Pecuarista-S do Mato Grosso integra pecuária, floresta e sustentabilidade

Veja como a Fazenda Bacaeri Florestal, em Alta Floresta (MT), tornou-se modelo de sustentabilidade

“Visão de longo prazo”: é assim que Fernando Passos, sócio-administrador da Fazenda Bacaeri Florestal, em Alta Floresta (MT), resume a trajetória do negócio, desde o seu início na pecuária à distinção como Pecuarista-S da Plataforma-S, iniciativa que reúne todas as ações de sustentabilidade da Linha Pastagem Corteva, com impactos positivos não somente na preservação do meio ambiente, mas também no incremento da produtividade e melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas.

“Nós sempre tivemos uma visão de longo prazo e agimos assim na administração do negócio. Por isso, sempre atuamos de forma a causar o menor impacto possível, tanto no ambiente quanto na sociedade. E sempre usando as técnicas e conhecimentos disponíveis em cada momento. Por isso, não consigo elaborar muito uma diferença entre nossa visão agora e há 20 anos”, afirma Passos.

Tudo começou com a pecuária de corte, até hoje a principal atividade da fazenda, com recria e engorda de machos e, para diversificar a fonte de renda, o plantio convencional de Teca – árvore de madeira nobre, pouco conhecida no país, mas muito utilizada em movelaria e embarcações na Ásia e na Europa.

Depois de muito estudo, pesquisa e planejamento, a Bacaeri começou a implantar o sistema ILPF – Integração Lavoura Pecuária Floresta, com o plantio de linhas de Teca nas pastagens, inicialmente como solução para reduzir a morte de plantas e aumentar a capacidade de produção de carne. Deu certo! E além do esperado.

Menos GEE – Gases do Efeito Estufa e mais negócios

Como Pecuarista-S da Corteva, a Fazenda Bacaeri está incluída no estudo para produção de carne de baixa emissão carbono e de outros Gases de Efeito Estufa (GEEs), realizado pela Plataforma-S em parceria com a Minerva Foods.

Conforme explica William Marchio, consultor da Corteva e da Minerva Foods, o estudo visa estabelecer o que se chama de benchmarking – criar referências, nos diversos sistemas de produção e biomas, a partir de uma análise estratégica das melhores práticas adotadas pelas fazendas para redução das emissões de GEEs. “Com o levantamento e a comparação dos balanços das emissões, poderemos replicar práticas de uma fazenda em outras como, por exemplo, as tecnologias do grupo ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), plantio direto, reforma de pastagens, ILPF, fixação biológica de nitrogênio e o tratamento de dejetos bovinos. Vamos poder mostrar os resultados na prática – em vez de só utilizarmos literatura de pesquisas e estudos.”

A partir das prévias desse estudo da Plataforma-S, Marchio adianta que os resultados da Fazenda Bacaeri quanto à emissão de GEE certamente serão exemplares. “Com certeza, a produção na fazenda sequestra muito mais carbono do que emite”, afirma o consultor. Lembrando que, quando se fala em “emissão de carbono”, o estudo se refere não somente ao CO2, mas aos outros três dos principais GEEs: Metano, Óxido Nitroso e Ozônio (veja box abaixo).

“Estamos fazendo a coleta dos dados e a compilação para controlar o balanço das emissões de GEE. Aplicamos um protocolo que se chama GHG Protocolo – desenvolvido pelo WRI (instituto internacional de pesquisas de combate às mudanças climáticas) junto com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa de Agropecuária) e com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) –, no qual levamos em consideração um balanço completo do uso do solo, das condições das pastagens e dos manejos”, explica Marchio. Entre os inúmeros indicadores medidos, o consultor destaca:

  • Levantamento quantitativo de animais (número de cabeças) e categorias.
  • Sistemas de produção.
  • Conversão de área degradada para área cultivada com ILPF.
  • Gastos com combustível.
  • Utilização de calcário e fertilizantes à base de nitrogênio.

Sustentabilidade além dos GEEs

Quando os gestores da Bacaeri decidiram iniciar a integração de Teca com a pecuária, a ideia era ampliar a fonte de renda alternativa à pecuária. Mas, como a produção de Teca leva 20 anos, a pecuária, que já era a atividade principal da fazenda, acabou por se tornar a viabilizadora da produção de madeira, gerando renda até o corte das árvores.

