O sucesso da liderança feminina na pecuária

Conheça a trajetória de sucesso de Teka Vendramini, uma das principais lideranças femininas da pecuária no Brasil

A participação das mulheres na agropecuária e na gestão de instituições ligadas ao campo vem crescendo a cada ano. Em todo o país, novas lideranças femininas despontam para encorajar outras mulheres a participar ativamente dos negócios rurais.

Entre essas mulheres inspiradoras está Teresa Cristina Vendramini, conhecida como Teka Vendramini, uma das principais referências femininas da agropecuária no Brasil. A atual presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) é a primeira mulher a assumir o comando da entidade, que tem mais de 100 anos de existência.

O blog Pasto Extraordinário conversou com a pecuarista e socióloga, que contou um pouco de sua trajetória como mulher e empresária na agropecuária. Confira:

Uma nova liderança feminina no agronegócio

Nascida em Adamantina, no interior de São Paulo, Teka Vendramini faz parte da terceira geração de uma família com mais de oito décadas de dedicação à agropecuária. Aos 62 anos, ela escreveu sua trajetória no agronegócio tendo os familiares como maiores exemplos.

“Assumi os negócios da família em 2008 e a partir daí me empenhei bastante na gestão da propriedade e na busca por conhecimento no setor do agronegócio. Neste universo de novas informações e tecnologias, precisei estar aberta ao aprendizado”, conta a pecuarista.

Quando recebeu o convite de Marcelo Vieira, presidente da SRB de 2017 a 2020, para que fizesse parte da diretoria, Teka viu ali uma oportunidade. Logo aceitou, com o desafio de montar um departamento exclusivo de pecuária na entidade. 

“Durante meu mandato trabalhei muito e colhi bons resultados. Isto abriu caminho para a posição atual. Hoje reconheço que esta jornada foi fruto de trabalho e persistência e, principalmente, a compreensão de que trabalhamos unidos e pelo bem comum. Um trabalho consistente e que espero deixar como legado”, diz ela.

E o bom trabalho foi reconhecido. Em 2018, Teka foi homenageada pela Embrapa pelos serviços prestados em prol da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico do agronegócio nacional. Dois anos depois, foi eleita presidente da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM), mais uma presença inédita de uma liderança feminina na presidência da entidade, que representa dez associações rurais de seis países.

Com a mesma dedicação, Teka ainda consegue equilibrar outras responsabilidades, como integrar dois conselhos consultivos que discutem o desenvolvimento sustentável da Amazônia – um criado pela JBS e outro criado pelos bancos Itaú, Bradesco e Santander.

Para encontrar o equilíbrio entre trabalho, família e vida pessoal, a mãe da Fernanda e avó do Joaquim e do Antônio tem uma resposta simples: “Tentando equacionar o tempo, foco nas atividades”, diz.

Desafios para o desenvolvimento do agronegócio

Para Teka Vendramini, os principais desafios da SRB são muito semelhantes àqueles que o agronegócio brasileiro já vem enfrentando. Embora o setor tenha evoluído muito em produtividade e tecnologia, com o uso da ciência para uma produção cada vez mais alinhada à sustentabilidade, a sociedade urbana ainda desconhece boa parte destas conquistas.

“Nosso desafio é comunicar de forma cada vez mais assertiva, divulgando as boas práticas não somente para as diferentes gerações que atuam no campo, mas, principalmente, para quem consome os alimentos produzidos por nós, para quem veste a roupa feita do algodão que plantamos, abastece o carro com o etanol que produzimos e assim por diante”, enfatiza Teka. 

O diálogo, a aproximação com os jovens e a definição de uma pauta prioritária para a entidade são apontados por Teka como marcas de sua gestão. Outro legado importante é a participação mais ativa nas discussões internacionais ao assumir a presidência da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM) e marcar presença na COP-26, em 2021.

“Uma das missões da SRB é desenvolver projetos na capacitação dos produtores rurais. Temos realizado eventos pelo interior do Brasil com grandes especialistas em nutrição, pastagem, gestão entre outros, para seguir disseminando conhecimento, fundamental para este agro moderno que tanto defendemos”, conta a pecuarista.

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Aproximação e diálogo

Ao longo de sua trajetória, Teka teve seu trabalho de gestão marcado pela aproximação com produtores.  Para ela, a conexão estabelecida com produtores rurais em todo o Brasil durante os três anos como diretora de Pecuária da SRB foi determinante para entender as necessidades do setor.

