Redução dos abates de bovinos no primeiro semestre

Enquanto os abates de aves e suínos cresceram, houve redução para bovinos no primeiro semestre de 2020, frente ao mesmo período de 2019.

O primeiro semestre de 2020 foi marcado pelo início da pandemia, com seus efeitos nos mercados mundo afora e na demanda doméstica brasileira por carnes.

Apesar de a demanda global ter sido afetada, o cenário de lacuna da oferta de carne suína na China, como efeito do surto de peste suína africana deflagrado em 2018, gerou bons volumes exportados para as diversas proteínas.

De janeiro a agosto de 2020, o volume de carne suína in natura exportada pelo Brasil aumentou 44,4% em relação ao mesmo intervalo de 2019. Já a carne bovina in natura teve acréscimo de 16% e os embarques de carne de aves praticamente se mantiveram (+0,4%).

Mesmo com estabilidade nas exportações, o consumo doméstico de carne de frango foi beneficiado pela diminuição da demanda de proteínas de maior valor agregado, como a carne bovina.

Com um cenário positivo de escoamento e ciclos curtos, que permitem um ajuste de produção mais rápido, os abates de frangos e suínos aumentaram no acumulado do primeiro semestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos primeiros seis meses deste ano, foram abatidos 2,9 bilhões de frangos, 24 milhões de suínos e 14,6 milhões de bovinos. Para frangos, o aumento foi de 2,2% em relação à primeira metade de 2019 e, para suínos, o incremento foi de 5,7%, na mesma comparação, enquanto os abates de bovinos diminuíram 8,1%, frente ao primeiro semestre de 2019.  

Figura 1.
Variação dos abates de bovinos, frangos e suínos no primeiro semestre de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Fonte: IBGE | Elaboração: Scot Consultoria

Detalhamento dos abates de bovinos

Enquanto a produção e os abates de aves e suínos respondem mais rapidamente a preços mais ou menos atrativos para a venda da produção, o ciclo da bovinocultura de corte é mais longo. Temos aumentado a eficiência da pecuária de corte nos últimos anos, mas a fisiologia de cada espécie mantém uma boa distância entre as atividades. 

Com isso, na bovinocultura é importante acompanhar os abates por categoria, que demonstram a fase do ciclo pecuário, assim como as expectativas para a produção nos anos seguintes.

Com a valorização das categorias de reposição desde a segunda metade de 2018, a rentabilidade da cria aumentou, estimulando a retenção de fêmeas e menos abate dessas categorias. A figura 2 mostra que a queda dos abates de vacas e novilhas foi maior, na comparação com o mesmo semestre de 2019.

Figura 2.
Variação dos abates de bovinos no primeiro semestre de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior, por categoria.

Fonte: IBGE | Elaboração: Scot Consultoria

Enquanto o abate de vacas caiu 18,2%, o de bois cedeu 1%, em relação ao primeiro semestre de 2019.

Expectativas

Para o curto prazo, com o cenário de pouca atratividade do confinamento em boa parte do ano e reposição rara no mercado, não é esperado um aumento importante nos abates. O próprio mercado do boi gordo em alta também sinaliza nessa direção.

Pensando nos próximos anos, a redução dos abates de fêmeas tende a aumentar a quantidade de vacas em reprodução e, consequentemente, a oferta de bezerros, acalmando as cotações.

Ainda assim, para 2021 não é esperado um aumento forte da oferta de gado a ponto de compensar as exportações, que devem seguir bem, se somando a um consumo doméstico melhor, à medida que o pior da pandemia vai ficando para trás e a economia ganha ritmo.  

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