Melhore a qualidade da carne bovina com a ajuda da pesquisa genética

Embrapa Sudeste participa de pesquisa que analisa os genes responsáveis pela eficiência nutricional da carne da raça Nelore

qualidade da carne

Para você, quais são os fatores que influenciam na qualidade da carne? Maciez? Sabor? Quantidade de minerais? Já imaginou poder controlar tudo isso? Na certa, isso representaria um significativo aumento no lucro dos pecuaristas brasileiros. E como o Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, o impacto no cenário de vendas de carne seria imediato.

Eis que esse cenário pode vir a ser uma realidade. Uma pesquisa liderada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, e pela Embrapa Pecuária Sudeste, estudou a alteração do perfil de gorduras e de ácidos graxos presentes na carne por meio de seleção ou edição genômica. Outras instituições também participaram do estudo, como a Universidade de Iowa, de Nebraska e do Missouri, nos Estados Unidos, e o órgão de pesquisa agropecuária da Austrália, o CSIRO. Essa é a primeira pesquisa do tipo no mundo. Uma das principais identificações da pesquisa foram os conjuntos de genes que são responsáveis por variações na qualidade da carne, como teor de gordura, composição da gordura, maciez da carne, entre outras. Cada uma dessas características representa um conjunto de genes. O estudo tem possibilitado a percepção de como e quais desses genes trabalham juntos para modular ou controlar a variação de uma característica e quais vias biológicas estão relacionadas à síntese de ácidos graxos ou à adição de componentes no ácido graxo. Com isso, a meta é identificar como o funcionamento dos genes no músculo do Nelore pode ajudar a explicar as características de qualidade da carne dessa raça.

O objetivo do projeto é conhecer quais são os mecanismos biológicos envolvidos em cada característica da carne e como são controlados. Para isso, foram utilizados animais da raça Nelore, a raça de bovinos de corte mais predominante no Brasil. Os pesquisadores também fizeram um extenso trabalho ao caracterizar outras moléculas de RNA que interferem em como os genes funcionam, chamados de micro RNA. Essas pequenas moléculas impedem um gene de se expressar. Dessa forma, apesar do gene produzir um RNA mensageiro para que produza proteína, o micro RNA bloqueia a função do RNA mensageiro. A propósito, esta é uma das maiores contribuições do projeto: mostrar as relações entre diferentes genes.

Na prática, as características da carne poderiam ser controladas por meio de edição genética, em que é possível reproduzir aquilo que já existe na natureza. Isso já é verificado, por exemplo, na mutação que define que o animal tenha ou não chifre natural. Quando essa mutação é conhecida pelo pesquisador, pode-se descrever tanto o gene como a mudança de sequência que faz com que o animal tenha ou não chifre. Assim, é viável, a partir de um touro com chifre, produzir embriões desse touro com uma mutação igual à mutação que já existe na natureza. Com técnicas de biologia molecular, o pesquisador pode mudar a sequência de DNA das crias desse touro exatamente naquele ponto que vai fazer com que o animal não tenha chifre. “O que nós estamos estudando é a possibilidade de usar essa mesma estratégia para produzir animais com melhor perfil de ácidos graxos, com maior conteúdo de minerais ou com carne mais macia, que são as características que interessam ao pecuarista e ao mercado consumidor”, afirma Luciana Correia de Almeira Regitano, pesquisadora da Empraba Pecuária Sudeste.

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“Estamos trabalhando para que, a partir desse conhecimento, seja possível desenvolver uma tecnologia que nos permita selecionar os animais com base nessa informação. A informação que nós temos vem da expressão dos genes”, conta Luciana. O desafio agora é transformar todo esse conhecimento em tecnologia, que colabore para a melhoria da qualidade da carne bovina.

Já pensou como essa pesquisa pode favorecer ainda mais o mercado brasileiro? Bom trabalho aos pesquisadores! Continuaremos acompanhando as novidades por aqui.

Os números da pesquisa:

– Foram utilizados 30 touros e 2 mil vacas

– Eles geraram 800 novilhos de onde foram coletados os dados de produção e qualidade da carne para a investigação.

 


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