O retorno dos Estados Unidos ao rol de compradores de carne bovina in natura do Brasil

Depois de uma suspensão de quase três anos, governo americano voltou a autorizar compra de carne in natura do Brasil, o que fez crescer as exportações para o país

Uma das boas notícias que 2020 trouxe para a pecuária brasileira foi a retomada das exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos. A liberação foi dada em fevereiro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) e pelo Serviço de Inspeção e Inocuidade Alimentar (FSIS, na sigla em inglês), quase três anos depois da suspensão devido à identificação de abcessos provocados por reações no rebanho à vacina contra a febre aftosa.

Em 2017, quando a importação foi suspensa pelos Estados Unidos, fazia quase um ano que o Brasil havia conseguido abrir as portas daquele mercado para sua carne in natura, depois de mais de uma década de negociação para isso.

Mesmo com a resistência dos americanos a esse produto, a carne industrializada produzida aqui já era vendida ao país – como será mostrado no texto a seguir, em que apresentamos melhor o mercado americano.

Para o Diretor de Mercado Externo da Friboi, Luís Rota, o comércio de carne bovina brasileira com os Estados Unidos vive um novo momento, desde a retomada dos embarques dos cortes in natura no ano passado. “Os negócios com a área de Alimentos Preparados nunca cessaram, e o aval norte-americano para a carne in natura amplia a percepção de qualidade oferecida pelo Brasil. Além do espaço de provedores de matéria-prima para as indústrias, temos condições de atender os consumidores americanos em suas múltiplas necessidades. Vários países, incluindo as economias mais desenvolvidas da Ásia, adotam requisitos a partir dos critérios dos EUA, o que amplia a possibilidade de acessar novos mercados. Por isso, temos o grande desafio de garantir o elevado padrão de qualidade da carne bovina nacional e, assim, mantermos as portas abertas para os nossos produtos no mercado internacional”, afirma.

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Qual o tamanho do mercado?

De acordo com dados do relatório Beef Report 2020, os Estados Unidos são o maior produtor e consumidor de carne do mundo. Em 2019, a produção ficou em 12,3 milhões de TEC*, incluindo bovinos e bubalinos. Em número de cabeças de gado bovino, o país registrou o terceiro maior rebanho: 94,5 milhões de animais.

O consumo, por sua vez, foi de 12,19 milhões de TEC de carne bovina, o que significa que os americanos precisaram importar o produto. Do Brasil, foram compradas 38,7 mil toneladas, conforme informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A receita foi de US$ 317,9 milhões.

Contudo, é importante lembrar que, antes de fevereiro, a carne brasileira que chegava ao mercado americano era exclusivamente industrializada. Em 2020, já contando o volume de carne in natura embarcada, as exportações totalizaram 54,3 mil toneladas até novembro – com receita de US$ 371,4 milhões.

De acordo com o diretor de exportação da PMI Foods, Giovanni Migliorini, existe uma possibilidade do Brasil vender mais carne bovina para os Estados Unidos. “Porém, o país não o faz devido ao preço, principalmente”, afirma. “Muitas vezes, os preços que os importadores americanos estão dispostos a pagar estão abaixo de outras opções para quem o Brasil também pode exportar”, completa.

Além disso, há um outro empecilho: o governo americano estipula uma cota de importação de carne de 64 mil toneladas – o que for comprado além disso é taxado em 26% sobre o valor vendido, tornando o produto brasileiro muito mais caro. Migliorini lembra, porém, que o volume exportado em 2020 ficou dentro da cota.

Quais os cortes comprados?

Conforme Migliorini, os cortes comprados são de dianteiro e traseiro, classificados por teor de gordura. “Isso ocorre porque a carne brasileira é destinada à indústria e não ao varejo”, afirma. Ele explica ainda que, devido ao preço e ao fato de ser naturalmente mais magro que a carne americana, o produto proveniente do Brasil é uma ótima opção para a indústria – e que, por enquanto, não há procura por carnes premium oriundas do Brasil.

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Quais as certificações exigidas?

O representante da PMI Foods conta que a exportação depende apenas de procedimentos e certificações padrão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que são: obtenção do registro do estabelecimento no Serviço de Inspeção Federal (SIF), requisição da habilitação para exportar e obtenção do certificado zoossanitário internacional.

Contudo, os interessados em exportar carne bovina para os Estados Unidos devem observar que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos determina que somente os estabelecimentos que atenderem aos requisitos do sistema de inspeção americano serão habilitados (pelos órgãos responsáveis no país de origem) para vender seus produtos ao país.

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Como se negocia com o mercado?

Como o Brasil não pode vender boi em pé para os Estados Unidos, Migliorini lembra que a negociação deve ser feita por frigoríficos habilitados pelo governo americano para vender carne brasileira aos Estados Unidos.

O que o criador deve saber para criar gado para esse mercado?

Apesar das negociações acontecerem diretamente com os frigoríficos e da carne brasileira já ser mais magra que a americana, pode ser interessante o criador ter em mente que, quando buscam a carne brasileira, as indústrias americanas estão atrás de baixo teor de gordura.

Gostou de saber um pouco mais sobre o mercado norte-americano? Você pode conhecer melhor outros mercados que também consomem a carne brasileira, como o chinês e o europeu.

*TEC significa tonelada equivalente carcaça. Conforme o Sindicarne, 1 TEC equivale a uma tonelada de carne in natura com osso ou a 1,3 tonelada de carne in natura sem osso ou ainda a 2,5 toneladas de carne industrializada.

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2 respostas para “O retorno dos Estados Unidos ao rol de compradores de carne bovina in natura do Brasil”

  1. Avatar Tarcisio Lenon Santana Ferreira - Sergipe (SE) disse:

    Muito boa a matéria. Esclareceu muitas coisas. Parabéns.

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Ficamos felizes que tenha gostado, Tarcisio 🙂

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