Projeções para o mercado do boi gordo no segundo semestre

Expectativas são positivas para os preços, mas incertezas devido à Covid-19 mantêm o alerta.

O mercado do boi gordo trabalhou com força total no último trimestre de 2019, mais acirrado em outubro e novembro. A partir de dezembro, com as fortes altas acumuladas, começou a ocorrer um ajuste negativo.

Em janeiro e fevereiro deste ano, com o consumo de carne bovina mais lento, típico do período, influenciado pelas contas adquiridas no final de ano e os impostos incidentes no começo do ano, o mercado continuou pressionado.

De meados de março em diante, com a pandemia do novo coronavírus e as medidas adotadas de isolamento, tais como o fechamento de bares, restaurantes etc., a demanda interna por carne bovina foi bastante prejudicada. Entretanto, as exportações brasileiras aquecidas e a menor oferta de bovinos para abate, em um ano de retenção de fêmeas, deram sustentação aos preços da arroba do boi gordo em plena safra.

Em junho, com a entressafra e menor oferta de boiadas para abate, o mercado do boi gordo ganhou sustentação e os preços subiram.

Aqui vamos olhar um pouco adiante e tentar avaliar o que esperar do mercado pecuário para o segundo semestre de 2020.

Do lado da oferta de animais terminados e da demanda para exportação, os fundamentos de mercado são positivos, mas é importante destacarmos as incertezas com relação aos reflexos em médio e longo prazo sobre a renda da população, que poderá impactar na demanda doméstica por carne bovina.

Variações históricas no 2º semestre do ano

Tipicamente, no mercado do boi gordo, os preços do segundo semestre são maiores que os do começo do ano. Isso é observado por alguns fatores:

  • Entressafra: período no qual há menor disponibilidade de pastagem pela redução das chuvas. Isso afeta a oferta de gado e tende a gerar preços maiores, quando analisamos uma série histórica.
  • Aumento no abate de fêmeas: no primeiro semestre há um volume importante de fêmeas que são enviadas para o gancho após a estação de monta. Parte das fêmeas que não emprenhou na estação de monta, que normalmente ocorre entre o final e o início do ano, é mandada para o frigorífico.
  • Contratações temporárias e décimos terceiros salários: um terceiro ponto que colabora com o cenário de preços em alta no segundo semestre é a demanda, que tipicamente melhora no período. Enquanto o primeiro trimestre tende a ser o pior quanto ao consumo, pelas contas e impostos que citamos, esses fatores, típicos do final do ano, incrementam a renda do trabalhador, aumentando o poder de compra da população.

A figura 1 mostra a variação dos preços do boi gordo comparando o segundo semestre com a primeira metade do ano, desde 2015.

Figura 1.
Variações de preços médios do boi gordo no segundo semestre, em relação ao primeiro semestre.

mercado do boi gordo no segundo semestre
Obs: considera valores nominais e preços médios em cada semestre.
Fonte: Scot Consultoria

Na média do período analisado, as cotações do boi gordo no segundo semestre foram 5,6% maiores que no primeiro, em média.

Outro ponto que merece destaque é que, mesmo após anos de altas importantes no período, como foram em 2006 e 2007, é possível ter um ano positivo para a movimentação de preços, vide 2008.

Expectativas para o mercado do boi gordo segundo semestre de 2020

A expectativa é de mercado firme e altas nos preços da arroba não estão descartadas em curto e médio prazos.

Um cenário de retenção de fêmeas colabora com o mercado mais firme ao longo do ano.

No mais, quanto ao confinamento, estimamos queda no número de animais confinados no primeiro giro, devido à alta nos preços do milho, preços dos animais de reposição em alta e pouca atratividade da atividade verificada nos últimos meses. Isso deverá manter um intervalo de menor oferta de animais para abate, até a chegada do segundo giro de animais.

Quanto à demanda, temos o mercado doméstico e as exportações.

Espera-se que a demanda chinesa pelas diversas proteínas continue crescente em 2020, como abordado no texto China: projeções de produção e demanda por carnes. Não são esperados picos de preços da carne exportada, como em 2019, o que colaborou com a força das altas para o boi gordo, mas a boa demanda externa deverá ajudar no escoamento da produção e sustentação dos preços na segunda metade do ano.

De qualquer forma, no mercado doméstico, a retração da economia, com previsão de queda de 6,6% no PIB em 2020, frente a 2019 (Boletim Focus de 26/6/2020) deverá impactar de alguma maneira o consumo interno de carnes, sem falar das medidas de isolamento e quarentena, que refletirão sobre as festas e comemorações de finais de ano, que em anos normais tendem a puxar o consumo no país.

Autor: Hyberville Neto – médico veterinário, msc.

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