Os números do abate de fêmeas no semestre e as expectativas para o ano

Abates de novilhas aumentaram 21% no primeiro semestre de 2019, em comparação ao mesmo intervalo em 2018.

Abate de fêmeas em 2019

No início de setembro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados de abates de bovinos do primeiro semestre, que confirmaram a tendência de aumento na venda de novilhas.

As expectativas são de que a oferta de fêmeas para abate diminua, sendo essa uma possibilidade esperada já para 2019. Os preços em alta dos bovinos de reposição subsidiavam essa expectativa, uma vez que bezerro valorizado tende a gerar investimento na cria.

A questão, no entanto, tem sido a boa demanda para exportações à China, que tem a idade dos bovinos como exigência principal. O país asiático, que é o maior importador mundial de carne bovina, compra bovinos de até 30 meses, o que influencia a demanda por novilhas.

Abates no primeiro semestre de 2019

Segundo o IBGE, houve aumento de 2,7% nos abates de bovinos, frente ao mesmo período de 2018. Foram 15,96 milhões de cabeças, em relação a 15,54 milhões na primeira metade do ano passado.

Quando analisamos por categoria, o acréscimo da oferta de novilhas fica evidente, com crescimento de 21% na mesma base de comparação. Veja a figura 1.  

Figura 1. Variações nos abates de bovinos no primeiro semestre de 2019, frente ao mesmo período de 2018.

Abate de fêmeas em 2019

Fonte: IBGE / Elaboração: Scot Consultoria

Perceba que os abates de vacas diminuíram 2,7% na comparação da primeira metade de 2018, com o mesmo intervalo neste ano. Essa queda vai ao encontro do início de um momento de maior investimento na cria, com retenção de fêmeas.

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Períodos de preços em alta para o bezerro tendem a estimular os criadores a reter fêmeas no rebanho, para aumentar a produção. Isso tipicamente ocorre nas fases de alta do ciclo de preços pecuários.

Figura 2. Participação de fêmeas (vacas e novilhas) nos abates de bovinos nos primeiros semestres.

Abate de fêmeas em 2019

Fonte: IBGE / Elaboração: Scot Consultoria

O aumento da busca por novilhas aumentou o volume geral de fêmeas no gancho, mas quando observamos a participação de vacas nos abates, houve diminuição (34,5% no primeiro semestre de 2018, frente a 32,7% este ano). No mesmo intervalo, o abate de novilhas passou de 11% para 13%. 

Expectativas

Embora o acréscimo dos abates de novilhas, influenciado pelas exportações para a China, tenha mantido a participação de fêmeas ainda maior que em 2018, a tendência é de um período de retenção de fêmeas em breve.

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Os preços da reposição em alta e a redução já observada para os abates de vacas subsidiam essa expectativa.

Como a demanda por carne bovina no mercado doméstico tem sido um limitante para os preços de venda da pecuária, um período mais positivo na economia (e no consumo) pode dar força ao boi gordo, influenciando também o investimento na cria e consolidando a entrada na fase de alta do ciclo pecuário.

Hyberville Neto – médico-veterinário

Scot Consultoria

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