Mercado do milho: menores estoques finais desde 2015/2016

Preços do cereal no mercado interno deverão seguir firmes até a colheita ganhar força em julho.

Mercado do milho

Confira as perspectivas para o mercado do milho para os próximos meses

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, no dia 10 de junho, o 9º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos (2020/2021). Com relação ao milho, o destaque foi a forte revisão para baixo na produtividade média esperada para a segunda safra na temporada atual, em início de colheita no país.

O rendimento médio das lavouras deverá ser 12% menor em relação às estimativas de maio para o ciclo atual. Na comparação com a safra passada (2019/2020), a expectativa é de queda de 14% na produtividade média nacional.

Analisando a situação por estado, as quedas nas produtividades médias foram de 9,4% em Mato Grosso, 10,2% no Paraná, 19,1% em Mato Grosso do Sul e 29,6% em Goiás, na comparação com a safra passada. As chuvas abaixo da média, o plantio fora da janela ideal e as condições adversas das lavouras levaram à redução nas expectativas.

Com relação à produção, a estimativa é de que sejam colhidas 69,96 milhões de toneladas de milho na segunda safra (2020/21), 12,3% ou 9,84 milhões de toneladas a menos que a previsão anterior.

Na comparação com a safra passada, a produção deverá ser 6,8% menor no ciclo atual, o equivalente a 5,09 milhões de toneladas a menos.

No total (1ª, 2ª e 3ª safras), a produção brasileira está estimada em 96,39 milhões de toneladas em 2020/2021, em relação às 106,41 milhões de toneladas estimadas anteriormente e às 102,59 milhões de toneladas colhidas na safra passada.

Tabela 1. Estimativas de área, produtividade e produção de milho no Brasil em 2020/2021 e safra anterior (2019/2020).



Fonte: Conab | Compilado pela Scot Consultoria

Com relação à demanda interna, o volume foi mantido em 72,15 milhões de toneladas de milho para a temporada atual. Apesar da manutenção em relação à previsão anterior (maio) o volume é maior que as 68,66 milhões de toneladas consumidas no país na temporada passada.

Do lado das exportações brasileiras, houve revisão para baixo, em função dos patamares mais baixos do câmbio. O volume previsto para este ciclo é de 29,50 milhões de toneladas embarcadas, diante das 35 milhões de toneladas estimadas no relatório passado. Na safra passada, o Brasil exportou 34,89 milhões de toneladas de milho.

Com a manutenção do consumo doméstico e a revisão para baixo na produção, maior que a redução nas exportações, os estoques finais foram revisados para baixo, em relação à previsão divulgada em maio último.

Estão previstas 7,64 milhões de toneladas em estoques finais em 2020/2021, em relação às 10,87 milhões de toneladas estimadas anteriormente para a safra atual e às 10,60 milhões de toneladas em estoques finais na temporada passada (2019/2020). O estoque final previsto para o ciclo atual é o menor desde 2015/2016.

Impactos nos preços no mercado brasileiro

Os preços do milho se mostraram mais firmes no mercado brasileiro nas primeiras semanas de junho, depois dos recuos verificados na segunda quinzena de maio.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a referência está em R$ 101,00 por saca de 60 quilos (10/6), 108,2% acima do registrado em igual período do ano passado.

Apesar do dólar em patamar mais baixo em junho, as revisões para baixo nas produtividades médias das lavouras de milho de segunda safra no Brasil têm pesado mais sobre as cotações.

Outro ponto que colaborou com a sustentação dos preços do cereal nos mercados internacional e brasileiro nos últimos dias foi a piora nas condições das lavouras nos Estados Unidos. A semeadura foi concluída por lá e, até o dia 6/6, 72% das lavouras norte-americanas de milho estavam em boas ou excelentes condições, em relação aos 76% nessas condições na semana anterior (USDA).

Para julho/2021, com a oferta interna maior, em função da colheita mais avançada, os preços do milho poderão recuar com mais intensidade no Brasil, mas sem espaço para recuos mais fortes na temporada, diante da demanda aquecida e previsão de estoques mais apertados. Para o pecuarista que ainda precisa comprar milho para o confinamento neste ano, essa queda, se confirmada, pode ser uma oportunidade para a compra.

Para agosto/setembro em diante, as cotações do milho poderão retomar a firmeza no mercado brasileiro, com a demanda maior para exportação, mas vai depender do dólar e da situação de preços do cereal nos Estados Unidos, maior concorrente do Brasil nesse mercado.

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Rafael Ribeiro de Lima filho – Zootecnista, msc.

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