Pecuaristas-S do Acre abraçam causa sustentável há gerações

Fazenda que já é modelo em recuperação de nascentes terá apoio da Plataforma-S da Corteva para entrada no sistema de integração lavoura-pecuária

Desde 2005, a Fazenda Santa Gertrudes, localizada no município de Capixaba, no Acre, tem uma produção extra, além da cria e recria do gado, sua principal atividade: produzir água de qualidade. O precioso “produto” nasce a partir da recuperação de nascentes que estão dentro da fazenda e alimentam o Igarapé Jarina. Além de garantir a água para a produção da fazenda, o Jarina é afluente do Rio Acre, principal curso de água que corta o leste acreano e abastece toda a capital do estado.

Daquele ano para cá, Stella e Gilberto Pires, proprietários da fazenda, já recuperaram mais de 15 nascentes em suas terras, como conta Stella com orgulho: “Entendemos que temos essa responsabilidade com o meio ambiente e o ser humano”.

Todo o trabalho é conduzido por Stella desde a escolha da área e das espécies até o plantio das mudas. “Primeiramente cercamos a área, para que o gado não tenha mais acesso. Depois, plantamos as mudas de árvores nativas pioneiras, espécies adaptadas e árvores de madeira de lei”, explica Stella.

“Aqui na Santa Gertrudes temos itaúba, amarelão, copinho, miridiba, castanheira, brudão, baixinha, ingá de macaco, ingá de metro, buriti, paxiúba, andiroba, perero, copaíba, ipê amarelo, ipê roxo, ipê branco, mogno, cedro, freijó, guanandi, açaí, eucalipto, paricá, teca, aroeira, cerejeira, cumaru ferro, entre outras”. Como se vê, a lista de espécies é grande e variada.

Mas de onde vêm tantas mudas? Stella conta que, quando começaram a recuperação, foram incentivados a replantar árvores nas nascentes por sua sogra, Senhora Gertrudes Rodrigues de Oliveira Pires, que tinha no quintal de sua casa um pequeno viveiro, que ela mesma cuidava. Muitas das primeiras mudas das áreas recuperadas na Santa Gertrudes vieram desse pequeno viveiro doméstico e também do Viveiro da Fazenda São Luiz, que faz parte do Grupo BP. “Hoje as mudas são produzidas no viveiro que mantemos na própria fazenda, onde colocamos sementes para germinar, a maioria colhida nas fazendas do grupo, até chegar o período de chuvas quando, então, plantamos as mudas já brotadas nas nascentes”.

A natureza agradece. E a Corteva reconhece.

Foi justamente por essa verdadeira vocação sustentável que a Fazenda Santa Gertrudes e seus proprietários acabam de ser reconhecidos como Pecuaristas-S – programa da Plataforma-S, que reúne os compromissos e iniciativas de sustentabilidade da Linha Pastagem Corteva. Esse reconhecimento chegou à Santa Gertrudes em forma de apoio financeiro, técnico e logístico à atual recuperação de mais uma nascente e, ainda, à implantação de sistema de Integração Lavoura-Pecuária, já a partir deste segundo semestre do ano. Projetos que serão desenvolvidos pela Fazenda em parceria com a Corteva e a Casa da Lavoura Produtos Agropecuários, distribuidora Corteva na região, localizada em Rio Branco.

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Impactos positivos na natureza e na produção

O empenho da pecuarista na recuperação das nascentes gera uma série de resultados, trazendo mais sustentabilidade hídrica, ambiental, social e financeira da fazenda.

“Com acesso às áreas ao redor das nascentes e nas margens do igarapé, o gado acaba pisoteando e prejudicando o solo. O reflorestamento ajuda a evitar a degradação dessas áreas”, explica a médica-veterinária Mylla Oliveira, assistente técnica de geração de demanda da Corteva. “A recuperação das matas ciliares nas nascentes preserva o solo e evita a erosão, consequentemente melhorando a qualidade da água do igarapé”, referindo-se ao Igarapé Jarina, que passa no meio da propriedade.

Mylla destaca o impacto positivo na redução da poluição do ar. “O adensamento das árvores aumenta o sequestro de CO2, melhorando a compensação dos GEEs – Gases do Efeito Estufa, que causam o aquecimento global”.

Outro benefício de extrema importância é o bem-estar animal. Segundo a veterinária, “a recuperação das nascentes melhora também o bem-estar animal que, além de se beneficiar pela oferta de água de mais qualidade, ganha áreas de sombra próximas ao pastejo, que reduzem o estresse térmico” – fator que tem maior impacto na produtividade na região, devido ao clima extremamente quente e úmido quase durante o ano inteiro.

O estresse térmico é o conjunto das alterações que ocorrem no organismo animal na tentativa de reagir às condições ambientais – altas temperaturas, alta umidade do ar e excesso de radiação solar – que, quando ultrapassam a zona de conforto térmico do animal, aumentam sua temperatura corporal, com efeito negativo sobre o desempenho. “Na sombra, o animal melhora o controle térmico do corpo, favorecendo o melhor funcionamento de todo o organismo – com impactos na produtividade” complementa Mylla.

Sobre os impactos positivos da parceria Fazenda Santa Gertrudes com a Plataforma-S Corteva, André Coutinho, representante comercial da Corteva na região, faz questão de levantar ainda mais um benefício: o social. “Estamos entrando nesta parceria com apoio logístico e financeiro. Mas, no aspecto técnico e de sustentabilidade, temos muito a aprender, a partir da tradição e experiência que a Stella nos traz. Todo o conhecimento adquirido poderemos replicar em outras nascentes da região, com impactos diretos em comunidades rurais”.

Parceria vai além da recuperação de nascente

A Corteva também propôs à Stella e Gilberto Pires a implantação de um sistema de integração lavoura-pecuária, consorciando o cultivo de milho e da braquiária na renovação dos pastos. “A ideia de fazer a Integração Lavoura Pecuária é sempre muito bem acolhida pelos pecuaristas, porque traz muitos benefícios para a produção da fazenda”, justifica Mylla.

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De acordo com o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) publicado pelo Ministério da Agricultura para o ano safra 2021/2022 e que contemplou o estado do Acre, o consórcio do milho com a braquiária é possível graças ao diferencial de tempo e espaço no acúmulo de biomassa entre as espécies. A associação entre o sistema plantio direto e o consórcio entre culturas anuais e pastagens é uma das opções que apresenta maiores benefícios, como maior reciclagem de nutrientes, acúmulo de palha na superfície, melhoria da parte física do solo pela ação conjunta dos sistemas radiculares e pela incorporação e acúmulo de matéria orgânica, além de ser mais sustentável em relação ao cultivo convencional.

“Com essa consorciação, é possível obter um capim de melhor qualidade para o gado, o que diminui o tempo de pastejo na área; o gado engorda mais e mais rápido e, consequentemente, aumenta a produtividade na área”, complementa Mylla, sempre pensando na produtividade da fazenda com sustentabilidade. Fatores que estão sempre juntos, como demonstram todas as ações da Plataforma-S.

“A nossa parceria com a Plataforma-S iniciou-se há pouco tempo. E, no que depender do Grupo BP e de nós, Stella e Gilberto Pires, estamos dispostos a abraçar a causa da sustentabilidade, pensando no futuro dos nossos filhos e netos. E também do mundo inteiro”, finaliza Stella Pires, entusiasmada com as perspectivas. “Vamos juntos construir um futuro melhor, que começa hoje!”

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