Projeto confirma que pecuária a pasto sustentável é mais rentável

Resultados comprovam que tecnologia e boas práticas potencializam a produtividade da pecuária a pasto e, ao mesmo tempo, sequestram carbono da atmosfera

É possível aumentar a produção de proteína animal para atender às demandas alimentares da população mundial nos próximos anos e, ao mesmo tempo, reduzir os efeitos da pecuária nas mudanças climáticas, mitigando a emissão de carbono e de outros Gases de Efeito Estufa (GEEs)? Melhorar o bem-estar animal e a sustentabilidade social? Tudo isso sem reduzir a rentabilidade da fazenda?

A resposta a essas perguntas é um retumbante “SIM!”, com ponto de exclamação, para enfatizar não só as possibilidades da pecuária e da agricultura sustentáveis como também as oportunidades que representam para os produtores, às comunidades rurais e para a segurança alimentar do planeta.

Essas são as principais confirmações de um estudo da Embrapa Meio Ambiente para auxiliar pecuaristas de variados portes e sistemas produtivos a estabelecerem protocolos na produção mais sustentável de carne bovina. 

O projeto é uma iniciativa do instituto de pesquisa WRI Brasil e da Embrapa Meio Ambiente com o apoio da Corteva, por meio da Plataforma-S, em parceria com a Minerva Foods, uma das líderes na América do Sul na produção e comercialização de carne in natura e seus derivados e exportação de gado vivo. Essa parceria integra o Programa de Baixa Emissão de Carbono da Minerva Foods, que pretende zerar suas emissões líquidas de carbono (Net Zero), até 2035.

Segundo o relatório prévio, nessa fase participaram do levantamento 31 fazendas, entre as quais nove são clientes Corteva. Os resultados iniciais do projeto apontam que a maioria das 31 fazendas analisadas sequestrou mais carbono do que emitiu. Desse total, entre as nove propriedades de clientes Corteva, apenas uma delas apresentou saldo positivo de emissões de GEEs (540 tCO2eq/1.000 cabeças de gado) mas, ainda assim, muito abaixo da média da produção pecuária brasileira (1.524 tCO2eq/1.000 cabeças).

Esse resultado mostra como ser sustentável é mais rentável do que não ser, conforme atesta William Marchió, consultor da Criatec Consultoria em Agronegócios e PMO do projeto: “A adoção de tecnologias de baixo carbono do Plano ABC é mais rentável para o produtor do que aqueles métodos empregados na agricultura e na pecuária tradicionais. Isso faz com que os produtores migrem para os meios tecnificados. Por essa razão, desde o início desse projeto tínhamos plena consciência de que a pecuária nacional pode ser sustentável”.

Entenda o projeto

De acordo com Taciano Custódio, Diretor de Sustentabilidade da Minerva Foods, o estudo reconhece e demonstra o importante papel dos produtores brasileiros na proteção do meio ambiente.

“Há um ‘gap’ gigantesco na comunicação internacional sobre a produção no Brasil”, afirma. “O que se entende como risco, que é a carne produzida em regiões de floresta, nós vemos como o maior ativo de todos, pois, além de observar protocolos internacionais, os produtores cumprem um dos Códigos Florestais mais modernos e exigentes do mundo. Então, o ‘steak’ que vem desses sistemas e biomas auxilia na manutenção de uma quantidade de carbono orgânico preservado que nenhum outro no mundo possui”.

Com um olho no futuro do planeta e outro no mercado, ao mesmo tempo em que atesta o imenso potencial sustentável da produção brasileira, esse projeto procura conectar os produtores às novas demandas dos mercados compradores e dos consumidores sobre sustentabilidade, a partir da implementação de ferramentas resultantes de um modelo padronizado e aceito globalmente – o Protocolo GHG.

Trata-se de um pacote de padrões, orientações, ferramentas e treinamentos para que empresas e governos mensurem e gerenciem as emissões de GEEs por cidades, setor corporativo, cadeia de valor, agropecuária, ciclo de vida de determinado produto, entre outros, a partir de um modelo padronizado e aceito globalmente, possibilitando o planejamento de ações de mitigação e atendimento a exigências legais e comerciais de sustentabilidade. A implementação desse Protocolo visa, portanto, a atender ao interesse dos pecuaristas na adoção de práticas sustentáveis de produção capazes de alinhar ganhos de produtividade, redução de custos e sustentabilidade socioambiental. 

Outro diferencial do trabalho foi a sua adequação e abrangência às diferentes realidades dos produtores brasileiros, considerando, sobretudo, propriedades inseridas em biomas como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado, que estão sob constante monitoramento da mídia e de ONGs e sua inserção nos mercados internacionais. “Temos fazendas de pecuária, lavoura-pecuária (inclusive com produção de grãos, como soja e milho) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), com variados sistemas produtivos como corte, cria, recria e engorda”, explica Marchió.

Essa adequação é muito importante para a aplicação prática do estudo, na medida em que a produção de carnes brasileira é reconhecida mundialmente por sua qualidade e seus variados sistemas de produção e comercialização. “Somos o único país do mundo capaz de atender ao crescimento da demanda mundial de proteína animal a partir do sistema de produção de carne a pasto, com alta produtividade e qualidade, ressalta Guilherme Foresti Caldeira, Líder de Marketing Digital Brasil da Corteva Agriscience. Nós temos área, temperatura, precipitação, conhecimento e adoção de tecnologias avançadas, como genética, nutrição, sanidade e, principalmente, uma classe de pecuaristas que, historicamente, não mediu esforços para chegarmos à posição de um dos principais produtores e exportadores de carnes do mundo”.

Segundo Caldeira, esse estudo comprova que o manejo das pastagens é um dos grandes responsáveis para que o balanço de emissão x sequestro de GEEs seja favorável. “Pasto limpo, com fertilidade adequada, bem manejado, associado a um bom programa nutricional e sanitário, possibilitam aumento da produtividade, reduzindo a necessidade de abertura de novas áreas, o que contribui para um sistema sustentável e, acima de tudo, geração de mais receita”.

Pecuária brasileira e sustentável

Além de viabilizar a habilitação de mais produtores às exigências internacionais, o projeto ainda visa criar uma nova visão sobre a sustentabilidade da produção brasileira. “Quanto mais valorizado e rentável for o pecuarista legal, mais ele poderá investir em tecnologia e na ocupação eficiente do território conectando-se, assim, aos mercados pagadores”, explica Custódio.

“O mundo está passando por um momento de transformação, em que é preciso um esforço comum no sentido de que todos nós, consumidores e produtores, adotemos boas práticas sustentáveis em nossas vidas, para garantir o progresso e o futuro das próximas gerações” afirma o Líder de Marketing de Pastagem da Corteva, Paulo Pimentel, ressaltando o alinhamento do projeto com as iniciativas da Plataforma-S.

É a Corteva se unindo a grandes players e instituições do mercado agropecuário para conectar os produtores a novas e melhores oportunidades, promovendo sustentabilidade com melhores práticas e maior rentabilidade para todos. Nas palavras de Pimentel, “consideramos esse investimento de fundamental importância para o setor rumo a uma produção mais eficiente e responsável em busca e um futuro melhor”.

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