Pior seca do século impacta agronegócio

Falta de água encarece insumos, reduz a produção, traz insegurança energética e preocupa agricultores e pecuaristas

O Brasil vive a pior seca dos últimos 111 anos, de acordo com os serviços meteorológicos. O alerta preocupa e vale para cinco estados – Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Os impactos da falta de chuva nessas regiões atingem desde a produção de alimentos, como grãos e leite, até a criação de animais e o setor energético. A bacia do rio Paraná fica localizada nesses estados, considerados importantes centros de produção agropecuária e de energia hidrelétrica.

A crise hídrica preocupa os produtores tanto pela possibilidade de queda na produção quanto pelo aumento dos custos e coincide com o crescimento da demanda por energia elétrica, especialmente pela indústria, com a retomada da economia. A grande questão é o efeito cascata – com o encarecimento da energia elétrica, os insumos ficam mais caros, aumentando também o preço dos itens produzidos na lavoura, necessários para alimentar os seres humanos e os animais. A estiagem prolongada ainda prejudica a qualidade do pasto e a oferta de água para os rebanhos, diminuindo a produtividade. Tudo isso reflete no preço das carnes, do leite e seus derivados, e chega no bolso do consumidor final.

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Manejo correto da água é fundamental para superar a seca e evitar impactos na pecuária

Segundo o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Julio Cesar Pascale Palhares, o Brasil é um dos principais produtores de commodities agropecuárias e, apesar de possuir uma condição considerada de conforto hídrico, precisa agir no presente para assegurar as produções futuras. “Secas intensas, chuvas fora do padrão histórico e demanda de consumo de água maior do que a oferta serão realidades cada vez mais frequentes em nosso país e no mundo. Isso é resultado de vários fatores que contribuem isoladamente ou em conjunto, como as mudanças climáticas e o desmatamento. Não existe produção de alimentos sem água em quantidade e com qualidade. Então, qualquer evento de escassez hídrica irá afetar a produção e a produtividade dos sistemas agropecuários, o que acarreta perdas econômicas para o produtor e para sociedade”, destaca.

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O pesquisador ressalta a necessidade de o país estar preparado hidricamente e aponta que esse conceito inclui:

– O reconhecimento da água como um recurso natural finito, com uso de práticas e tecnologia para garantir a eficiência no uso.

– Gestão da água com compatibilização da disponibilidade e das demandas.

– Conhecimento técnico para manejar a água em um sistema de produção animal como alimento insumo e recurso natural.

– Promover sistemas de produção viáveis na dimensão ambiental, social e econômica.

“Acredito que estejamos parcialmente preparados no contexto hídrico. Entretanto, dentro do Reconhecer, Entender, Dispor e Decidir (REDD) ainda faltam muitas coisas, como, por exemplo, medir o consumo de água dos sistemas de produção. Se a água é essencial, mensurar o seu consumo também deve ser fundamental, pois saberemos como a utilizamos e consumimos, propondo intervenções para que o uso seja mais eficiente. Com a organização de dados e informações será possível analisar, gerar conhecimento e produzir proteína animal com eficiência hídrica e conservação dos recursos naturais”, explica Palhares.

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Boas práticas hídricas minimizam efeitos da seca

O especialista afirma que já houve eventos de secas suficientes para saber o quanto a água é necessária para a pecuária produzir com qualidade e quantidade. Porém, a falta de conhecimento dos produtores e dos profissionais agropecuários no manejo hídrico na produção animal, somada às questões culturais de que a água é um recurso abundante e barato, promove desperdício e impactos ambientais negativos. “Superar um evento de escassez hídrica quando se está o vivenciando é de alto custo. Por isso, a melhor forma é ser preventivo. É essencial implantar boas práticas hídricas que irão auxiliar na redução dos efeitos da seca como a diminuição da demanda de água pelo sistema de produção, práticas relacionadas à nutrição animal, uso direto da água na irrigação, lavagem de equipamentos, entre outros e armazenamento de água no período de chuvas em açudes, cisternas ou práticas de conservação no solo, por exemplo”, observa.

Dentro desse contexto, Palhares lembra ainda que as legislações ambientais ficarão cada vez mais restritivas quanto ao uso da água e o descarte de efluentes, e a sociedade como um todo irá exigir que a produção animal seja eficiente hidricamente. “Se todos têm esses conhecimentos, devemos começar a agir imediatamente. Caso contrário, a água poderá ser uma das maiores ameaças para a continuidade das atividades pecuárias em determinadas regiões do Brasil, seja pela reduzida disponibilidade ou padrões de qualidade inadequados para os diversos usos da produção animal”, conclui.

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2 respostas para “Pior seca do século impacta agronegócio”

  1. Avatar Renata - Acre (AC) disse:

    Coma crise hídrica, já passou da hora de repensarem esse modelo de pasto, que apenas danifica o solo e não favorece em nada para o meio ambiente,
    Sugestão, façam uma matéria sobre a pecuária em agroflorestas

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Oi Renata. Agradecemos pela sugestão. Aqui no Pasto Extraordinário sempre informamos e recomendamos a forma mais sustentável de produção.

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