Oferta curta no mercado do boi gordo e expectativa de preços firmes

Cenário de demanda lenta por carne bovina, mas oferta curta de boiadas para abate mantém o viés de alta sobre as cotações da arroba dos animais terminados. Câmbio merece atenção.

O mercado do boi gordo retomou a firmeza com a entrada de junho e com a chegada efetiva da seca, a entressafra e a redução da oferta de gado para abate.

Na segunda quinzena, no entanto, o cenário de demanda lenta pelo período do mês, associado à desvalorização do dólar frente ao real, acalmou o mercado.

Embora os dados de exportação de junho, disponíveis até o momento, sigam positivos na comparação anual, um patamar de dólar mais baixo traz cautela ao mercado.

As programações de abate dos frigoríficos estão um pouco mais longas, o que permitiu que as indústrias mantivessem as ofertas de compra estáveis, em geral. De toda forma, mesmo com escalas mais longas, o mercado não afrouxou, apenas tem trabalhado mais calmo. Veja a figura a seguir.

Figura 1.
Evolução do preço do boi gordo em São Paulo, em R$/@, à vista, livre de imposto.
Mercado do boi gordo

Fonte: Scot Consultoria

Desde o início do ano, a cotação do boi gordo em São Paulo subiu 18,5%, passando de R$262,00/@, no início de janeiro, para R$310,00/@, à vista, livre de imposto, no fim de junho.  

Atualmente, o cenário é de pouca oferta de boiadas terminadas em pastagens e ainda sem volume relevante de gado oriundo de confinamento.

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Mercado de reposição

O mercado de reposição segue sem excesso de oferta, mas a queda da qualidade das pastagens em decorrência da seca diminuiu o poder de negociação dos vendedores, uma vez que a possibilidade de retenção do gado no pasto diminuiu.

Apesar de menos força para negociação do lado vendedor, como a oferta em geral está restrita e os compradores animados pelos preços do boi gordo, o cenário tem sido de firmeza para as cotações dos animais para reposição.  

A figura 2 mostra a evolução das cotações do boi gordo e de categorias de machos em São Paulo desde o início do ano. O preço do boi gordo subiu mais que o do boi magro no período, mas ficou aquém das demais categorias.

Ou seja, houve perda do poder de compra do recriador/invernista, salvo aquele que compra boi magro. A maior alta no período foi a do bezerro de ano, cujo preço subiu 26,9%.

Figura 2.
Variações dos preços do boi gordo e reposição desde o início do ano até junho/2021 (29/06/2021).

Fonte: Scot Consultoria

Como fica o mercado?

Para o curto prazo, o começo de mês, associado ao feriado de 9 de julho (Revolução Constitucionalista) em algumas regiões, que diminui os dias de abate (produção de carne) e ajuda nas vendas, poderá devolver força ao mercado do boi gordo.

Do lado da oferta, a expectativa é de aumento gradativo da chegada de gado terminado em confinamento para abate, mas julho ainda não costuma ser um mês de grande volume de oferta.

Com isso, esperamos que os mercados do boi gordo e reposição sigam firmes, com as atenções voltadas também à evolução do câmbio e das exportações.

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Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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