Na presidência da SRB, Teka viajou muito pelo Brasil para conhecer as diferentes realidades de produtores rurais, sejam pequenos, médios ou grandes, sempre colecionando um grande aprendizado por onde passou.

“Conheci famílias que fazem a diferença na produção de alimentos básicos, como uma bacia leiteira, no estado do Pará, onde muitos ainda aguardam pelo processo de regularização fundiária. Também conheci fazendas que são exemplos de sustentabilidade, cada vez mais alinhadas a este tão falado universo ESG. E tenho visto cada vez mais mulheres liderando os negócios, mostrando protagonismo, algo que também é muito gratificante”, diz a pecuarista.

Gestão feminina, diferencial no agronegócio 

Para Teka, os exemplos bem-sucedidos de mulheres em posições de liderança, cada vez mais frequentes, já atestam diferenciais muito presentes nas mulheres, como o equilíbrio e a abertura ao diálogo.

“Eu sempre cito a nossa ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que faz um trabalho excelente, conversando com todos os elos da cadeia e tomando as decisões necessárias, na hora certa. Dialogar com todos os segmentos e ouvir opiniões diferentes é algo que também procuro buscar sempre, não apenas na SRB, mas na gestão da minha fazenda”, conta a pecuarista. 

Para as mulheres que querem trabalhar com agropecuária, Teka considera fundamental a persistência, a vontade de evoluir, aprender e, acima de tudo, dialogar e ouvir as pessoas. Ela reforça ainda que uma gestão de ponta exige conhecimento técnico e a liderança de colaboradores treinados e preparados.

“Veja o meu caso, sou socióloga de formação, mas quando entrei para a gestão da propriedade rural comecei a aprender, a me aprofundar sobre o setor. Fiz muitos cursos e procurei ter um aprendizado de consistência em entidades de ponta. Visitei muitas cidades e propriedades rurais para conhecer o trabalho in loco. Aprendi a importância de ter ao meu lado bons profissionais”, enfatiza Teka.

Na pecuária, Teka contou com bons veterinários e agrônomos, fator decisivo para o sucesso do seu negócio. “Há profissionais que estão comigo há mais de 10 anos. Isto não apenas encurtou meu caminho na propriedade como possibilitou uma visão ampla”, diz.

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Tecnologia para o agronegócio sustentável

Para Teka Vendramini, é preciso que a alta tecnologia, que está cada vez mais alinhada às práticas sustentáveis que colaboram na redução do efeito estufa, fiquem mais acessíveis a todos os perfis de produtores rurais. Segundo ela, é preciso avançar na comunicação, porque a legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo e ainda há muita desinformação sobre o tema.

“A agricultura de baixo carbono já é uma realidade no Brasil. Adotamos práticas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) que reduzem impactos ambientais e colaboram para o atingimento destas metas. Mas para isso é preciso olhar para dados reais, baseados na ciência, sem preconceitos ideológicos”, afirma.

Evolução no uso de tecnologias sustentáveis

Nas últimas décadas, o uso crescente de tecnologias permitiu o aumento da produção pecuária nacional, com ganhos em produtividade, sem a necessidade de expansão da área de pastagem.

No Brasil, desde 2010, o Plano ABC fomenta o setor agropecuário com ações que envolvem tecnologias de mitigação das emissões de GEE e ações de adaptação às mudanças climáticas. O Plano define estratégias para a recuperação de pastagens degradadas, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e de Sistemas Agroflorestais (SAFs), Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Florestas Plantadas (FP) e Tratamento de Dejetos Animais (TDA).

Segundo levantamento realizado pela Scot Consultoria, no Brasil, o número de bovinos confinados está crescendo, o que tem colaborado com a adoção de tecnologias e melhorado o desfrute do rebanho. Em 2020, a expectativa da empresa é de que tenham sido confinados 4,57 milhões de bovinos no país, um incremento de 93,3% desde 2010.

Em relação à Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e ILPF também houve evolução. Em 2015 o Brasil contava com 11,47 milhões de hectares em sistemas integrados de produção agropecuária. Para 2020, a Embrapa Agrossilvipastoril estima que essa área evoluiu para 17 milhões de hectares, um salto de 48,2% em cinco anos.

O rebanho de bovinos no Brasil também cresceu acima do incremento na área de pastagem e a taxa de lotação das pastagens melhorou. Desde 1985, a área com pastagem aumentou 51,7%, e o rebanho bovino brasileiro aumentou 67,3% (IBGE).

E aí, gostou desta história inspiradora? Conhece mais alguma mulher que faz a diferença no agronegócio? Conte para nós qual pecuarista você gostaria de ver aqui no Pasto Extraordinário.

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