0,5%. Em doze meses, enquanto o boi gordo cedeu 3,7%, a receita desse tipo de indústria aumentou 15,6%.

Ou seja, o cenário de suspensão das exportações ampliou a margem de comercialização dos frigoríficos que trabalham com o mercado doméstico, o que ajuda a manter um patamar de abates e vai “digerindo” essa oferta de gado de confinamento. De toda forma, o momento ainda é de pressão de baixa e atenções voltadas a qualquer notícia relacionada à China.

Mercado de reposição

Enquanto os preços do boi gordo sentiram mais fortemente os efeitos do momento atual, as categorias de reposição tiveram desvalorizações mais sutis.

O cenário de incerteza para o boi gordo esfriou a demanda por categorias jovens, mas os vendedores não estão muito maleáveis nas negociações, limitando os recuos de preços. A volta das chuvas, melhorando a capacidade de suporte das pastagens, também aumenta o poder de negociação dos vendedores, diminuindo a necessidade de venda.

A Figura 2 mostra as variações dos preços nos últimos trinta dias. 

Figura 2
Variações dos preços das categorias de bovinos nos últimos trinta dias em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Expectativas

Para o curto prazo, a tendência é um aumento gradativo da demanda como efeito das contratações temporárias e décimos terceiros salários; entretanto, como ainda há gado oriundo de confinamento para chegar ao mercado, devemos seguir com um cenário mais frouxo de preços.

Passado esse momento de ajuste, com a saída dos animais de confinamento, e quando a oferta estiver dependente do gado de pastagens, com a possibilidade de o pecuarista reter os animais, o cenário deve ganhar firmeza.

E, claro, qualquer confirmação de volta da China às compras tem bom potencial para mudar positivamente esse cenário descrito.

Hyberville Neto – médico veterinário, msc.
Scot Consultoria

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