Reação de preços para o boi gordo

A menor oferta de gado confinado deu força ao mercado em novembro.

O mercado do boi gordo vinha trabalhando em queda após a confirmação dos casos de “vaca louca” atípicos em 4 de setembro e a consequente suspensão da produção de carne destinada à China. Entretanto, na virada do mês, os preços reagiram.

Como a maior parte do gado confinado foi vendida nas principais regiões produtoras em setembro e outubro, a oferta passou a diminuir ao longo de novembro. Somado a isso, o maior ímpeto por compras pelos frigoríficos, em função da proximidade do período de final de ano, típico de maior consumo, aumentou a concorrência pela matéria-prima, pressionando as cotações.

Cabe pontuar que os níveis de abate ainda estão reduzidos, devido à baixa demanda interna por carne bovina e pela indefinição do retorno das exportações para a China.

De 3 de novembro, quando o preço do boi gordo atingiu o menor preço em São Paulo, a 29 de novembro, o incremento foi de 20,9%, retomando os patamares atingidos antes da suspensão das exportações, como pode visto na figura 1.

Além disso, em 23 de novembro a notícia da liberação das carnes certificadas antes de 4 de setembro destinadas à China deu ânimo ao mercado, esperançoso por boas notícias referentes à liberação completa das exportações. 

Figura 1.
Evolução dos preços do boi gordo em São Paulo desde o início de 2021, em R$/@, à vista, livre de imposto.

Fonte: Scot Consultoria

Caminhando na mesma direção, o mercado atacadista (carne desossada) e o varejista de carne bovina reagiram e, desde o início de novembro, as cotações ficaram mais equilibradas. No entanto, não subiram na mesma velocidade que a observada no mercado do boi gordo, principalmente em função do consumo fraco no mercado interno.

Importante salientar que as margens de comercialização das indústrias já não alcançam mais níveis históricos e retornaram às médias observadas ao longo de 2021.

Na comparação mensal, considerando a média dos cortes pesquisados em São Paulo, a alta foi de 7,7% no atacado e de 2,6% no varejo.

Desempenho da exportação de carne bovina

Já com relação às exportações, até a terceira semana de novembro foram embarcadas 4,9 mil toneladas de carne bovina in natura por dia, volume 41,6% menor que em novembro de 2020. Entretanto, na comparação com outubro/21, o volume diário exportado até o momento é 19,1% maior.

Mesmo sem as compras da China, o Brasil registrou bons patamares de volumes embarcados aos demais clientes, como Hong Kong, Rússia, Chile, Emirados Árabes e Estados Unidos.

Mercado de reposição

Na contramão do que vinha sendo observado no último mês, o mercado de reposição reagiu, acompanhando o movimento de alta do mercado do boi gordo.

As negociações vinham calmas, com a ponta vendedora receosa em negociar os animais em vista do cenário de baixa no mercado do boi. Porém, em novembro, as cotações, principalmente das fêmeas mais jovens, registraram bons incrementos.

A maior ocorrência de chuvas e aumento da capacidade de suporte das pastagens respaldaram as compras para reposição.

A figura 2 mostra as variações dos preços nos últimos trinta dias.  

Figura 2.
Variações dos preços das categorias de bovinos nos últimos trinta dias, em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Expectativa de firmeza no mercado do boi e reposição

Para o curto prazo, a tendência é de um aumento gradativo da demanda e da concorrência das indústrias. A redução da oferta de gado confinado pode dar firmeza nas cotações no mercado do boi gordo, até a oferta de gado de pasto começar a surgir, provavelmente, em meados de janeiro.

Porém, cabe a ressalva de que as indústrias concorrerão de maneira mais intensa pela matéria-prima no começo de dezembro, a fim de disponibilizar carne ao varejo logo no início de dezembro, com tendência de diminuir as negociações nas últimas semanas do mês.

Como consequência, no mercado atacadista e varejista de carne, espera-se por preços firmes conforme as festividades de fim de ano se aproximam.

Já para a reposição, o cenário colabora para que os preços continuem ganhando ritmo.

Com relação às exportações, as atenções se voltam para a China, que pode reforçar a firmeza do mercado, caso volte às compras.

Sophia Honigmann – médica-veterinária
Scot Consultoria

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