Previsão para o leite no 2º semestre

Com a produção em alta e o consumo patinando, a previsão é de queda para o leite pago ao produtor.

previsão para o leite

O momento é de cautela no mercado do leite, já que, além do aumento da produção nos próximos meses, não é esperada uma reação mais forte do consumo interno. Com isso, o viés é de baixa para o segundo semestre, sendo que a intensidade da queda será determinada pela demanda na ponta final da cadeia.

Entretanto, é importante destacar que apesar da queda prevista no preço do leite pago ao produtor nos vencimentos seguintes, os custos de produção deverão recuar a partir de setembro/outubro, com a retomada das chuvas e melhoria das condições das pastagens.

Breve histórico

Os preços do leite para o produtor subiram no primeiro semestre deste ano. Considerando a média nacional dos dezoito estados pesquisados pela Scot Consultoria, a valorização foi de 12,1% no período.

Com a produção recuando nas principais bacias leiteiras desde o final do ano passado (entressafra), já era esperado um cenário de preços em alta.

Observe na figura 1, no entanto, que o incremento foi menor comparativamente com os primeiros seis meses do ano passado, quando o leite subiu, em média, 19,7%.

Figura 1.
Evolução dos preços do leite pago ao produtor, média nacional, em R$ por litro, sem o frete.

Previsão para o leite
Fonte: Scot Consultoria

Naquele momento, além da oferta interna mais ajustada, em função da queda na produção nacional nos anos anteriores, a greve dos caminhoneiros no fim de maio e começo de junho prejudicou a captação da matéria-prima, o beneficiamento e a distribuição dos produtos lácteos, fato que agravou a questão da disponibilidade interna e fez o preço subir com mais força.

Este ano, além da produção de leite retomando o crescimento, a demanda interna não tem evoluído na mesma proporção. Essa dificuldade de escoamento foi o principal fator limitante das altas de preços do leite ao produtor e dos lácteos no atacado e varejo.

Segundo a Pesquisa Trimestral do Leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional nos primeiros três meses deste ano (últimos dados disponíveis até a edição deste artigo) aumentou 3% em relação ao mesmo período do ano passado.

No último mês de junho, segundo o Índice Scot Consultoria de Captação, o volume de leite captado cresceu 4,1% frente a junho de 2018.

Do lado da demanda, por sua vez, os indicadores mostram uma dificuldade de evolução do consumo no mercado interno, devido aos reflexos da crise econômica no país.

Tomando como exemplo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve alta de 2,2% em junho, depois de quatro meses consecutivos do indicador em queda (figura 2).

Figura 2.
Evolução do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV.

Previsão para o leite
Fonte: FGV / Elaborado pela Scot Consultoria

O peso da safra no preço do leite

A produção de leite aumentou em junho no Sul do país com as pastagens de inverno.

O volume captado também cresceu em importantes bacias leiteiras de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, em função do clima mais favorável este ano (chuvas) e recuo nos preços dos alimentos concentrados. Historicamente, a produção nesses estados começa a reagir em julho/agosto, dependendo do ano.

Esse incremento antecipado na oferta de leite cru fez o “mercado virar”, ou seja, os preços pagos ao produtor, que vinham em alta desde o começo do ano, pararam de subir no pagamento realizado em junho e os dados parciais apontam para queda nos valores pagos em julho.

Para o pagamento de agosto em diante, o movimento de baixa no mercado do leite deverá ganhar força. É o período de safra e, consequentemente, de aumento da oferta de leite no país.

No caso do Brasil Central e da região Sudeste, a produção de leite deverá seguir aumentando até o pico, normalmente, em dezembro ou janeiro.

Leia também: Pecuária de corte e leite em números: rentabilidades em 2018 e 2019

Já no Sul do país, a previsão é de crescimento da oferta até agosto/setembro, quando os animais são retirados das pastagens de inverno, o que impacta na produção nessa região, que seguirá em um viés de estabilidade à queda nos meses seguintes.

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Autor: Rafael Ribeiro – zootecnista, msc.

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