Programas de melhoramento genético: o serviço especializado para o criador

Os programas fornecem informações sobre o valor genético dos bovinos, o que auxilia o processo de seleção do rebanho e a venda dos animais avaliados.

Programas de melhoramento genético

Dando sequência à série de genética, neste terceiro texto, falaremos sobre os programas de melhoramento genético de bovinos.

Mas antes, como os textos são complementares, para melhor aproveitamento do conteúdo sugerimos a leitura dos textos anteriores.

No primeiro artigo “O que os olhos não veem, mas o bolso sente”, falamos de maneira prática o que é a genética e qual o seu papel na pecuária, e no segundo texto “Qual melhor tecnologia reprodutiva para sua fazenda?, abordamos as vantagens e as desvantagens da inseminação artificial.

Ao longo dos dois textos, explicamos a importância de selecionar animais geneticamente superiores e transmitir seus genes para as próximas gerações.

Para avaliar e identificar quais são esses melhores animais é que existem os programas de melhoramento genético.

Atualmente, existem dezenas deles no Brasil, e alguns dos maiores programas são realizados pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) e pela EMBRAPA.

O programa da ANCP avalia animais da raça Nelore, Guzerá, Brahman e Tabapuã. Já os programas Geneplus, da EMBRAPA, avaliam animais das raças zebuínas e também de outras linhagens, tais como animais da raça Senepol e Hereford.

Basicamente, o funcionamento do programa se dá através do acompanhamento técnico da coleta de dados zootécnicos, desde o nascimento do animal até o abate.

Coleta de dados

Em geral, as características mensuradas nos programas envolvem a capacidade e a velocidade de crescimento dos bovinos, medindo, por exemplo, o ganho de peso dos animais em diferentes fases da vida (desmame/sobreano) ou dias para atingir determinado peso.

Outras características mensuradas envolvem a habilidade materna, ligada à produção de leite da matriz e facilidade de parto.

Normalmente, a fertilidade dos animais medida através do perímetro escrotal, idade ao primeiro parto e intervalo entre partos, também é mensurada. Alguns programas focam a seleção também em avaliações visuais dos animais por meio das classificações de conformação, musculosidade, tamanho e de acabamento de carcaça.

Após esse rol de características serem medidas, por análises estatísticas, os programas conseguem predizer o valor genético do bovino.

E é por meio dessas informações geradas que o pecuarista consegue realizar todo o trabalho de seleção e melhoramento de seu rebanho, viabilizando o incremento de genes ligados às características produtivas e reprodutivas, que aumentam a eficiência produtiva dos animais.

Em termos práticos, se o produtor acompanha todos os indicadores produtivos do seu animal e identifica que a genética do Touro X é capaz de proporcionar, por exemplo, um maior ganho de peso nos animais, obviamente, esse produtor deve selecionar esse animal para ser o pai das próximas gerações.

Existem fazendas que comercializam touros avaliados e, em média, o preço por cabeça é de R$ 10 mil. Contudo, quanto melhor for a genética do touro, maior é seu preço. Existem animais em centrais de inseminação que valem cerca de R$ 3 milhões.

Rebanhos comerciais

A fazenda não precisa estar focada na criação de animais de elite para implementar um programa de melhoramento genético.

Este também é um serviço que está disponível para criadores comerciais e traz diversos retornos econômicos, seja pela venda de reprodutores, seja pela melhoria na produtividade dos animais da “base” do rebanho.

Para o produtor que deseja fazer parte de um programa, o primeiro ponto é escolher um programa que trabalhe com a mesma raça e, de preferência, com o mesmo sistema de produção.

E cada programa de melhoramento genético tem suas particularidades, como, por exemplo, a base de dados estatísticos e a quantidade de características que são avaliadas.

Para ilustrar, existem programas especializados, por exemplo, em avaliar características de ganho de peso de animais zebuínos criados a pasto, e programas especializados em avaliar características de marmoreio em animais confinados de raças europeias.

Por isso, é importante ter em mente qual é o objetivo de seleção dentro da sua fazenda. No mais, dentro do programa existem alguns procedimentos básicos, como por exemplo, a frequente pesagem dos animais e o prazo para coleta e envio de dados.

Para isso, o pecuarista precisa dispor de infraestrutura e processos de manejos adequados para que o programa possa ser aplicado corretamente e traga os resultados desejados.

O produtor também terá que fazer alguns controles obrigatórios, como por exemplo, a genealogia dos animais (saber o pai e a mãe de todos os bezerros).

Apesar de todos esses processos, os programas de melhoramento genético existem para melhorar os índices produtivos do rebanho e os resultados da atividade.

E por mais que poucos pecuaristas adotem essa ferramenta, sua importância é mais do que clara ao selecionar os animais mais precoces, produtivos e eficientes.

Autora: Marina Zaia – médica veterinária 

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*