Recuperação da pastagem: quando fazer?

O Brasil produziu, em 2018, 4,06 arrobas por hectare. Os números evidenciam a necessidade de aumento de produtividade, uma vez que estão abaixo do potencial brasileiro.

recuperação da pastagem

Atualmente, devido à redução das margens financeiras na produção de bovinos de corte e à pressão exercida por outras atividades do agronegócio, os sistemas de produção a pasto vêm passando por um processo de modernização, com o objetivo de aumentar a produtividade e, principalmente, a lucratividade da atividade.

A produtividade nos sistemas de produção de bovinos de corte a pasto é calculada através da produção animal por hectares (ha), normalmente expressa em kg de peso corporal/ha ou arrobas/ha. Esse indicador é função do desempenho individual dos animais e a quantidade de cabeças por hectare.

A taxa de lotação é função direta da capacidade de produção vegetal do material forrageiro e da eficiência com que os animais conseguem colher a massa de forragem produzida (eficiência de pastejo). O desempenho animal é função da quantidade de forragem disponível para cada animal (oferta de forragem) e o valor nutritivo da forragem.

Dessa forma, a intensificação do sistema de produção de bovinos de corte passa necessariamente pela recuperação da capacidade produtiva e pelo manejo adotado nas áreas de pastagens, uma vez que as plantas forrageiras consistem na principal fonte de alimento para os animais e ocupam uma área significativa do território brasileiro.

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O Brasil possui 180 milhões de ha de pastagens (tabela 1), explorados com bovinos e plantas forrageiras adaptadas às diferentes condições de clima e solo. De acordo com o IBGE, em 2018, foi estimado um rebanho de 214,69 milhões de cabeças e produção de 10,96 milhões de toneladas equivalente de carcaça (tec) de carne bovina.

Com essas informações, podemos calcular que a taxa de lotação e a produtividade média no período foi de aproximadamente 1,19 cabeças/ ha e 60,89 kg/ha ou 4,06 @/ha, respectivamente.

Esses valores demonstram a necessidade de aumento de produtividade, pois estão abaixo do potencial brasileiro, já que a maior parte dos nossos sistemas de produção de bovinos de corte está em regiões de clima quente e úmido, favoráveis à produção das plantas forrageiras tropicais.

Tabela 1.
Uso dos solos brasileiros.

recuperação da pastagem

Fonte: Embrapa Territorial

Dessa forma, a recuperação das pastagens permitem a intensificação da sua capacidade produtiva, o que pode aumentar significativamente a produção de carne bovina brasileira e/ou liberar áreas para outras atividades do agronegócio sem afetar a produção de carne. Esse fator torna a atividade de pecuária de corte mais competitiva em relação às demais opções do agronegócio.

Formas de aumentar a produtividade das pastagens

Atualmente, grandes esforços são feitos na tentativa de recuperar as áreas de pastagens degradadas. Porém, na maioria das vezes, observamos a busca por soluções simplificadas, que priorizam a adoção de apenas uma tecnologia como, por exemplo, seleção e melhoramento de novas plantas forrageiras, recomendações de correção e adubação de solos, tipos de pastejo, controle de plantas daninhas, entre outros.

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Esses esforços têm falhado em atingir seus objetivos, pois soluções utilizadas isoladamente não são capazes de causar impactos significativos em um complexo sistema de produção, em que produtividade depende da busca de eficiência em várias etapas, com adoção de conhecimentos multidisciplinares.

Para que ocorra o aumento da produtividade em um determinado sistema de produção de bovinos de corte, é necessário compreender e adotar técnicas e manejos capazes de aumentar a eficiência nas três principais fases de produção de animais em pastagens, sendo que a soma dessas eficiências determinará o nível de produtividade a ser alcançado, conforme representado na figura 1.

Figura 1.
Representação esquemática da produção animal em pastagens.

Fonte: Adaptado de Hodgson, 1990.

A recuperação é eficiente apenas na fase de crescimento, pois atua diretamente nos recursos de produção, e seu efeito é potencializado quando utilizamos plantas forrageiras adaptadas às condições locais do projeto, ou adequamos, principalmente, as características químicas do solo às exigências das plantas forrageiras.

De acordo com a figura 1, podemos observar que apenas a recuperação de um pasto não é suficiente para garantir um aumento significativo na produtividade, sendo necessária a adoção de outras tecnologias capazes de melhorar a eficiência de pastejo e o valor nutritivo da forragem no momento da utilização.

Além disso, é importante conhecer a fisiologia de crescimento das plantas forrageiras e os hábitos alimentares dos bovinos em pastejo para definir o melhor manejo de pastagens a ser adotado, com o objetivo de aumentar a durabilidade dos efeitos positivos da recuperação.

Antes de tomar qualquer decisão para a adoção de tecnologias em um sistema de produção, é essencial executar um bom diagnóstico da propriedade que será trabalhada.

O diagnóstico é o responsável por descrever a real situação em que o projeto se encontra, quais são os pontos que estão limitando a produção e destacar os pontos fortes do projeto. As informações produtivas, associadas à capacidade de investimento do produtor, irão determinar quais tecnologias são mais adequadas e qual a prioridade de implantação.

A degradação de uma pastagem é caracterizada pela redução da produção de matéria seca do pasto (kg de MS/ha), redução da população (stand) de plantas forrageiras na área e presença de plantas daninhas. Normalmente, é causada por manejo inadequado (superpastejo), redução na fertilidade do solo e incompatibilidade da espécie forrageira utilizada com as condições edafoclimáticas e pragas presentes na região do projeto.

Para saber mais sobre a forma adequada realizar o procedimento de recuperação das pastagens, leia a segunda parte deste artigo aqui.

Autores: 

José Renato Silva Gonçalves, engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo, na Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ/USP). Possui mestrado em Ciência Animal e Pastagens pela mesma universidade. Possui doutorado realizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atualmente é administrador e pesquisador da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ).

Laísse Garcia de Lima, engenheira agrônoma formada pela Universidade de São Paulo, na Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ/USP). Possui mestrado em Ciência Animal e Pastagens pela mesma universidade. Atualmente atua como pesquisadora da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ).

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