Perspectivas para a atividade econômica brasileira

Inflação pode dificultar a recuperação da economia.

A situação econômica no segundo semestre de 2021 se mostrou mais otimista em relação à anterior.

Com a melhoria do cenário da pandemia e uma maior cobertura vacinal, os impactos da crise sanitária foram reduzidos, dando espaço para perspectivas mais positivas à economia brasileira.

A estimativa de crescimento para o PIB deste ano, segundo o Boletim Focus de 15 de outubro, é de 5,01%. Para 2022, o Banco Central estima uma recuperação da atividade econômica brasileira, marcada por um crescimento do PIB de 1,5% em relação a este ano.

Estimulada pelo bom desempenho da agropecuária, reformas econômicas e uma retomada, mesmo que compassada, do setor de serviços, a economia doméstica apresenta indícios de recuperação.

Entretanto, recuos nas projeções de crescimento do mercado para o PIB de 2022 têm ocorrido desde o segundo trimestre deste ano (figura 1).

Figura 1. Variações e projeções do Produto Interno Bruto (PIB)

* projeções para o PIB Fonte: Banco Central / Elaboração: Scot Consultoria

PIB do setor agropecuário

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a estimativa de crescimento do PIB para o setor agropecuário em 2021, de acordo com nova nota trimestral divulgada em agosto, é de 1,7%.

Houve um recuo frente à previsão anterior em que, de acordo com o Ipea, os principais riscos para o setor agropecuário se deram pelos impactos sofridos pelas adversidades climáticas em importantes culturas, como a do milho e o abate reduzido de bovinos.

A estimativa de crescimento em 2022 é de 3,3%, com previsões de alta de 1,8% na produção animal e 3,9% na produção vegetal, o que deve impulsionar o mercado doméstico.

Câmbio

No início deste ano, o Boletim Focus chegou a projetar estimativas do dólar para 2022 em R$4,90 e, na última publicação (15/10), as estimativas foram de R$5,25, patamares de preços firmes.

O câmbio deve ser um ponto de atenção, pois impacta diretamente os preços das commodities agrícolas. A cotação firme do dólar em relação ao real deve dar sustentação aos preços dos produtos agrícolas brasileiros e os torna ainda mais atrativos para o mercado internacional.

Do mesmo modo, a maior competitividade dos produtos para exportação pode acarretar ajustes nos custos de alguns insumos importados, como no caso dos defensivos, adubos, micronutrientes, entre outros, que afetam os custos produtivos dos pecuaristas.

Taxa de juros e inflação

Outro ponto de atenção deve ser relacionado à crise hídrica, devido às especulações sobre restrições de consumo de energia elétrica. Mesmo com uma tendência para registros de chuvas, é esperado que os impactos da crise se prolonguem em 2021/22, postergando decisões de investimento.

Com a expectativa de aumento de preços de commodities, riscos fiscais e escassez de água, altas na inflação são esperadas. Nas últimas análises realizadas pelo Banco Central, as previsões para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), referência para inflação no Brasil, se elevaram, com uma alta estimada em 4,18% para 2022.

Assim, pressionada pelo processo inflacionário, a expectativa é de aumento na taxa de juros, com alta prevista de 8,75% na taxa Selic, o que pode afetar a recuperação da economia. Sendo a Selic uma taxa básica de juros, pode-se esperar por impacto nas linhas de crédito, inclusive de créditos agropecuários.

Considerações finais

Mesmo com perspectivas positivas, o PIB continua pouco atrativo devido ao aumento da inflação que será sentida no próximo ano.

A identificação de medidas para prevenção aos novos riscos tem sido regularmente abordada, buscando implementar ações que reforcem a estabilidade econômica.

Amanda Skokoff – analista de mercado
Scot Consultoria

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