Outubro Rosa: mês da conscientização e prevenção do câncer de mama

Confira os depoimentos de duas mulheres que passaram pelo tratamento e venceram o câncer de mama

O mês de outubro é conhecido e dedicado mundialmente ao combate e à prevenção do câncer de mama. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença afeta 2,1 milhões de mulheres no mundo e, no Brasil, soma cerca de 66 mil novos casos ao ano, sendo assim, é o mais comum no mundo e o segundo no país, ficando atrás apenas do de pele não melanoma. Mas o diagnóstico de câncer de mama não é o fim, as chances de cura chegam a 95% dos casos quando detectados no início. Confira os depoimentos de duas mulheres que foram diagnosticadas com câncer de mama, que passaram pelo tratamento e venceram a doença.

Em março de 2013, aos 48 anos, a pecuarista Janete Bueno Domingues percebeu um nódulo na mama direita durante a realização do autoexame. “No momento, não me preocupei e não procurei ajuda. Tinha medo de fazer a mamografia e de descobrir algo grave”, conta ela.

Janete Bueno Domingues, pecuarista na cidade de Bueno Brandão (MG).

Alguns meses se passaram e, por insistência do esposo, ela realizou seus exames de rotina e foi diagnosticada com câncer de mama. Janete morava e trabalhava no campo, em Bueno Brandão (MG), com o seu marido, no Sitio São José, propriedade de médio porte que conta com gado de corte e plantação de café. “Todo o meu tratamento durou um pouco mais de um ano e foi feito no Hospital do Amor, anteriormente conhecido como Hospital de Câncer de Barretos, que fica a aproximadamente 500 km de distância da minha cidade, mas sempre ia para lá com um sorriso no rosto, porque eu acreditava naqueles profissionais e na minha cura”, conta Janete.

O tratamento

“Como eu demorei uns quatro meses para buscar ajuda médica, o meu câncer só piorou e chegou a um grau bem avançado. Dessa forma, desde o início do tratamento, eu precisei de quimioterapia. Em 13 dias, perdi todo o meu cabelo. Lembro-me como se fosse hoje, quando cheguei ao hospital em Barretos, um dos médicos que me atendeu disse que 50% da cura estava na minha cabeça e os outros no tratamento que seria realizado. Eu guardei isso comigo e fiz jus à minha metade”, explica.

Durante o procedimento, Janete se manteve forte, confiante e motivada, mas a doença abalou toda a família emocionalmente. “Minha cunhada só chorava, meu marido ficou mais de 40 dias aos prantos e emagreceu mais de 15 quilos logo que descobrimos o câncer. Meu filho que mora em Brasília me ligava todos os dias para saber sobre a progressão ou regressão do quadro”, afirma ela.

Aprendizado

“Hoje, estou com 55 anos e faço todos os meus exames de rotina. Uma coisa que digo para todas as pessoas é: cuide de você e do seu corpo. Eu me arrependo de não ter ido ao médico logo nos primeiros dias que senti o nódulo na mama, com certeza meu câncer não teria evoluído tanto e o tratamento não seria tão severo e com tantas sessões de quimio”, reforça Janete.

A história da pedagoga e proprietária de uma fazenda no Mato Grosso (MT), Maria de Lourdes Girotto Dias, mais conhecida como Lurdinha, não foi muito diferente. Em fevereiro de 2001, depois de passar as férias no litoral, ela voltou para a cidade para iniciar as suas atividades anuais. “Sempre tive o costume de fazer o autoexame mensalmente, mas nas férias nem havia lembrado e, também, estava bem tranquila, pois havia feito a minha mamografia há uns seis meses. Mesmo assim, fiquei com aquilo na cabeça e na hora do banho fiz o autoexame e senti um pequeno nódulo. Fui imediatamente ao mastologista e a biópsia deu positiva”, lembra.

Retrato de Lourdes Girotto Dias, pedagoga e proprietária de uma fazenda no Mato Grosso (MT), que venceu o câncer de mama.
Lourdes Girotto Dias, pedagoga e proprietária de uma fazenda no Mato Grosso (MT), durante o tratamento.

Conscientização sobre a doença

O tratamento da Lurdes durou um pouco mais de um ano e ela fez tudo o que foi necessário para sair curada. Há 18 anos, continua realizando os seus exames regularmente e fazendo o autoexame.

“Em março do ano passado, fui fazer meus exames de rotina, aqueles que faço todos os anos desde que tive o câncer, sempre nos mesmos hospitais e com os mesmos médicos. Eis que foram encontrados pontinhos, um em cada mama. Mais uma vez, fui orientada a fazer diversos exames e a biópsia deu positiva novamente, mas agora para as duas”, conta.

Devido à sua experiência, pediu para fazer uma investigação mais específica, que mostrava as células anormais em todo o corpo. Descobriu que tinha também nos ovários, nas trompas e nos linfonodos. “Graças a Deus, fiz essa análise e digo que fui salva por ela. Dessa vez, fiz cirurgia de abdômen e tirei tudo, além das minhas sessões de quimioterapia até dezembro de 2019. Descansei até março deste ano e, na sequência, realizei a retirada das duas mamas, com reconstrução. Estou novamente curada e recuperada de tudo isso”, afirma Lurdes.

Apoio é sempre bem-vindo

Durante todo o tratamento, Lurdinha contou com o afeto e o apoio dos seus familiares e amigos. “Meu marido é aposentado e foi meu enfermeiro, contei com o amor e o carinho dos meus filhos, mesmo que a distância, pois ambos moram em outros estados. As minhas enteadas também sempre me ajudaram muito em casa. Com certeza, isso colaborou no meu tratamento e na minha cura”, explica.

Lourdes Girotto Dias após o tratamento.

Conheça o seu corpo

O conselho da Lurdinha para todas as mulheres é: conheça o seu corpo, faça o autoexame todos os meses, realize seus exames regularmente e não os engavete. Em caso de um diagnóstico positivo, peça ajuda para a sua família e amigos. Procure um profissional da sua confiança para cuidar de você.

Já a dica da Janete para quem não tem câncer é: previna-se com o autoexame e cuide-se fazendo seus exames de rotina. “Agora se você já está nessa batalha, tenha muita confiança em Deus. Se eu passei por essa, você também vai conseguir e nada será capaz de nos deter. Jamais desista ou desanime”, emocionada finaliza.

Atualmente, ambas ajudam voluntariamente as instituições que auxiliaram em seus tratamentos contra o câncer. Lurdinha é voluntária na Associação das Amigas da Mama (AAMA) e Janete promove leilões e arrecadações para o Hospital do Amor.

Assim como essas mulheres, nós também acreditamos na prevenção e apoiamos essa causa!

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