Mercado do boi na entressafra

Incremento na oferta de animais terminados em pasto encorpou a pressão de baixa.

Em meio a um incremento no abate de bovinos no primeiro trimestre, a entrada da época “seca” do ano, com as pastagens perdendo capacidade de suporte e uma maior oferta de animais terminados em pasto, colaborou com preços frouxos no mercado do boi gordo.

Além disso, as quedas de temperaturas mais bruscas na reta final de maio abriram espaço para que a pressão de baixa ganhasse força, uma vez que as escalas de abate confortáveis dos frigoríficos permitem esse quadro.

Tomando como referência as praças paulistas, somente em maio, a cotação do boi gordo recuou R$13,00/@.

De olho no boi gordo e boi magro

Na mesma toada seguiu o mercado da reposição. Destaque para o boi magro, categoria de maior peso no período de entressafra para o giro rápido dos confinamentos, que recuou 1,7% no período.

Esse cenário de preços mais frouxos para o boi gordo frente ao boi magro piorou a relação de troca para o pecuarista que fez a compra no período. Veja na figura 1.

Figura 1.
Arrobas de boi gordo (19@) necessárias para aquisição de um boi magro (12,5@), em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

No entanto, apesar da piora na relação de troca na comparação mensal, o poder de compra do pecuarista em relação ao mesmo período do ano passado está 6,1% mais favorável.

Nesse sentido, a atratividade para o confinamento estaria melhor, mas os custos de produção para o pecuarista que deseja confinar no período de entressafra subiram.

Concentrados

De olho nos custos com alimentação, trouxemos a variação de preços dos principais insumos utilizados nos confinamentos nos últimos 24 e 12 meses.

Figura 2.
Variação dos preços dos alimentos concentrados em doze e vinte e quatro meses, em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Em doze meses, observamos recuos de alguns dos principais alimentos, entre eles o milho, com recuo de 16%, o DDG, de 3%, e o farelo de algodão com 28% e 38% de PB com quedas, respectivamente, de 20% e 28%.

Apesar desse cenário, as quedas não são suficientes para devolver as altas nos últimos dois anos, algo que é puxado, sobretudo, pelo setor aquecido de nutrição animal e exportação em bom ritmo.

Assim, o pecuarista viu os custos de diária dos confinamentos aumentarem. Veja na figura 3. 

Figura 3.
Avanço no custo médio de diária de confinamentos, em São Paulo.

Fonte: ICBC/Scot Consultoria

Expectativas

A expectativa é de que o pico de final de safra tenha ficado para trás e a tendência é que uma lacuna na oferta de gado terminado pese a partir de junho, o que deve dar fôlego às cotações do boi gordo.

Nesse caso, a expectativa é que a pressão de baixa cesse no segundo semestre, período historicamente de maior firmeza nas cotações. Veja na figura 4.

Figura 4.
Variação mensal da arroba do boi gordo, ano a ano. Base 100=janeiro.

Fonte: Scot Consultoria

É preciso atenção às paralisações de importantes plantas frigoríficas exportadoras, ocorridas no fim de maio, que podem intensificar a oferta de animais terminados que seriam destinados ao mercado externo e dar sustentação ao cenário de pressão de baixa por mais tempo.

Apesar da atual conjuntura demandar atenção, esse cenário de preços mais frouxos traz oportunidades interessantes para o pecuarista que pretende comprar nos próximos dias.

Do lado do confinador, embora a expectativa seja de um ano desafiador quanto aos altos custos de produção pela frente, o boi magro, responsável por aproximadamente 70% do custo total do sistema, está com preços ligeiramente melhores hoje, o que pode abrir oportunidades em curto prazo.

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