Para-raios podem reduzir risco de morte de animais durante tempestades

Além de proteger quem trabalha na fazenda e a estrutura do local, esse equipamento evita que as descargas atmosféricas atinjam o gado e causem prejuízo.

Para-raios na fazenda

Basta uma busca rápida no Google para ver: não são poucas as mortes de animais de criação relacionadas à incidência de raios, o que acarreta prejuízo aos pecuaristas. Em 2018, por exemplo, dois episódios ocorridos no Brasil chamaram a atenção por deixarem quase 200 bovinos mortos: no primeiro, registrado em janeiro, um criador de Pedregulho (SP) perdeu 84 cabeças de gado dessa forma e teve um prejuízo de aproximadamente R$ 300 mil. No segundo, em março, a perda foi de 103 bois em uma fazenda em Cacoal (RO), o equivalente a R$ 130 mil. 

As mortes costumam acontecer porque, durante a chuva, os bois também tentam se proteger, aproximando-se de árvores e outros objetos/construções que possam funcionar como abrigo.

A questão é que os raios se difundem em espaços que apresentam menor resistência elétrica, o que significa que atingem, com frequência, os locais mais altos da região onde caem. Num pasto, as árvores acabam se tornando os alvos mais fáceis.

Quando isso acontece, a corrente elétrica se difunde pelo solo, atingindo pessoas e animais que estejam na área próxima à árvore – e com força, já que uma tensão se forma entre os pés e as patas.

Conforme a Agência Embrapa de Informação Tecnológica, no caso dos animais, a tensão é maior porque as patas ficam mais afastadas entre si. Além disso, o coração deles fica no trajeto da corrente, o que os deixa mais suscetíveis a acidentes fatais.

Para-raios na fazenda

Uma forma de reduzir os riscos associados às descargas atmosféricas é instalar para-raios na fazenda, pois eles atraem os raios e evitam a morte dos animais. A instalação deve seguir o que estabelece a norma NBR 5419, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

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Quem decide instalar um para-raios pode escolher entre dois tipos: o de Franklin e o de Melsens.

O primeiro homenageia o inventor da ferramenta, o americano Benjamin Franklin, e consiste em três hastes metálicas ligadas a um fio condutor que deve ser aterrado para dissipar a corrente no solo. 

O segundo funciona como uma gaiola de Faraday, já que toda a edificação é envolvida em uma malha metálica ligada a hastes, que também são conectadas ao solo.

Independentemente da escolha, a instalação do equipamento deve seguir as regras estabelecidas pela NBR 5419, publicada originalmente pela ABNT em 1993 e atualizada em outras três ocasiões: 2001, 2005 e 2015. 

A versão mais recente do documento é dividida em quatro partes. A primeira trata do próprio fenômeno de descargas atmosféricas e define a intensidade que será usada como parâmetro para os cálculos que vão determinar o risco de uma estrutura ou área a ser atingida por um raio e como deve ser feita a proteção desse local.

A segunda fala sobre tipos de danos e perdas que a queda de um raio pode causar em diferentes locais, ou seja, considera aspectos como tipo de construção, tipo de ocupação e topografia da região. Ela apresenta, ainda, a fórmula para calcular o risco associado à descarga atmosférica nesses locais, e o resultado vai indicar a real necessidade de instalação de um para-raios.

Em um terceiro momento, a norma trata de características do próprio para-raios, como material e comprimento dos fios, para garantir a proteção em diferentes tipos de estrutura ou local.

Por fim, é abordada a proteção de equipamentos elétricos e eletrônicos dentro de estruturas, caso elas sejam atingidas por um raio.

Dada a especificidade das informações contidas na norma, o ideal é contar com o serviço de profissionais especializados para fazer a avaliação de risco e os cálculos necessários para a instalação adequada do equipamento.

Monitoramento de raios

Outra ferramenta que pode ser útil aos pecuaristas é o monitoramento de tempestades e raios, que é feito por diversos órgãos e empresas. A partir dele, é possível saber com antecedência sobre a aproximação de tempestades acompanhadas de descargas elétricas e se preparar para elas.

A Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (RINDAT) é um desses sistemas de vigilância. Ela consiste em uma rede de sensores instalados em diversos pontos de estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país gerenciada por: Simepar – Sistema Meteorológico do Paraná; Furnas; Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig); e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

“Existem vários meios de monitorar descargas atmosféricas. Nós fazemos isso por uma rede de sensores que detectam praticamente em tempo real essas descargas. Com base nisso, você tem ideia de onde estão as áreas de instabilidade mais ativas”, explica o meteorologista do Simepar, Samuel Braun. 

As informações alimentam mapas que mostram a incidência de raios em tempo real e ficam disponíveis tanto no site da RINDAT quanto no do próprio Simepar. Porém, segundo o meteorologista, o objetivo é antecipar em aproximadamente 30 minutos a ocorrência de descargas atmosféricas.

“Tivemos um cliente que queria saber com uma hora de antecedência, mas nesse caso o risco de errar é maior”, diz o meteorologista.

Os avisos são enviados por meio de mensagens e telefonemas a quem contrata o serviço de monitoramento, além de repercutidos no site e nas redes sociais do Simepar. A partir deles, os clientes podem tomar as atitudes necessárias para garantir a segurança de pessoas e animais que estão nas áreas de risco divulgadas.

Mesmo com todas essas precauções, contratar um seguro rural não deixa de ser uma boa opção para evitar dores de cabeça em caso de acidente com raios.

Continue acompanhando nossas dicas e sugestões! Sempre tem novidade por aqui.

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