Além disso, Passos reconhece outros ganhos: “Estamos realizando estudos para verificar se a melhoria do bem-estar animal devido ao conforto térmico (ocasionado pela sombra das árvores) se reflete no aumento de ganho de peso. No momento, ainda não temos resultados finais, mas as prévias são positivas”.

Essa preocupação com o bem-estar dos animais não é novidade na Bacaeri, onde práticas de bem-estar animal são adotadas já há muito tempo. “O manejo dos animais é feito com a técnica conhecida como ´nada nas mãos´, em que os vaqueiros não utilizam nenhum objeto (como bandeiras) para conduzir o gado, apenas a sua expressão corporal. Também não é permitido bater ou gritar com os animais durante o manejo, para não assustá-los”, explica Passos. “No momento, estamos iniciando um pequeno projeto de cria em IATF – sem touros”.

O produtor se refere à Inseminação Artificial em Tempo Fixo, técnica que sincroniza a ovulação das vacas, por meio da administração segura de medicamentos, a fim de possibilitar a inseminação de todo um lote de animais em determinado dia e horário previamente marcados. E o que isso tem a ver com sustentabilidade?

“Diretamente, com IATF, não ganhamos nada sobre as emissões. Mas, com a utilização de sêmen de qualidade, melhorando também a qualidade nos animais, a fazenda vai obter maior eficiência na produção, com ganho de peso por ´unidade de emissão´, aumentando a produção e reduzindo a necessidade de abertura de novas áreas”, explica Marchio. “Há ganhos também de bem-estar animal: com a racionalização da condução das vacas ao curral, numa determinada época, elas já recebem todas as medicações de uma vez só e vão parir na melhor época do ano para cuidar de seus bezerros”.

A visão de futuro citada por Fernando Passos não se restringe às boas práticas na produção pecuária. “Da parte social, a empresa doou em comodato uma área para construção de uma escola municipal, que atende as crianças não só da Bacaeri, mas também de fazendas vizinhas”.

Como se vê, não foi por acaso que Fernando Passos foi reconhecido como Pecuarista-S. “Na Fazenda Bacaeri, sustentabilidade e rentabilidade andam juntas”, completa Thiago Henrique, gerente comercial da Agro Amazônia, distribuidora da Corteva na região e parceira do projeto. “Aqui na Agro Amazônia, a sustentabilidade está em nossa essência e não poderia ser diferente: ela é um dos nossos valores e foi fundamental para a construção da base que nos sustenta desde o início das nossas atividades e direciona nossas ações e decisões” explica Thiago. “A Plataforma – S é uma iniciativa fantástica, que atende não só às demandas da propriedade, como também da comunidade e das gerações futuras”.

Entenda o CO2 e outros GEEs – Gases do Efeito Estufa

Os gases do efeito estufa (GEE) são compostos gasosos que absorvem uma parte dos raios do Sol, aprisionando calor na atmosfera. Por isso, o fenômeno se chama efeito estufa. A crescente emissão e acúmulo desses gases têm sido apontados pelos cientistas como os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas no planeta, porque aumentam o potencial de aquecimento global.

Além da agropecuária, esses gases têm suas principais origens na mudança do uso da terra, com o aumento do desmatamento, das áreas urbanizadas e das queimadas; nas atividades relacionadas ao uso de energias fósseis não renováveis, como a queima de gasolina pelos automóveis, do diesel e do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo – o gás de cozinha, de botijão) nas residências e, ainda, a atividade industrial, que emite 5% do total em seus processos industriais.

Na pecuária, são gerados, direta ou indiretamente, quatro dos principais GEEs:

  • Metano (CH4), produzido por bactérias no aparelho digestivo do gado.
  • Óxido Nitroso (N2O) liberado por micro-organismos no solo por diversos fatores, entre eles, o uso de fertilizantes químicos e de combustíveis fósseis – diesel e gasolina.
  • Ozônio (O3), também liberado pelas queimadas.
  • Dióxido de Carbono (CO2), responsável por 60% do efeito estufa, e também um dos gases de maior permanência na atmosfera: aproximadamente 100 anos.

Justamente por ser o maior responsável pelo efeito estufa, o dióxido de carbono serviu como base de padronização internacional na medição dos efeitos de todos os outros GEEs em equivalência com os efeitos do CO2. A partir desses cálculos comparativos, criou-se um indicador chamado CO2 equivalente (CO2e ou CO2eq), que significa “equivalente de dióxido de carbono” e mede, exatamente, quanto “efeito estufa” determinado GEE causa, comparado aos efeitos do CO2.

 

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