Redução da oferta dita o rumo dos preços

Avanço da entressafra e menor oferta de gado deram fôlego às cotações

Com o fim da safra de capim, redução na oferta de gado terminado e escalas de abate mais apertadas na ponta compradora, em meio a um bom ritmo de exportação e a valorização do dólar, o mercado do boi trabalhou firme em junho/22.

No acumulado do mês, os preços subiram 5,9% na praça paulista, ou R$17,50/@, negociada em R$312,00/@, preço a prazo e livre de impostos. Acompanhe na figura 1.

Figura 1.
Cotação da arroba do boi gordo, em São Paulo, em R$/@, a prazo e livre de impostos.

Fonte: Scot Consultoria

Até maio/22, 779,6 milhões de toneladas de carne bovina in natura foram exportadas, com faturamento de US$4,58 bilhões, incrementos, respectivamente, de 30,9% e 64,4% frente ao acumulado no mesmo período em 2021. Veja na figura 2. 

Figura 2.
Exportação anual de carne bovina in natura (em azul) e acumulada até maio (em laranja), em milhões de toneladas.

Fonte: Secex / Elaboração: Scot Contultoria

Em junho/22, até a terceira semana do mês, 97,9 mil toneladas foram exportadas, ou 8,2 mil toneladas por dia, aumento de 22,2% em relação à média de junho/21. O preço pago por tonelada e o faturamento diário com os embarques aumentaram, nesse mesmo comparativo, 32,1% e 61,3%, respectivamente.

Estimulados pelo mercado do boi gordo, os preços no mercado da reposição também ganharam ânimo ao longo de junho, com destaque às últimas semanas do mês. Veja na figura 3.

Figura 3.
Variação mensal de preços no mercado de reposição, em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Em curto prazo, o cenário de preços firmes para o mercado do boi gordo e de reposição deverá seguir, com a manutenção dos fundamentos supracitados.

Abate de bovinos e ciclo pecuário

O abate de bovinos cresceu 5,5% no Brasil no primeiro trimestre de 2022, ante o primeiro trimestre/21, para as vacas e novilhas, o incremento nos abates foi de 11,4% e 17,2%, na mesma ordem.

Analisando o ciclo pecuário de preços, que rege a dinâmica da pecuária nacional, o cenário indica uma mudança de fase. Veja na figura 4.

Figura 4.
Cotação da arroba do boi gordo (eixo da esquerda), em valores reais, e participação de fêmeas no abate de bovinos (eixo da direita).

*Até março.
Fonte: IBGE / Scot Consultoria.

Este cenário requer atenção a grandes investimentos na pecuária em curto e médio prazo (segundo semestre e começo de 2023), principalmente devido à atividade de cria.

Expectativa para o curto prazo

O segundo semestre é, em termos de gado terminado, um momento de menor disponibilidade. Para julho, a expectativa é de uma redução no volume de gado confinado no primeiro giro na ordem de 20% (IMEA), em meio a um cenário pouco atrativo para a atividade em abril/maio.

Além disso, a expectativa é de uma demanda ligeiramente melhor, com os dados macroeconômicos do país apontando incremento na geração de empregos formais no acumulado até maio/22 (IBGE), revisão positiva em junho para o PIB nacional em 2022 de 1,0% para 1,7% e expectativa de câmbio em torno de R$5,00/US$ em 2022 (Bacen), além da manutenção de um cenário comprador para nosso principal parceiro econômico no mercado internacional de carne bovina, a China.

Assim, apesar da mudança de fase de ciclo, em curto prazo os preços no mercado do boi gordo, em termos nominais, deverão seguir firmes.

Felipe Fabbri, zootecnista, msc.

Clique e leia a matéria completa

Tags

Compartilhe nas suas Redes Sociais:

Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos e personalizados

Cadastro

2 respostas para “Redução da oferta dita o rumo dos preços”

  1. Avatar Vicente Araújo Cotta - Minas Gerais (MG) disse:

    São dados importantes para nos manter atualizados. Muito bom.

    1. Pasto Extraordinário Pasto Extraordinário disse:

      Agradecemos o elogio, Vicente 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*