O que esperar do segundo giro de confinamento

Preços futuros do boi gordo podem aumentar a atratividade do confinamento nas próximas semanas.

segundo giro de confinamento

No que diz respeito a preços, a viabilidade do confinamento é definida por três fatores principais. O boi magro, que compõe cerca de 70% do custo do boi terminado em confinamento, o milho, cuja participação varia conforme a dieta, mas em geral é o principal componente, e o preço de venda, o boi gordo.

A opção por confinar ou não depende da atratividade, que, por sua vez, é definida pelos itens citados anteriormente.

O confinamento pode ser exclusivo ou estratégico. Chamamos de confinamento estratégico aquele feito com gado próprio, como parte do sistema de produção, para liberar pastagens para outras categorias, ou pela perda de suporte na seca. É uma ferramenta de um sistema maior.

Quando falamos do confinamento exclusivo, trata-se do produtor que compra o boi magro, confina e vende o boi gordo. A diferença entre essas modalidades é que em uma o boi magro já está lá e a viabilidade de confinar faz parte de um cenário mais complexo, ou seja, margens apertadas para a atividade exclusiva ainda podem ser interessantes, pelo ganho no sistema.

Já o confinamento exclusivo tem que ter resultados mais atrativos para ser feito, uma vez que “não ajuda” outras etapas da fazenda ou ajusta as pastagens, por exemplo.

Cenário para o segundo giro de confinamento

O confinamento é feito principalmente no período seco, para suprir o déficit de qualidade do pasto, além de ser mais eficiente confinar na seca. Isso porque, no período das águas, as chuvas geram perdas de desempenho, por questões relacionadas a barro no curral, perdas de ração, entre outros.

Por isso costuma-se chamar de primeiro giro o confinamento iniciado na entrada da seca e com a boiada vendida de junho a agosto/setembro, enquanto o segundo giro é aquele no qual o gado já é entregue mais perto ou logo após a volta das águas (outubro a dezembro).

Este ano, observamos momento de preços atrativos para a compra de milho. Entre janeiro e meados de maio, o preço do cereal cedeu 15%, passando de R$ 40,00/saca no começo do ano para R$ 34,00/saca, considerando Campinas como referência.

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No mesmo intervalo, o boi magro em São Paulo passou de R$ 2,0 mil por cabeça para R$ 2,15 mil, uma alta de 7,5%. O boi magro tem sido a “pedra no sapato” do confinador em 2019. Quem tem boi magro na fazenda e considera o sistema como um todo já teve oportunidades interessantes, tanto para comprar o milho como para travar o boi gordo.

A figura 1 mostra a evolução dos preços do milho, boi magro e boi gordo no mercado futuro para outubro.  

Figura 1.
Evolução dos preços do milho, boi magro e contrato futuro de boi gordo (out/19), em relação ao início do ano (base100).

segundo giro de confinamento
Fonte: B3 / Scot Consultoria

Expectativas

As projeções de lucro do confinamento diminuíram (já estiveram melhores ao longo de 2019). Isso ocorreu pela alta do milho e as valorizações contínuas do boi magro, que só cedeu mais recentemente com a turbulência da suspensão das exportações para a China, em decorrência do caso atípico de vaca louca.

As altas dos custos limitaram a atratividade, mas as expectativas positivas para o boi gordo e o mercado futuro com preços firmes podem dar mais espaço para os resultados.

O gado que entrará no cocho nas próximas semanas já começa a ser considerado o segundo giro de confinamento. Levando em conta os preços atuais do boi magro e preços do mercado futuro para setembro, temos uma simulação de resultado na tabela 1.

Tabela 1.
Simulação do resultado do confinamento em 2019 (segundo giro).

Parâmetros Valor
Boi magro (360kg) 2.110,00
Ganho de peso diário (kg) 1,6
Rendimento de carcaça 56%
Custo da diária (R$) 9,00
Dias de cocho 90
Preço de venda (set/19*) 160,20
Custo total/cabeça R$ 2.920,00
Resultado por cabeça R$ 94,32

Fonte: Scot Consultoria / B3
Obs: considera preços do boi magro em São Paulo e mercado futuro na B3 (set/19)
* foi considerado o contrato de setembro/19 para o preço de venda, pois o animal está entrando no cocho no início de julho/19.

O resultado projetado para o segundo giro de confinamento melhorou recentemente, frente as projeções feitas em meses anteriores, pois o maior componente de custo (boi magro) cedeu, com o mercado do milho relativamente estável (após as altas de maio).

Lembrando que temos expectativas positivas para exportações e isto pode aumentar os preços de venda, além de possivelmente o peso da safrinha chegando ao mercado e pode dar um fôlego a mais para o lado dos custos. Ou seja, o resultado por cabeça pode melhorar caso este cenário se confirme e é claro, o pecuarista esteja posicionado com relação ao mercado (compra de insumos e boi magro).

Para o boi magro, a tendência é manutenção do cenário de preços firmes, após a perda de força recente.

Autor: Hyberville Neto – Médico veterinário

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