Movimentos de preços no mercado do boi em anos de retenção e descarte de matrizes

Em anos de retenção de fêmeas, a tendência é de que o final de safra seja de mercado menos pressionado

Considerando a distribuição dos abates de fêmeas ao longo do ano, março e maio se destacam. Em março ocorre a venda das fêmeas de descarte, após a estação de monta, que tipicamente acontece entre o fim e o começo do ano. Após a estação, é feito o diagnóstico de gestação e o descarte de parte das fêmeas, a depender da estratégia da fazenda.

O outro momento de concentração de oferta de vacas e novilhas é em maio, mas neste caso é devido à chegada da seca. Com o término do período de chuvas e a diminuição da qualidade das pastagens, boa parte dos produtores opta pela venda em vez de aumentar a suplementação ou de ver o gado perder rendimento.

A própria programação de muitas fazendas é para a venda ao final das chuvas, para aproveitar ao máximo o período de maior produção de pastagens. Com isso, temos uma concentração de oferta em maio não apenas de fêmeas, mas de gado em geral.

Fêmeas a mais ou a menos

Em anos de preços dos bezerros em alta, como temos observado desde 2018, há estímulo para investimento na cria. Com isso, o produtor retém vacas e novilhas, o que diminui o abate e colabora com o movimento de valorização.

Como as vendas de fêmeas são mais concentradas no primeiro semestre e em anos de investimento na cria, menos fêmeas são vendidas e, em geral, temos safras (e finais de safra) mais firmes.

A figura 1 mostra a curva média de preços do boi gordo em anos de retenção de fêmeas, descarte e média geral, de 2000 a 2020.

Figura 1.
Curvas médias de preços em anos de retenção de fêmeas, descarte e média geral, de 2000 a 2020.

Base 100 = preços em janeiro
Fonte: Scot Consultoria

A movimentação clássica, com mercado ofertado e preços cedendo com a chegada da seca, é mais sentida em anos de descarte.

Na média dos anos analisados, a cotação em maio foi 1,2% menor que a média de janeiro. Nos anos de descarte, com maior pressão da oferta, o recuo no intervalo foi de 4,8% e, em anos de retenção, os preços em maio foram 2% maiores que os de janeiro.

No segundo semestre, podemos destacar novembro, que foi o mês de maiores preços na média da análise. No cenário geral, de 2000 a 2020, a cotação de novembro foi 12,5% maior que em janeiro. Considerando os anos de descarte, a valorização de janeiro a novembro foi de 2,5% e, nos anos de retenção, a alta foi de 21,6%.

Expectativas

Essas movimentações históricas de preços não devem ser usadas como uma previsão, mas servem como uma referência das magnitudes que podemos observar.

Com o patamar de preços da reposição, a expectativa é de que tenhamos mais um ano de retenção de fêmeas, o que pode gerar uma safra sem pressão de baixa forte sobre os preços.

Obviamente, demanda e exportações, ambas moduladas pela evolução da pandemia, também ajudarão a definir o cenário.

Hyberville Neto – médico veterinário, msc.
Scot Consultoria

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