O boi, o Carnaval e o coronavírus

Com a oferta limitada, caso o consumo melhore (e a expectativa é de que irá melhorar), o mercado do boi gordo deve ganhar força em fevereiro em relação ao primeiro mês do ano.

Expectativas do mercado do boi

O primeiro mês do ano passou e cumpriu seu papel à risca. Houve um baixo consumo de carne bovina, o que gerou dificuldade em escoar a produção e fez os compradores de gado recuarem nas compras. Em outras palavras, o mercado caiu.

Nos primeiros trinta e um dias do ano, considerando a praça de São Paulo, a desvalorização do boi gordo foi de 5,3%, o que representa R$ 10,50 a menos, por arroba, na conta do produtor.

Mas, atualmente, a oferta limitada de boiadas e a boa capacidade de suporte das pastagens têm permitido aos pecuaristas manterem a sua boiada nas fazendas, aguardando preços maiores pela arroba.

Este é o cenário do mercado do boi no início de fevereiro. Ou seja, este quadro (de estoques enxutos dos frigoríficos) indica que os preços devem ganhar força no mês do Carnaval.

Situação econômica do país

É importante destacar que a desaceleração do consumo registrada em janeiro teve como base comparativa os meses anteriores (novembro e dezembro), contudo, na comparação com os últimos janeiros, o primeiro mês de 2020 teve melhor desempenho.

O índice de Intenção de Consumo das Famílias, indicador divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, atingiu 97,1 pontos. Este é o maior patamar para o mês desde janeiro de 2015.

A melhora da demanda no mercado interno reflete a melhor situação econômica do país. Em 2019, o saldo de empregos gerados foi de 644,08 mil (diferença entre admissões e desligamentos). Este foi o melhor resultado desde 2013.

E, com a expectativa de que a economia siga caminhando a passos cada vez mais largos, a tendência é de que a demanda no mercado interno seja boa em 2020.

Oferta limitada de boiadas

Além da demanda, outro ponto que pode colaborar com preços maiores no mercado do boi gordo, já em curto prazo, é em relação à oferta de animais terminados.

A disponibilidade de boiadas não foi abundante em janeiro, mesmo sendo este um mês de safra e com consumo reduzido.

Passado janeiro, a análise de que 2020 será um ano com preços maiores para a arroba (e para a carne) ganhou força.

Apesar da queda de R$ 10,50 da arroba do boi no primeiro mês de 2020, vale destacar que ela está custando R$ 37,50 a mais do que em janeiro de 2019 (valores nominais).

Ponto de atenção

Se no mercado interno o horizonte está melhor definido, no mercado internacional o momento é de incerteza.

Isso porque a China, nosso melhor cliente em 2019, enfrenta um novo surto epidemiológico.

O coronavírus criou um ambiente de pavor na China e no mundo, impactando, inclusive, as principais bolsas mundiais.

A fim de evitar a disseminação da doença, o governo chinês tem tomado medidas preventivas, como, por exemplo, o confinamento de 50 milhões de pessoas.

O impacto no mercado do boi gordo é de que as medidas que estão sendo adotadas pelo governo chinês resultem em queda do consumo no país, o que pode refletir também no mercado pecuário brasileiro.

Por outro lado, o receio de contrair a doença pode fazer com que a população diminua o consumo de alimentos de origem duvidosa e passe a consumir mais alimentos de boa procedência.

Neste caso, o Brasil (país com um bom manejo sanitário na agropecuária) pode se beneficiar e aumentar o volume de exportação para o gigante asiático.

Porém, neste caso, vai depender da negociação entre os países. Recentemente, a China vem tentando renegociar o valor da carne bovina, ofertando preços menores.

O impactos do coronavírus e a renegociação do preço da carne bovina demandam atenção. O rumo destes acontecimentos irá refletir no mercado do boi, vale saber agora o quão impactante será.

Expectativa para fevereiro

Olhando apenas para o mercado interno, temos registrado que parte das indústrias entrou em fevereiro com escalas reduzidas e agora terá de correr atrás para compor as programações de abate para atender à demanda do mercado interno.

Outro ponto é o feriado de Carnaval, que reduzirá os dias de abate das indústrias, além do maior consumo no período festivo.

Por fim, a associação entre a oferta restrita de boiadas e a provável melhora do consumo deve dar fôlego para o mercado do boi em fevereiro.

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