Cota Hilton: o que é e qual o papel do Brasil neste contexto

No ciclo 2018/2019, o Brasil utilizou menos da metade das dez mil toneladas de Cota Hilton que possui.

Cota Hilton 

O Brasil é o maior exportador de carne bovina, mas não utiliza toda a sua Cota Hilton, que foi criada em 1979 para exportação de carne bovina para a União Europeia.

A cota é uma parcela especial das importações de carne bovina do bloco com redução de tarifas. Ela é dividida entre oito países.

O Brasil compõe o grupo de fornecedores, com cota estabelecida em dez mil toneladas. Os outros países são Argentina, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Uruguai, Nova Zelândia e Paraguai.

Figura 1.
Distribuição da cota Hilton entre os fornecedores.

Cota Hilton

Fonte: Comissão Europeia / Elaboração: Scot Consultoria

A Argentina é o principal fornecedor desse mercado, com 44,1% da cota. Canadá e Estados Unidos dividem 17,2% e o Brasil fica com 15,0%.

No ciclo 2018/2019, de julho do ano passado até junho deste ano, o Brasil embarcou 4,15 mil toneladas da cota, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). Ou seja, deixamos de aproveitar mais da metade dessa possibilidade de comércio. O Uruguai e o Paraguai exportam quase a totalidade da cota, apesar de serem menores.

Leia também: Exportação de carne bovina: cenário atual e impactos no mercado global

Características do gado para a Cota Hilton

No caso do Brasil, o principal motivo da não utilização da cota é a disponibilidade de gado com os requisitos necessários.  

Para entrar na cota, o gado precisa estar em fazendas ERAS (Estabelecimento Rural Aprovado no SISBOV) que façam parte da lista TRACES, o que as torna aptas a exportar para a União Europeia.

Quanto aos atributos dos animais, eles devem ser novilhas ou machos castrados com até quatro dentes (25 a 36 meses), ou, no caso de machos inteiros, deverão apenas ter dentes de leite (13 a 24 meses). O peso mínimo da carcaça deve ser de 240 kg para machos e 195 kg para fêmeas.

Já o acabamento de carcaça deve se enquadrar nas classificações 2 ou 3, segundo os critérios de cobertura de gordura abaixo:

  1. Ausente – 0 mm de gordura;
  2. Escassa – de 1 a 3 mm de gordura;
  3. Mediana – de 4 a 6 mm de gordura;
  4. Uniforme – de 7 a 10 mm de gordura;
  5. Excessiva – acima de 10 mm de gordura.

Conclusões

A busca pela melhoria da qualidade do gado vendido, com mais precocidade e mais controle pela rastreabilidade, tende a melhorar o sistema como um todo. No entanto, há custos envolvidos, que devem ser compensados pelo ágio de venda do gado.

No primeiro semestre de 2019, o ágio do “gado Europa”, que é o termo usado para definir boiadas com habilitação para o destino, variou entre R$ 2,00 e R$ 4,00 por arroba. No caso de animais aptos à Cota Hilton, há um ágio adicional de R$ 3,00 a R$ 5,00 por arroba.

Leia também: Expectativas para o mercado mundial de carne bovina em 2019

Além dos que se beneficiam diretamente ao vender na cota, a participação nesses nichos ou mercados mais exigentes acaba valorizando o produto brasileiro como um todo.

É o caso das exportações para os Estados Unidos, que, mesmo sem estar entre os maiores volumes, dão uma chancela de qualidade ao nosso produto frente aos demais compradores.

Autor: Hyberville Neto – médico-veterinário, msc 

 

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