Mercado do leite: de olho nos custos de produção e na demanda interna

Dificuldade de escoamento fez o preço do leite cair no primeiro trimestre do ano. Melhora da demanda será fundamental para a evolução dos preços.

* Estimativa Fonte: Scot Consultoria

O preço do leite pago ao produtor caiu no primeiro trimestre de 2021. Mesmo com a produção em queda nas principais bacias leiteiras do país, a demanda interna patinando na ponta final da cadeia teve um peso maior.

Destacamos o fim do auxílio emergencial, em dezembro/2020, que impactou negativamente a demanda por leite e derivados no país nos primeiros meses de 2021.

Lembrando que o começo de ano já é um período em que o consumo de lácteos é sazonalmente mais fraco, em função das férias, pós-festas de fim de ano, contas a pagar etc., e, neste ano, além do fim do auxílio emergencial e das questões sazonais, temos o desemprego e a queda na renda da população impactando negativamente o consumo doméstico.

Nesse sentido, a retomada do auxílio emergencial em abril/2021 traz expectativas positivas com relação à demanda no país, mas também não são esperados grandes incrementos no consumo, o que mantém a cautela.

De volta aos preços do leite ao produtor, considerando a média ponderada dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, desde o início do ano, a queda acumulada é de 5% para o produtor, mas, ainda assim, a referência está 34,4% acima na comparação com o mesmo período do ano passado. Veja a figura 1.

Figura 1.
Preços do leite pagos ao produtor, média ponderada de dezoito estados, em R$ por litro, sem o frete.

* Estimativa
Fonte: Scot Consultoria

Apesar dos preços em patamares mais altos na comparação anual, os custos de produção da atividade subiram 33,8% na comparação com 2020, o que mantém as margens da atividade apertadas e exige cautela e planejamento do produtor.

Dentre os insumos, o milho (+84,0%), os farelos (+55,1%) e os fertilizantes (+78,7%) tiveram os maiores aumentos nos preços, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Expectativas para os curtos e médios prazos

A produção de leite caindo com mais força no Brasil Central e no Centro-Sul do país somada à expectativa de melhora no escoamento no mercado interno, com a retomada do pagamento do auxílio emergencial, deverão dar sustentação aos preços no mercado de leite e derivados em curto e médio prazos.

Para o pagamento a ser realizado em abril/2021 (produção entregue em março/2021), segundo os laticínios pesquisados pela Scot Consultoria, 46% das indústrias acreditam em estabilidade no preço pago ao produtor, 30% falam em queda e 24% estimam alta.

Ou seja, o viés é de manutenção, mas algumas indústrias, com dificuldade de escoamento, poderão reduzir o preço ao produtor, assim como algumas indústrias já falam em aumento no preço do leite.

Para o pagamento a ser realizado em maio/2021 (produção entregue em abril/2021), se a demanda interna responder ao auxílio emergencial, considerando a entressafra no Brasil Central e no Centro-Sul, a expectativa é de alta ao produtor, segundo a maioria das empresas consultadas nessas regiões.

No mercado spot, que diz respeito ao leite comercializado entre as indústrias, os preços subiram nas duas quinzenas de março, mas caíram na primeira metade de abril, evidenciando ainda uma dificuldade de escoamento.

No mercado atacadista, considerando a média de todos os produtos pesquisados, os preços ficaram praticamente estáveis a ligeiras altas na primeira quinzena de abril, frente à quinzena anterior. Apesar da menor oferta de matéria-prima para as indústrias, as dificuldades nas vendas e a pressão do varejo impediram reajustes maiores nos preços dos lácteos no atacado durante as primeiras semanas de abril.

Assim, a demanda terá papel fundamental no direcionamento dos preços do leite e derivados em curto e médio prazos.

E, no caso do mercado do leite, em que o mercado interno responde por mais de 95% da demanda total, a situação econômica do Brasil tende a pesar mais negativamente sobre o escoamento.

Por fim, do lado dos custos de produção, a expectativa é de manutenção dos preços em patamares mais altos para os insumos este ano, o que exigirá cautela e planejamento do pecuarista nos próximos meses, que compreende o período mais seco do ano e de maior demanda por suplementação do rebanho.

Rafael Ribeiro de Lima filho, zootecnista, msc.
Scot Consultoria

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*