Mercado do boi gordo segue pressionado

Apesar de bons números da exportação, escalas confortáveis mantêm o mercado do boi gordo pressionado.

Com a oferta de gado para abate crescente desde julho, o mercado do boi gordo está pressionado. No decorrer do mês de agosto, a estratégia das indústrias de alongarem as escalas mantendo preços deu lugar à pressão de baixa pelos compradores.

A oferta crescente de boiadas oriundas de confinamento subsidia essa estratégia. Nos últimos trinta dias, a desvalorização observada para o boi gordo foi de 1,6%, tomando São Paulo como referência. Apesar de ocorrerem de maneira generalizada, a magnitude dos recuos não está tão forte.

A seca ocorre todos os anos, mas em 2021 está especialmente intensa em diversas regiões, o que limita ainda mais a capacidade de suporte das pastagens, já tímida no período.

Com isso, os vendedores das categorias mais jovens acabam pressionados para vender enquanto os compradores, vendo o mercado do boi gordo mais frouxo e sem pastagem sobrando, reduzem a demanda. Isso gerou desvalorizações, em geral, maiores para a reposição do que para os animais terminados, como mostra a figura 1.

Figura 1.
Variações de preços nos últimos trinta dias considerando São Paulo como referência. 

Fonte: Scot Consultoria

Expectativa para o confinamento

Em agosto, o IMEA (Instituto Mato-Grossense De Economia Agropecuária) divulgou a o segundo levantamento de intenções de confinamento no estado. A expectativa é de 7,6% de aumento no volume de gado confinado, na comparação com o último levantamento feito para 2020.

Segundo o IMEA, a intenção atual de confinamento em Mato Grosso está em 884,9 mil cabeças, frente a 822,6 mil cabeças confinadas em 2020. Segundo o mesmo relatório, a expectativa é que haja volume maior de vendas em setembro, em relação a agosto, depois de praticamente manter a quantidade mensal ofertada entre setembro e dezembro.

Embora seja uma informação importante, o maior volume de gado confinado entre setembro e dezembro não é novidade, e as atenções devem ficar com a demanda.

Demanda: consumo doméstico e exportações

A entrada de setembro, com o pagamento dos salários, tende a ajudar no escoamento, paralelamente à melhoria dos números da pandemia devido à vacinação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 31 de agosto os dados da taxa de desemprego no segundo trimestre. O resultado foi de 14,1% e demonstra avanço em comparação com os dados do primeiro trimestre, cujo valor foi de 14,7%. Ainda é uma taxa elevada, mas é uma sinalização positiva para o escoamento.

A isso se soma a sazonalidade, que tem na reta final do ano o período de melhor escoamento.

No mercado externo, os números referentes às exportações brasileiras seguem positivos. Considerando a carne bovina in natura, até a terceira semana de agosto, a média diária embarcada foi 11,9% maior que a do mesmo mês de 2020, com preço médio em dólares 41,3% superior e faturamento médio diário 58,1% acima do observado em agosto de 2020 (Secex).    

Virada de mês e feriado

O começo de mês colabora com as vendas, mas o cenário de programações confortáveis de abate em parcela importante dos frigoríficos tende a manter a pressão de baixa.

O feriado do dia 7 de setembro pode ajudar no escoamento, como normalmente ocorre em feriados. Além disso, eventuais paralisações de transportes relacionadas às manifestações programadas podem afetar o mercado e são um ponto a ser acompanhado. 

Em médio prazo, com exportações em bom ritmo e demanda doméstica melhorando, com maior movimentação econômica, não esperamos que essa pressão de baixa atual resulte em ajustes expressivos.

Hyberville Neto – médico-veterinário, msc.
Scot Consultoria

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