Recuperação das pastagens: como fazer?

Quando a adoção da recuperação é realizada em associação com outras técnicas capazes de reduzir o processo de degradação, os efeitos são mais duradouros com redução na necessidade de utilização dessas técnicas no futuro.

recuperação das pastagens

Na primeira parte deste artigo, falamos sobre em que momento deve-se fazer a recuperação das pastagens. Leia aqui. Para esta segunda parte, separamos algumas informações sobre a forma adequada de realizar esse procedimento. 

Quando a avaliação do sistema de produção demonstra a necessidade de recuperar uma área de pastagens, devemos observar as características climáticas da região e seguir os seguintes passos:

1. Controle de Plantas Daninhas Duras

São denominadas plantas daninhas duras aquelas que são de difícil controle com aplicação foliar, sendo necessário o corte e aplicação de herbicida no toco, após o corte da planta.

Como é uma operação que demanda mais mão de obra e pode ser feita quando a planta daninha está com reduzida atividade metabólica, podemos efetuar essa técnica durante os períodos secos do ano, inclusive com o objetivo de otimizar a mão de obra da propriedade, que normalmente é mais ociosa nessa época do ano.

2. Análise do Solo

A análise do solo tem como finalidade avaliar a concentração dos nutrientes no solo e, consequentemente, a sua fertilidade.

Com base nos resultados da análise de solo é possível recomendar as quantidades necessárias de calcário e adubo que serão aplicados, de acordo com o potencial produtivo desejado.

Quando as recomendações são feitas com base nos dados da análise de solo, a lucratividade do sistema é melhorada, pois os insumos serão aplicados na dosagem correta, sem sobras ou déficits.

Dessa forma, evita-se aumentos desnecessários nos custos de produção ou a redução da produtividade.

Para obter resultados confiáveis na análise é necessário proceder uma boa coleta de solo, sendo recomendado retirar amostras de 0 a 20 cm de profundidade, com uso de enxadão, trado ou sonda.

Os pastos devem ser analisados individualmente, através de coletas em ziguezague, amostragens de pelo menos 5 pontos por hectare (ha), que serão armazenadas em recipientes sem contaminações e homogeneizadas para posterior retirada de amostra composta.

3. Calagem

A calagem consiste na aplicação de calcário com o objetivo de neutralizar a acidez do solo e fornecer cálcio e magnésio para a planta forrageira.

A calagem é essencial para a recuperação do solo pois, em solos com pH próximos à neutralidade, verifica-se maior disponibilidade de quase todos os nutrientes que as plantas forrageiras necessitam. A calagem deve ter como objetivo elevar a saturação por bases (V%) para valores próximos a 70%.

O uso de adubações antes da correção do pH do solo reduz a eficiência no uso desses nutrientes (tabela 1), causando redução no aumento da produção e aumento do custo por quilo de matéria seca de pasto produzido.

Dessa forma, é essencial a correção da acidez do solo através da aplicação antecipada de calcário na área para potencializar a eficiência de ação no uso dos fertilizantes e garantir o retorno dos investimentos em fertilidade, já que estes possuem preços de aquisição maiores do que os do calcário.

Tabela 1.
Estimativa de variação percentual da assimilação dos principais nutrientes pelas plantas em função do pH do solo.

Fonte: Adaptado por Lopes (1984) de Alcarde (1983).

Mesmo em condições ideais, ou seja, com umidade disponível, o calcário necessita de pelo menos três meses para que as reações químicas ocorram, realizando o efeito esperado na solução do solo. Essas informações demonstram que a aplicação de calcário tem que ocorrer com bastante antecedência à aplicação dos fertilizantes, sendo indicado realizar essa operação no final da estação chuvosa anterior ao período que será realizada a recuperação das pastagens.

Leia também: Manejo da pastagem e incentivo à pesquisa

4. Fosfatagem

Os solos brasileiros normalmente apresentam baixa disponibilidade de fósforo para as plantas cultivadas. A fosfatagem é a aplicação de fósforo no solo e é essencial para o aumento da produtividade das plantas forrageiras.

A fosfatagem só pode ser realizada após a correção da acidez do solo, pois em solos ácidos e com presença de alumínio, o fósforo sofre um processo de fixação formando compostos de baixa solubilidade, reduzindo sua disponibilidade para as plantas.

O fósforo é essencial para as plantas forrageiras pois faz parte de diversos compostos estruturais importantes: participa como catalizador de diversas reações bioquímicas; compõe as estruturas do DNA e RNA e participa do transporte de energia através do ATP, formado durante o processo de fotossíntese.

Para que a planta forrageira não tenha restrições à absorção é necessário que o nível de fósforo no solo esteja entre 6 e 12 mg/dm3 de solo. Essa variação é em função do nível de produtividade desejada e o teor de argila no solo.

