Produção de pastagens: o potencial de diferentes sistemas

Temos visto projetos de produção em pasto sem o uso de irrigação com produtividade em torno de 50@/ha/ano.

producao de pastagens

O Brasil tem como principal fonte alimentar para a pecuária de corte e leite as pastagens, inclusive as mais baratas.

Nosso país tem uma vasta extensão territorial, em que aproximadamente 170 milhões de hectares são ocupados por pastos.

Entretanto, desse montante, estima-se que aproximadamente 95,9% esteja em processo de degradação (Dias-Filho, 2014).

O objetivo do artigo é trazer ao leitor os diferentes tipos de sistemas de produção de pastagens e os resultados obtidos a partir deles.

Pastagem degradada

A grande maioria das pastagens brasileiras encontra-se em algum estágio de degradação. Entende-se por degradação a perda do vigor produtivo da planta e sua capacidade de colonização do espaço.

Entretanto, é importante levar em consideração que um pasto que não esteja expressando seu potencial máximo de produtividade seja necessariamente improdutivo.

Vemos em nosso país extensas áreas de pastagens, utilizadas na sua grande maioria em sistemas de lotação contínua, que de fato não são intensificadas, almejando seu potencial máximo de produção.

Quando trabalhamos com pastos extensos, com áreas muitas vezes superiores a 100 hectares, temos dificuldade de manejá-los em virtude do tamanho.

Os animais selecionam alguns pontos do pasto, deixando-os mais baixos (superpastejo), e rejeitam outros pontos, que, consequentemente, ficarão mais altos (subpastejo). O resultado disso é um pastejo heterogêneo, criando gradientes de alturas no pasto.

Essa é a realidade de pastos grandes, pois, na maioria das vezes, é inviável dividi-los para melhorar a eficiência de colheita. A fazenda pode trabalhar com pastos grandes, desde que faça os ajustes periódicos da taxa de lotação animal (UA/ha).

Qual a saída para diminuir o problema de heterogeneidade de pastejo?

Recomenda-se que em pastos originalmente grandes, sejam implantadas gramíneas forrageiras de porte mais baixo, como as do gênero Brachiaria, por exemplo. Não é recomendado, nesse caso, gramíneas do gênero Panicum.

Diante do exposto, considerar lotações em torno de 1 UA/ha (UA= Unidade Animal; ha= hectare) em pastagens em lotação contínua não significa que esse sistema necessariamente seja improdutivo.

Leia também: Como calcular a taxa de lotação das pastagens?

Essas lotações são muito frequentes em fazendas que trabalham com atividade de cria e são eficientes agronômica, zootécnica e economicamente. De fato, para atingir essas lotações, o desembolso é menor com o uso de insumos para o pasto.

Muitas vezes, o produtor faz o controle de plantas daninhas nessas áreas para diminuir a competição com o pasto.

Entretanto, pastagens que não estão expressando seu potencial de produção podem, de alguma forma, estar trazendo prejuízos ao produtor.

Por vezes, a capacidade de suporte desse pasto é tão baixa que inviabiliza sua manutenção da forma que está. Nesses casos, o ideal é que essa pastagem passe por processo de recuperação ou até mesmo de reforma.

Pastagem sequeiro

Há projetos de produção de pastagens sem o uso de irrigação com produtividade em torno de 50@/ha/ano. Sabemos que o potencial para esse tipo de produção é ainda maior.

Qual o segredo para atingir altas lotações sem o uso de irrigação?

  1. Correção da fertilidade do solo;
  2. Escolha de espécie forrageira que responda à fertilidade do solo;
  3. Adequado manejo do pastejo;
  4. Animais de genética superior;
  5. Suplementação animal adequada.

Quando o objetivo é trabalhar com altas produções, mesmo sem irrigação, é inevitável utilizarmos sistemas de lotação rotativa.

O principal objetivo de fazer divisões na pastagem é aumentar a eficiência de colheita do pasto pelo animal. Quando em uma mesma massa de forragem aumentamos a eficiência de colheita, temos menos perdas por pastejo e, consequentemente, podemos aumentar a lotação animal.

Em um sistema intensivo de produção, a produtividade é dada pelo ganho médio diário (GMD – kg de peso vivo/animal/dia) multiplicado pela taxa de lotação (cabeças/ha).

Com aumento em produtividade ou valor nutritivo do pasto, não alteramos demasiadamente o componente GMD.

Entretanto, com aumento da produtividade do pasto e um manejo eficiente do sistema, aumentamos em muito a taxa de lotação, elevando a produtividade.

Diante disso, verificamos que é mais importante melhorar a eficiência de colheita do pasto do que aumentar seu valor nutritivo, pois isso gera aumento em taxa de lotação, ou seja, o manejo do pastejo deve ser muito bem conduzido.

Sistemas intensivos de produção em sequeiro têm feito uso de suplementação proteica e energética para os animais.

De fato, quando se tem pasto em quantidade e qualidade, os animais respondem positivamente em GMD quando suplementados. Em casos de níveis elevados de suplementação, há também respostas de elevação da taxa de lotação do sistema (efeito substitutivo – < consumo de pasto e > consumo de suplemento).

Pastagem irrigada

O uso de pastagens irrigadas tem proporcionado produtividade acima de 100@/ha/ano.

Nesse sistema de produção, a reposição de nutrientes em elevadas taxas é fator obrigatório para que elevadas taxas de produtividades sejam atingidas. Não se irriga pasto sem trabalhar com altas adubações.

Sistemas de irrigação de pastagens, preferencialmente, devem ser estabelecidos em projetos pecuários que não conseguem mais intensificar somente por meio de adubação de pastagens, suplementação animal e manejo do pastejo. Nesse sistema, o que está limitando é a água. Por isso, a decisão por um sistema de irrigação.

Projetos pecuários sem irrigação de pastagem, com o uso assertivo de insumos e técnicas de manejo, podem atingir produtividades iguais às alcançadas com sistemas irrigados.

Por meio da irrigação e consequentemente da adubação, o crescimento do pasto é muito rápido. Vemos casos em que o período de rebrota do pasto é de apenas 10 dias (autor).

Nesse caso, o produtor ou técnico que faz a tomada de decisão do manejo do pastejo deve estar atento para que a entrada dos animais no pasto não ocorra quando já passou do ponto.

Leia também: Altura do capim na entrada do gado como ferramenta de manejo de pastagens

Observamos projetos de pastagem irrigada em que se perde o ponto de entrada dos animais do pasto.

A consequência disso é um prejuízo ao desempenho dos animais e a necessidade do uso de roçadeira para correção da altura pós-pastejo.

Para reflexão

  1. Se a lotação do seu pasto é baixa, não significa que ele é improdutivo;
  2. Se seu pasto apresenta alta incidência de plantas daninhas e pouco capim, significa que ele é improdutivo;
  3. Pasto em sequeiro pode sim apresentar alta produtividade;
  4. Pasto em sequeiro deve explorar o potencial de produção na época das chuvas;
  5. Pasto irrigado deve obrigatoriamente ser adubado (autor);
  6. Pasto irrigado deve receber atenção especial quanto ao manejo do pastejo para não passar do ponto.

Autor: Leandro Martins Barbero, zootecnista e mestre em Zootecnia (UEM), doutor em Ciência Animal e Pastagens (USP/ESALQ/MASSEY UNIVERSITY). Professor e pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia. Coordenador do projeto Boi a Pasto. leandrobarbero@ufu.br

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*