Pecuarista do Paraná conta o segredo de pastagem exuberante durante a pior seca em 91 anos

Fábio Castro Loureiro cultiva pastagem de inverno para garantir o bem-estar dos animais

A pastagem das fazendas do pecuarista Fábio Castro Loureiro, no Paraná, tem sido assunto de interesse entre os pecuaristas. Em meio à pior seca dos 91 últimos anos no Brasil, a pastagem de Loureiro chama a atenção pela beleza e exuberância.

O pecuarista cria Caracu Mocho em suas duas propriedades: a Cabanha Caracu Mocho, que fica no município de Reserva, e a Fazenda Cerca Queimada, em Palmas.

O blog Pasto Extraordinário conversou com Loureiro para saber qual é a fórmula dele para ter uma pastagem tão bonita mesmo durante essa fase de estiagem severa.

“Essa seca vem assolando e atrapalhando a pecuária de uma maneira geral. Mas, desde a década de 1980, nós temos um hábito de produzir a pastagem no inverno porque, além de ser um período seco, é extremamente frio. A pastagem não desenvolve, pelo contrário, ela sofre um processo inverso, quase como uma hibernação”, contou.

Loureiro explicou que, como a pastagem não brota e não cresce na estação mais fria do ano, ela também perde o seu valor nutritivo – o que prejudica o gado. Portanto, a pastagem de inverno cultivada pelo pecuarista é uma solução para o bem-estar animal.

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Pecuarista cultiva pastagem de inverno

“Nós fazemos uma pastagem de inverno no mesmo local onde, durante o verão, é produzida a lavoura. No verão, plantamos soja e milho. No inverno, nessa mesma área que já está preparada, adubada e mecanizada, nós plantamos a pastagem de inverno para o gado passar o período de seca e frio”, explicou.

A pastagem de inverno cultivada por Loureiro tem entre 30% e 40% de azevém e de 60% a 70% de aveia. “É um consórcio de pastagem de cerca de 300 quilos de semente por alqueire. A pastagem não é irrigada durante esse período, e o azevém e a aveia se complementam”, afirmou.

Segundo Loureiro, o que ele busca é justamente proporcionar uma grande oferta de pastagem para que os animais passem bem. Não é todo ano que o pecuarista consegue bons resultados. Porém, em 2021, apesar da terrível estiagem que tem atingido o estado do Paraná, ele alcançou uma pastagem de encher os olhos: “Foi um ano muito bom”.

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Pecuarista Fábio Castro Loureiro é criador da raça Caracu

Para Loureiro, o segredo do sucesso para um pecuarista é um conjunto de fatores. “É um combo. É preciso trabalhar com uma raça de animal que tenha inúmeras qualidades, é necessário pensar na propriedade com um investimento constante – de pastagens, de manejo, de cercas, de avaliações. Além disso, é fundamental produzir aquilo que o mercado exige”, disse.

Loureiro tem uma história de família com a pecuária e com o Caracu. Ele é a quinta geração que trabalha com essa raça. “Começou com meu trisavô, em 1915, levando 21 touros de trem de Minas Gerais para o Paraná”.

O Caracu, de acordo com Loureiro, é um europeu tropicalizado que possui todas as características funcionais necessárias, como o pelo curto, fertilidade, ótimos cascos e produção de leite de qualidade e em quantidade, entre outras qualidades.

“É uma das raças que é o futuro da pecuária nacional e é indicada para o cruzamento industrial”, afirmou o pecuarista. Já a variedade Mocha chegou até a família por meio do pai de Loureiro, em 1970.

O tratamento dispensado aos animais, conforme o pecuarista, é um dos diferenciais das fazendas dele. “Os animais são muito bem cuidados em relação ao manejo, são limpos. Nós nos preocupamos em ter uma sanidade adequada. Eles são vacinados, desverminados e banhados. Seguimos as normativas e os criamos com muito amor e carinho”. Nenhum animal das propriedades de Loureiro é confinado, todos são criados 100% a pasto.

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O pecuarista vê a relação dele e da família com o Caracu como algo além da questão comercial. “Não somos criadores, somos criados pelo Caracu. São várias gerações trabalhando com a raça, afinal, é uma criação centenária. A gente tem amor pelos animais e já incentiva a geração futura a continuar firme, seguindo os passos fortes na pecuária e na criação do Caracu”.

Ao analisar passado e futuro, Loureiro conta que aprendeu o manejo básico e simples com as gerações anteriores. “Agora, posso oferecer às gerações futuras a possibilidade de trabalhar com ferramentas que auxiliam na escolha dos animais mais interessantes e que oferecem programas de avaliação genética”, explicou.

“Um dos maiores desafios para o pecuarista atual é passar o bastão e todo o conhecimento, ensinamentos e motivação para as gerações futuras”, concluiu.

SAIBA MAIS: Passos importantes para uma boa formação da pastagem

Gostou da entrevista com o pecuarista Fábio Castro Loureiro? Nós aprendemos muito com ele nessa conversa. Esperamos que você faça bom proveito da experiência que Loureiro fez questão de dividir com a gente!

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