Em solos onde os níveis de fósforo já estão próximos do ideal, a fosfatagem pode ser substituída pela aplicação de fósforo junto com as adubações de cobertura, através da utilização de fórmulas contendo nitrogênio, fósforo e potássio (NPK).

5. Controle de Plantas Daninhas Moles

São denominadas plantas daninhas moles aquelas que são de fácil controle com aplicação foliar. Normalmente são plantas de ciclo anual e apresentam aumento de população no início da estação chuvosa, principalmente em áreas degradadas e com baixa cobertura do solo pelas plantas forrageiras.

O seu controle deve ser efetuado no início da estação chuvosa, com o objetivo de reduzir a competição com as plantas forrageiras por água, luz e nutrientes. O controle das plantas daninhas moles permite a rebrota mais rápida das pastagens, refletindo em maiores produtividades e aumento da cobertura do solo, com consequente aumento da viabilidade econômica do controle.

Quando o controle é feito no início da estação chuvosa, a planta forrageira tem o seu potencial produtivo aumentado durante todo o período chuvoso, o que permite maior produção animal com consequente aumento de receita, melhorando a relação “custo/ benefício” da adoção da técnica.

6. Adubações de Cobertura

As adubações de cobertura têm como finalidade fornecer os nutrientes necessários ao aumento de produtividade das plantas forrageiras. Em situações onde a fosfatagem já foi realizada, as adubações de cobertura consistem na aplicação principalmente de nitrogênio e potássio.

O nitrogênio é o principal modulador da produção das plantas forrageiras, por isso, a dose a ser aplicada depende do nível de produtividade adotado no projeto. Os dados de pesquisas mostram que para aumentar a capacidade de suporte em uma unidade animal por hectare são necessários em média a aplicação de 30 a 60 kg N/ha.

As adubações de cobertura têm seus efeitos potencializados quando há umidade no solo e quando são realizadas imediatamente após o pastejo, com a retirada dos animais da área.

Leia também: Três dicas para manejo do pasto no início da estação chuvosa

7.  Manejo das Pastagens

A recuperação das pastagens é um processo caro, por isso, ao adotar esse tipo de investimento, é essencial melhorar a forma de manejá-las, com o objetivo de potencializar seus efeitos e reduzir a degradação das forragens.

Independentemente do método de pastejo utilizado, é necessário definir metas para controle do uso dos pastos, com o objetivo de maximizar a produção animal sem degradar o pasto, controlando a interface planta-animal, uma vez que alterações na estrutura do dossel podem causar modificações na composição da forragem consumida.

Para isso, é necessário definir uma variável capaz de ser mensurada e que tenha relação com o uso da pastagem. As variáveis normalmente utilizadas são interceptação luminosa; altura das plantas forrageiras e proporção de forragem disponível para os animais que serão alimentados, também denominada oferta de forragem.

8. Cronograma

A época que as operações serão realizadas está diretamente relacionada com as condições climáticas, por isso segue proposta de cronograma com exemplo de distribuição de chuvas (gráfico 1).

Gráfico 1.
Cronograma das atividades envolvidas no processo de recuperação das pastagens.

Fonte: Autor

Considerações Finais

A produção de bovinos de corte em pastagens pode ser a forma mais econômica de produzir carne em ambientes tropicais úmidos. Porém, para que isso ocorra, é necessário dar condições para que as plantas forrageiras consigam expressar seu potencial produtivo através da adoção de tecnologias compatíveis com o nível de intensificação da propriedade.

Para definir qual sistema de produção adotar, é essencial ter um projeto que contemple pelo menos as fases de diagnóstico, planejamento, execução e controle.

Com essas avaliações é possível definir quais as tecnologias adequadas a serem adotadas, época de implantação, bem como os ajustes necessários ao longo do tempo na propriedade.

A adoção de técnicas de forma isolada não é capaz de promover aumentos significativos nos sistemas de produção.

Por isso, a importância de um bom projeto capaz de definir o conjunto de tecnologias que serão adotadas para potencializar a produtividade e lucratividade do sistema de produção.

A quantidade de área a ser recuperada depende da disponibilidade de recursos financeiros; maquinário e necessidade de aumento da capacidade de suporte da propriedade.

Toda vez que a adoção da recuperação vier acompanhada de outras técnicas capazes de reduzir o processo de degradação das áreas de pastagens, os efeitos serão mais duradouros com consequente redução na necessidade de utilização dessas técnicas no futuro.

Autores:

José Renato Silva Gonçalves, engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo, na Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ/USP). Possui mestrado em ciência animal e pastagens pela mesma universidade. Possui doutorado realizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atualmente é administrador e pesquisador da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ).

Laísse Garcia de Lima, engenheira agrônoma formada pela Universidade de São Paulo, na Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ/USP). Possui mestrado em ciência animal e pastagens pela mesma universidade. Atualmente atua como pesquisadora da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ).[

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