Queda nos estoques internos de milho em 2019/2020

Recuo na produção e demanda aquecida deverão diminuir os estoques e dar sustentação aos preços no país.

Estoque interno de milho

Desde a temporada 2011/2012, com a consolidação da soja como principal cultura de verão (primeira safra), a produção de milho no país “foi empurrada” para a segunda safra ou safra de inverno, que desde então representa o maior volume produzido.

Para 2019/2020, a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que 72,1% de todo o milho brasileiro seja produzido na segunda safra. Observe a figura 1.

Figura 1.
Produção de milho no Brasil na primeira, segunda e terceira safras, em milhões de toneladas.

Produção de milho no Brasil na primeira, segunda e terceira safras, em milhões de toneladas.

Fonte: Conab / elaborado pela Scot Consultoria

Dinâmica de oferta de milho no Brasil

Dessa forma, no início do ano, a oferta do cereal é composta basicamente pelos estoques de passagem (estoques finais) que se somarão à produção na safra de verão, que é colhida a partir de janeiro/fevereiro, dependendo da região.

Considerando que a safra de verão representa menos de 30% do volume total, os estoques de passagem são responsáveis pelo abastecimento do mercado interno e pelo remanescente da exportação durante o primeiro semestre até a colheita da segunda safra, a partir de junho/julho.

Ou seja, os estoques internos possuem um grande peso na precificação do milho no mercado brasileiro no primeiro semestre, até a chegada da safra principal.

Leia também: Milho e soja: atenção ao câmbio e ao clima

Situação em 2020

A Conab estima que serão colhidas 98,41 milhões de toneladas de milho na temporada atual (2019/2020), levando em conta a produção total (1ª, 2ª e 3ª safras). Este volume é 1,6% menor que o colhido na safra passada.

Do lado da demanda interna, a expectativa é de 68,13 milhões de toneladas do cereal consumidas no país em 2020, frente às 63,91 milhões de toneladas em 2019 e às 60,05 milhões de toneladas em 2018.

Os incrementos previstos nas produções de frango, suínos e bovinos deverão puxar a demanda brasileira por milho no ano que vem, a exemplo do verificado em 2019, quando aumentaram as importações chinesas das carnes brasileiras, devido aos casos de Peste Suína Africana (PSA).

Com a queda na produção nacional de milho e a demanda (interna e para exportação) aquecida, os estoques finais em 2019/2020 deverão ser os menores desde 2015/2016.

Estão previstas 10,31 milhões de toneladas, frente às 13,04 milhões ao final de 2018/2019 e às 15,60 milhões de toneladas estocadas ao final de 2017/2018. Veja a Figura 2.

Figura 2
Estoques finais ou estoques de passagem de milho no Brasil, em milhões de toneladas.

Estoques finais ou estoques de passagem de milho no Brasil, em milhões de toneladas.

2019/2020: estimativa
Fonte: Conab / elaborado pela Scot Consultoria

Com isso, a expectativa é de mercado firme e preços em alta para o milho no país no primeiro quadrimestre de 2020.

Aliás, desde setembro/outubro de 2019, as cotações se mostraram firmes e com fortes valorizações no mercado brasileiro, diante da expectativa de estoques menores, além, é claro, das exportações aquecidas no segundo semestre do ano que se encerrou.

Para uma comparação, em janeiro de 2019, o milho estava cotado em R$ 35,00 por saca de 60 kg na região de Campinas-SP, e em janeiro de 2020 os negócios ocorrem mais próximos de R$ 50,00 por saca.

Esse viés de alta sobre os preços no mercado interno poderá ganhar ainda mais força em caso de uma situação adversa de clima (falta de chuvas) durante o período de semeadura e desenvolvimento da segunda safra brasileira, que compreende os meses de fevereiro a maio/junho.

Rafael Ribeiro – zootecnista, msc

Scot Consultoria

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