Pastagens recuperadas pelo Programa Agricultura de Baixo Carbono crescem 98% no segundo semestre de 2020

Índice refere-se ao crescimento da área tratada em relação ao mesmo período do ano anterior

No segundo semestre de 2020 (de julho a dezembro), a área de pastagens recuperadas com financiamentos do Programa ABC de fomento a tecnologias sustentáveis que, na pecuária, acabam contribuindo para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), atingiu a marca de mais de 372 mil hectares, o que corresponde a um crescimento de 98% da área em comparação ao mesmo período de 2019. O investimento, considerando somente a tecnologia de recuperação de pastagem, foi superior a R$ 876 milhões, 35% maior que o registrado anteriormente. No total, o Plano ABC já investiu quase R$ 2 bilhões apenas nesse semestre, somando-se todas as 10 linhas de financiamento.

Esses resultados, apresentados por Mariane Crespolini, diretora de Produção Sustentável e Irrigação do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), comprovam que sustentabilidade e produtividade andam juntas.

Em entrevista exclusiva, Crespolini ressalta a importância da inovação, “a palavra que sintetiza todos os avanços no crescimento da produtividade e na preservação do meio ambiente”, enfatizando a necessidade de melhor gestão financeira nas fazendas, possibilitando a introdução de novas tecnologias que aumentem não só a lotação dos pastos, mas também a produtividade por área. “A modernização da pecuária brasileira permite ao país multiplicar a produção sem a necessidade de expansão das áreas de pastagem. A pecuária é parte da solução. Os investimentos na recuperação dos pastos brasileiros alcançam o tripé da sustentabilidade: melhoram a renda do produtor, ao reduzir o custo por arroba produzida; geram mais e melhores empregos; e produzem uma carne de maior qualidade. Além disso, sequestram carbono no solo: temos exemplos reais de propriedades em que a pastagem e os componentes florestais chegam a neutralizar todas as emissões de gases de efeito estufa dos bovinos – a carne carbono neutro”.

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O Plano ABC, a pecuária e o meio ambiente

Conforme aponta um estudo realizado pela Embrapa no ano passado, “atualmente, o grande desafio para o setor é manter a trajetória de aumento constante da produção, gerando segurança alimentar com sustentabilidade socioambiental. Esse desafio surge em meio aos debates e às pressões sociais por um novo modelo de desenvolvimento, que seja capaz de conciliar crescimento econômico e conservação do meio ambiente, aumentando a resiliência dos sistemas produtivos e reduzindo e/ou mitigando as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)”.

Nesse sentido, a degradação das pastagens torna-se um dos principais problemas enfrentados pela pecuária brasileira. Um levantamento realizado pelo Lapig/UFG aponta que o país possui mais de 90 milhões de hectares de pastagens que apresentam algum tipo de degradação, dos quais, 40 milhões de hectares estão em estágio bastante avançado – mais da metade dos 170 milhões de hectares de pastagens totais estimados.

Essas pastagens mal manejadas e degradadas resultam em baixa produtividade por animal e por área, devido à perda de matéria orgânica (MO) e à diminuição da atividade de microrganismos do solo, o que resulta em maior emissão de CO2 e outros GEE, além de favorecerem processos erosivos. A recuperação e intensificação dessas áreas de pastagens permitem aumentar a capacidade de suporte animal e evitam a necessidade de se ocupar novas áreas destinadas à exploração com pastagens para o crescimento da produção.

Com o Plano ABC, o Brasil foi pioneiro em reunir estratégias de fomento de tecnologias sustentáveis, visando à consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono na agricultura e que, ao longo de seus dez anos, tornou-se o maior plano de fomento a tecnologias sustentáveis de produção do mundo. Fundamentado em bases científicas e tecnológicas, o Plano ABC reuniu as mais eficientes tecnologias de produção, que resultam em ganhos produtivos, longevidade, resiliência e contribuem também para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Essas tecnologias envolvem a recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas e tratamento de dejetos animais. De 2010 a 2018, mais de 26,8 milhões de hectares de pastagem já foram recuperados, uma área maior do que o Reino Unido. A Figura 1, abaixo, ilustra uma clara redução das áreas em vermelho, consideradas severamente degradas em 2010 e que hoje estão em boas condições.

Figura 1: Redução das áreas de pastagem degradada no Brasil, 2010 a 2018.

Fonte: Lapig/UFG, levantamento realizado para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 2020.

Neste Ano Safra 2020-2021, o programa conta com R$ 2,5 bilhões para financiamentos, com taxas de juros que vão de 4,5% a 6% ao ano.  Além disso, o programa dispõe da linha de financiamento ABC Ambiental para que o produtor rural possa se adequar ao Código Florestal por meio da recuperação de reserva legal, áreas de preservação permanente, recuperação de áreas degradadas e implantação e melhoramento de planos de manejo florestal sustentável.

Animada com os indicadores, Crespolini completa: “o Plano ABC é um importante instrumento para o pecuarista se modernizar e atender às crescentes exigências do mercado. Esses resultados demonstram que a pecuária, via manejo de pastagem e adoções de tecnologia, sempre baseada em critérios científicos, é uma atividade fundamental nas estratégias de clima. Cabe ressaltar que o MAPA, muito em breve, entregará as estratégias para os próximos dez anos do Plano ABC, estimulando ainda mais a intensificação sustentável e agregação de valor da pecuária brasileira”.

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